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Crise Interdimensional (1.999)

Bem... agora a porca torce o rabo.
Ler um texto de Grant Morrison não é exatamente fácil. Ele confessadamente usa drogas para ter inspirações e desenvolver tramas “padrões” sobre um aspecto lisérgico. O texto dele é cheio de idas e vindas e tudo faz parte de uma trama maior. Sempre!
Todos os eventos deste encontro têm relação com a manipulação que a Quintessência esteve produzindo. A Quintessência é a união de Zeus, Vingador Fantasma, Ganthet, Shazam e Pai Celestial. Todos deuses ou seres de grande poder que estavam manipulando eventos para que os acontecimentos de “O reino do amanhã” não acontecessem, além de uma série de agendas próprias.
Entenda que o maior prejudicado de “O reino do Amanhã” foi Capitão Marvel, o campeão de Shazam e por isso o mago queria um destino melhor para seu escolhido.
Assim, durante algum tempo a Quintessência esteve manipulando eventos na DC Comics, obra, é claro, de Mark Waid, escritor responsável por “O reino do Amanhã” e o evento “filho-pródigo” da série “O reino”.
Entenda também que Mark Waid sempre teve uma grande simpatia por Grant Morrison, que era recíproca daí o fato de Morrison usar o conceito. Ambos tinham também o mesmo editor, o competente Dan Raspler, responsável por JLA e DC Um Milhão, entre outras coisas.
Uma equipe formada por Waid, Morrison, Mark Millar (The Ultimates) e Tom Peyer (Homem-Hora, inédito no Brasil) chegou a prometer uma reformulação que iria tornar o Superman o personagem mais rentável da indústria. Infelizmente a DC Comics barrou o projeto e entregou os super-títulos ao escritor Jeph Loeb. Morrison irritado foi passar quatro anos na Marvel, Millar idem, porém ainda não voltou para os braços da divina concorrente.
Enquanto Morrison brincava com a Liga no presente com a série JLA, Waid com o auxílio de Brian Augustyn construía um excepcional passado para a equipe em “LJA: Ano Um”, que cobre o primeiro ano. Esta obra está merecendo um encadernado pela Panini Comics.
Além disso tudo, temos que entender que a própria série da Liga passava por uma extensa macro-trama que cobre todo o período de Grant Morrison à frente do título. Basicamente uma poderosa entidade estava a caminho da Terra para destruí-la, e a proximidade dela também alterava o comportamento dos personagens, ainda que em pequena escala, tornando-os um pouco mais violento. A solução da trama foi vista em “3ª Guerra Mundial”, publicado no Brasil pela Mythos.
Dito isto, temos também que entender que Morrison sempre teve um estilo que mistura os eventos e referências, fazendo tramas paralelas ocorrerem ao mesmo tempo, mesmo sem estarem legitimamente ligadas. Veja, por exemplo, o quê ele está fazendo em Crise Final e o quê fez em “7 Soldados”. Outros trabalhos dele que merecem atenção são “Homem-Animal”, “Patrulha do Destino”, “Os Invisíveis”, “Como matar seu namorado” e a já comentada fase à frente da série “New X-Men” durante quatro anos, além do excepcionalmente fundamental de tão brilhante e inteligente “Grandes Astros: Superman”, que a Panini publicou em 2007-2008 – que puxa-saquice!
Então, por fim, com arte de Howard Porter e finais de John Dell, em JLA # 28-31, publicado no Brasil em Superman Premium # 04 de janeiro de 2001 da Editora Abril acontece este amontoado de coisas abaixo descrito.
Triunfo, um herói que surgiu num dos realinhamentos temporais da editora – acho que em Zero Hora, mas são tantos que eu fico perdido – e se auto-proclama o fundador da equipe, está em decadência e durante uma venda de relíquias roubadas da sala de troféus, liberta um gênio da Quinta Dimensão na Terra.

Como Thunderbolt do Johnny Thunder está desaparecido, o inimigo natural do gênio não existe e ele começa a brincar com nossa realidade.

Mas Thunderbolt, traduzido a partir de agora como Raio, vai parar nas mãos de Jakeem Trovoada, que visitou o asilo onde Johnny Thunder estava internado e pegou a caneta onde o gênio é armazenada. Segundo a lenda os gênios ficam em resolver em um ambiente líquido como lâmpadas de óleo ou mesmo canetas. O garoto negro, com pequenos dreadlocks nos cabelos e levemente desbocado, tem dificuldades para aprender a controlar o gênio. Rainha Hipólita, a então Mulher Maravilha da DC Comics e que é membro da Sociedade da Justiça, explica que ele, o gênio, só executa comandos quando são verbalizados com detalhes específicos.
Triunfo, antes de liberar o gênio mau, recupera seus poderes e os amplia, e depois controla Cigana e Ray (o herói luminoso que vez por outra é chamado de Raio no Brasil, mas acho que para não confundirem Ray com Thunderbolt, que têm a mesma tradução, fizeram a distinção) para invadir a base lunar da Liga, a Torre de Vigilância. O herói decaído enfrenta parte da equipe, em especial Batman e Aço e é derrotado. Batman, por sinal, brinca com sua participação nos famosos encontros anuais entre as equipes.

Ao mesmo tempo há uma trama sobre o aprisionamento do Espectro vinculado a um mundo vivo que é resolvida nos intervalos das outras por Zauriel e Lanterna Verde Allan Scott. Lembre-se que em muitos dos encontros de Liga e Sociedade, o Espectro sempre foi um fator primordial para resolvê-los, assim, deixá-lo incapacitado logo no início da trama seria uma prova do tamanho da ameaça deste encontro.

Isto também provocaria o prólogo do maxi-mega-super-hiper evento de verão do ano na DC, o Dia do Julgamento, traduzido por aqui como O retorno do herói, onde Geoff Johns começa a longa trajetória que iria trazer de volta Hal Jordan, o maior dos Lanternas Verdes. Lembre-se que o realmente maxi-mega-super-hiper evento de verão de 2009 é exatamente com, o agora restaurado, Lanterna Verde Hal Jordan e se chama A noite mais densa, onde temos diversas tropas em ação no universo.
Além disso, como se não fosse confusão o suficiente para um encontro anual da equipes que sempre foram tramas óbvias, ainda há um outro gênio da Quinta Dimensão, Quisp, ligado às séries clássicas do Aquaman, que, notando a mudança radical do Rei dos Mares para um tom mais violento, também decidiu se modernizar. E ficar violento é claro!
Quisp estaria por trás de parte das manipulações, mas obviamente o leitor não vê claramente o quê Quisp manipulou e o quê a Quintessência manipulou.
Ou mesmo, se a Quintessência manipulou Quisp para assim fazer tudo.
A trama de Quisp se resolve com a ida do Capitão Marvel e Lanterna Verde Kyle Rayner à Quinta Dimensão, onde os gênios decidem prender Quisp – a Terra é um protetorado de Mxzptlk – e facilitar a fusão dos gênios rosa e azul em um novo Thunderbolt. As questões desta fusão foram esquecidas na série JSA (1999) que narra as histórias da nova Sociedade da Justiça e portanto as histórias com Jakeem e Thunderbolt.
No bojo só posso afirmar que em 1999 a reunião da Liga e Sociedade resolveu um conflito entre dois gênios da Quinta Dimensão!
E não me perguntem detalhes!
Vejam aqui todos os encontros da Liga e Sociedade, que juntos, me consumiram menos tempo para resenhar do que este aqui! E nem mesmo as esdrúxulas tramas envolvendo o Homem de Anti-Matéria, o Creator² ou mesmo o próprio Thunderbolt eram tão confusas assim.

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