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Y o último homem volume 1 Extinção

 Brain K Vaughan surgiu após um programa da Marvel Comics para a criação de novos talentos e devo confessar que não vi nada interessante no pouco material que li dele para a editora. No entanto, para o selo Vertigo da DC Comics, produziu duas séries importantes para a cultura pop nos anos 2.000: Y the last man e Ex Machina.

Ex Machina trata das desventuras de um ex-herói (no mundo comum, sem superseres) na prefeitura de Nova Iorque. Já Y mostra a extensa trajetória de Yorick Brown, um típico jovem nerd americano, levemente monogâmico e crú para uma visão real de mundo, num mundo onde uma praga dizimou todos os portadores do cromossomo Y do planeta – os homens – à exceção dele e de seu macaco capuchino. Veja bem, a humanidade tem seu gênero sinônimo de força, coragem e inteligência, reduzido a um garoto norte-americano inseguro e que cujos conhecimentos se reduzem a referências a séries de TV, quadrinhos e livros. Conhecimento prático para sobrevivência: nenhum!

A série tenta num primeiro momento apontar uma razão para a praga e atira em diversas frentes: ciência (uma praga), evolução (a Dra Mann diz ter dado à luz a uma criança clonada de si, o que evolucionariamente reduziria a importância do homem, já que uma mulher poderia dar à luz sem necessidade do macho) e religião (um amuleto que saiu das fronteiras de um país ou, para alguns, uma vingança de Deus contra os atos do homem). Em seguida une um elenco mínimo de atores (Yorick, Ampersand – o macaco -, Agente 355 e Dra Mann) numa viagem para determinar se é possível clonar Brown. Porém o laboratório da geneticista é destruído e então eles devem cruzar o território americano para conseguir a resposta.

Mas atenção! Muitos serviços essenciais estão deficitários, especialmente aqueles que eram conduzidos por homens. Não há telecomunicações, não há TV, internet, jornais, não por que mulheres não possam fazer isso, mas porque com o choque do acontecimento ainda não estão “de pronto” para iniciar. Então ir de um lugar para outro toma tempo, muito tempo.

O traço de Pia Guerra – que em vários momentos lembra José Luiz Garcia Lopez, saudoso artista que produziu bons momentos para a DC Comics especialmente o Superman e entre outros trabalhos desenhou o álbum Batman vs Incrível Hulk – oferece uma visão light para um desastre de proporções bíblicas. Não deixo de imaginar se fosse outro artista, talvez algum que tivesse trabalhado nos vários personagens bárbaros, desenhando a epopeia e imagino cenas e cenas de luxúria, um caminho que Vaughan não trilhou, preferindo uma narrativa por demais pudica. Num mundo em que é o único macho, Brown não fez uma namorada em cada cidade e nem teve relações com a geneticista e a agente, preferindo a continuidade de seu relacionamento com Beth, sua namorada que está na Austrália e agora virtualmente perdida – e que, diga-se de passagem acredita que ele está morto. Talvez nós homens, em nossos delírios adolescentes, tivéssemos imaginado outras atividades para realizar com 3 bilhões de mulheres!

Vaughan cria figuras de apoio para a jornada de auto-descoberta de Brown, mas seu primeiro problema é a sobrevivência e o renascimento de sentimentos anti homens! Pode parecer piada que num mundo sem homens este sentimento tenha espaço, mas surge um grupo de mulheres que acredita que o mundo está melhor desta nova maneira e que a existência do homem – no caso, um único – poderá por em risco a supremacia feminina.

Uma série que merecia uma adaptação para uma boa série de TV, com várias temporadas que desse tempo para explorar a complexidade do tema.

[Y - O último homem]
Volume 1 - Extinção
Volume 2 - Ciclos
Volume 3 - Um pequeno passo
Volume 4 - A senha
Volume 5 - Anel da Verdade
Volume 6 - Menina com Menina
Volume 7 - Bonecas de Papel
Volume 8 - Dragões de Quimono 

Extra: Os 10 mais da década de 2000

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