Pular para o conteúdo principal

Peanuts Completo, vol 01: 1.950 a 1.952

A L&PM iniciou uma série de encadernados no final do ano que resgatam a obra Charles M Schulz, criador a tira Peanuts conhecida no Brasil como “Mindoim” (corruptela de amendoim) ou “A turma de Charlie Brown” ou ainda “Snoopy”.

A obra é um encadernado horizontal (21,5 x 17 cm) e tem 360 páginas, sendo das páginas 291 a 337, uma análise da obra e uma entrevista com o autor. Além disso, traz uma introdução nas páginas iniciais.

A L&PM já havia lançado outros encadernados de várias fases de Peanuts e certamente fez as contas erradas: a obra esgotou e o volume que comprei já era a segunda impressão, isto em abril de 2.010 para uma obra que foi publicada no final de 2.009 – acho que no Natal.

Não tenho dúvida alguma que não se esgotou em função de preço acessível, já que a R$ 69,00 (há freqüentes descontos em várias livrarias) não posso classificá-la como tal. Nem posso dizer que o público de Peanuts é outro e resumir por si só a questão à isto.

Claro que o público de Peanuts é outro, mas quem consome esta obra também consome os encadernados como Biblioteca Marvel ou DC da Panini, por que em geral estas séries publicam material clássico (B. Marvel é anos 1.960 e B. DC anos 1.940 a 1.950).

A qualidade da obra também é outra, com parâmetros nos quadrinhos de editoras de heróis talvez apenas em obras de Neil Gaiman (que por sinal está de livro novo na praça) e Alan Moore. Certo?

Talvez! Talvez seja apenas presunção. Não que Gaiman e Moore não sejam os melhores em suas obras, mas por que desconsideramos muito material de herói que é muito bom. Apenas para citar alguns materiais deste tipo de segmento, relembro de minha lista de melhores da década composta por Capitão América (veja aqui), Poder Supremo (veja aqui) e Plastic Man (veja aqui), apenas para ficar com alguns. Plastic Man com sua arte especial, suas piadas e a profunda ironia com a própria indústria de quadrinhos é um material que visualmente poderia fazer parceria com Peanuts na estante de qualquer um – ainda que, devo admitir, o material de Schulz seja superior.

Peanuts quebra paradigmas das tiras ao introduzir crianças reflexivas em contraponto às endiabradas de então. Não é também, apenas por isso, melhor ou pior, já que ninguém foi mais endiabrado que o personagem principal da tira “Calvin & Haroldo”, e esta também é um ponto alto na diversão contemporânea.

Ao mostrar o universo adulto refletido nas crianças e em suas ações, Schulz acertou e conseguiu ficar cinqüenta anos à frente de seus personagens, tornando-os um grande sucesso comercial. Esta semana, inclusive, foi veiculado que a marca mudou de proprietários, mas apenas 80%, pois os 20% restantes pertencem à família do autor, que encerrou a tira uma semana antes de morrer.

Segundo as informações veiculadas, o faturamento anual com as marcas co-relacionadas à série chegam ao montante de US $ 2 bilhões por ano!

Isto para um produto que nunca foi para Hollywood! (Houve vários especiais produzidos diretamente para a TV ao longo das décadas).

Boa sorte à L&PM e que consiga traduzir toda a obra e que seu sucesso consiga ensinar algo aos homens de negócio de outras empresas.

Apenas para lembrar a L&PM é uma editora do sul do país. Nos anos 1.980 e início dos 1.990 publicou livros de Luís Fernando Veríssimo e inclusive a adaptação em quadrinhos do famosíssimo “Analista de Bagé”. Durante um tempo a editora tentou se estabelecer como empresa que publicaria material alternativo (A garagem hermética), clássico (Batman de Bob Kane, sendo a terceira editora a publicar Batman no Brasil) ou erótico cabeça (Valentina, O Amante de Lady Chatterlay).Como o boom das graphic novels no início dos anos 1.990 a editora perdeu espaço para outras que publicavam em cores e com maior regularidade. Atravessou a década de 2.000 publicando encadernados selecionados (Snoopy, Garfield) e livros de bolso numa coleção com mais de quinhentos volumes.

Postagens mais visitadas deste blog

EaD: Como estudar sozinho em casa

Lost – A sexta temporada: Um resumo bem pessoal de Lost, até o episódio 9 da sexta temporada.

Existe uma ilha com propriedades magnéticas e místicas. Magnéticas por que há um contador da energia que se acumula na ilha. E místicas por que ela possui um mecanismo que pode ser utilizado para alterar sua posição no tempo e espaço.

Dois seres habitam esta ilha. Um deles, Jacob, está impedindo que o outro, ainda sem nome, saia.

Jacob pode sair da ilha e pode atrair pessoas para lá.

A função de Jacob é impedir que o outro saia da ilha. O segundo deseja matar Jacob para poder sair.

Este segundo pode se tornar uma fumaça escura que agrupada pode se tornar pessoas – geralmente entes queridos mortos – ou ser usada para destruição. Durante muitos anos, nós expectadores, achávamos que era nano-tecnologia que tem conceito semelhante.

Em 1.867 um navio chega a ilha trazendo Ricardo que se tornará agente externo de Jacob. Ricardo se torna imortal graças aos poderes de Jacob.

Um núcleo de pessoas sempre habitou a ilha. Possivelmente atraídos por Jacob. Sempre.

Após enterrar uma bomba de hidrogên…

Os Vingadores vs O Esquadrão Supremo

(Ou Como as histórias não são realmente como nos lembramos)
Não tenho nenhum entusiasmo pelos encontros entre Os Vingadores e Esquadrão Supremo. Nenhum! Ao contrário acho histórias imbecis, mas talvez seja um ranço contra Roy Thomas. Explico: na infância eu odiava os Vingadores de Thomas e por extensão o próprio, mas gostava muito da arte de Conan (Buscema & Zuñiga) ou qualquer coisa feita por Neal Adams como a Guerra Kree-Skrull ou X-Men.

Já adulto um amigo disse que o sujeito era bom e eu fui reler as histórias: não eram tão ruins quanto a lembrança. Inclusive conheci e comprei os setenta números de All-Star Squadron que eram do próprio.
Por fim, descobri que metade daquilo que eu não gostava em Thomas na verdade não era dele... era do Englehart, um sujeito também superestimado pela indústria, que só acertou uma vez: em Batman!
Vencido o preconceito contra o escritor, veio o problema da maturidade: as histórias dos anos 1960 só funcionam lá, especialmente as de super-grupos co…