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Os 10 mais da década - Parte 6

E minha lista continua.

6) Captain America volume 5 de Ed Brubaker, Steve Epting & vários – Deste realmente vou falar pouco por que há muitos post recentes sobre o tema – e este é o único movimento que vou falar pouco, entendam.

O Capitão América nunca esteve na minha lista permanente de personagens preferidos. É certo que há várias fases memoráveis. Roger Stern & John Byrne, JM DeMatteis & Mike Zeck, e um bom período nas mãos de Mark Gruenwald.

Porém, com câncer, Gruenwald tentou tramar o mesmo assunto no Capitão errando e enchendo a série com coadjuvantes. Depois de uns 3 ou 4 anos de acertos Gruenwald quase destruiu o personagem.

Depois teve o período Mark Waid, Rob Liefeld, James Robinson (apenas fill-in quando Liefeld foi demitido), Waid novamente, Dan Jurgens, e então a fase pós 11 de setembro, que começou bem e desandou depois que Quesada leu as histórias – o autor questionava as ações militares dos EUA durante a 2ª Guerra e mostrava que o terrorismo atual talvez fosse resposta de atos que os americanos cometeram naquele período.

Marcado na indústria e até com duas séries (uma Captain America pelo selo Marvel Knights e outra Captain America and Falcon envolvida com a cronologia da Marvel e em vários momentos escrita por Robert Kirkman de The Walking Dead – veja aqui) o Capitão não tinha sido uma grande contribuição na década.

Até que caiu nas mãos do ex-jovem problema Ed Brubaker (para as origens do autor, veja uma excelente matéria na revista Wizard/Wizmania da Panini Comics).

Brubaker inteligentemente notou com o mundo não tem núcleos tão nítidos como antes. Não há preto e branco tão claros e retornou com temas sempre usados nas séries do heróis: sociedades terroristas (IMA, Hidra), o nazismo (Caveira Vermelha), a perda de um amigo (Bucky), o retorno deste amigo corrupto por lavagens cerebrais de uma inteligência inimiga, a participação de uma organização militar (a SHIELD, usada em espionagem e contra-espionagem), o amor (por Sharon Carter) e finalmente o apoio irrestrito às liberdades individuais (visto durante Guerra Civil). Todos com um ótica bem particular, como a cidade núcleo de uma organização terrorista porém desenvolvida economicamente: os cidadãos faziam vista grossa para como o dinheiro chegava à cidade e permitiam a existência de laboratórios de armas de destruição em massa. Ou ainda a corporação internacional que mantém um exército particular para seus próprios interesses (veja os autores Jonathan Black e Frederick Forsyth, especialmente Cães de Guerra deste último, para descobrir a função de exército para corporações, principalmente no domínio de países africanos produtores de diamantes).

Não culpem Brubaker pelo retorno do Capitão (veja sobre retornos aqui). Todos os personagens mortos retornaram um dia. Kitty Pride recém morta já vai retornar.

Pensem sim, em como foi bom o volume cinco da série Captain America e como um autor pode escrever tramas com assuntos já tão explorados, como os do parágrafo anterior, e ainda assim mostrar eficácia.

Uma fase memorável.

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