Open top menu
terça-feira, 4 de março de 2014


Saladin Ahmed me fisgou no ano passado, quando conheci seu trabalho e não me arrependo de ter adquirido o pocket de 370 páginas em inglês. O livro é delicioso e habilmente escrito. Ahmed consegue criar o cenário e nos situar nas cinquenta páginas iniciais do romance: Adoulla Makhsllod é um sexagenário e cansado caçador de ghuls, que dois anos antes aceitou o dervixe Raseed bas Raseed como auxiliar – excelente na espada, mas fraco nos encantamentos e por demais pueril. No início do livro, uma ex-amante lhe envia o filho de uma sobrinha que casou com um homem humilde que trabalhava nos pântanos. A família foi massacrada por três ghuls e só o menino sobreviveu.

Adoulla imediatamente se interessa pelo fato, seja por sua missão divina como caçador de ghuls, seja pelo fato que somente um mago muito poderoso – e perigoso – poderia invocar ao mesmo tempo três criaturas. A partir daí, deixa a cidade de Dhamsawaat, junto com seu auxiliar para investigar o caso, não sem antes cruzar o caminho com Pharaad al Hammaz, o Príncipe Falcão, um arruaceiro que vende a imagem de Robin Hood, aproveitando-se da péssima administração do califa Jabbari akh-Khaddari. Adoulla, a contragosto de Raseed, facilita a fuga de al Hammaz, quando este liberta um jovem que estava para ser degolado por ter roubado, supostamente para aliviar a fome. Os Reinos da Lua Crescente (The Crescent Moon Kingdoms) sofrem com impostos altos e a crueldade do califa. Desta maneira o discurso do Falcão cai como uma luva e leva a população à desobediência civil, tornando-se popular e intencionalmente cimentando a base de uma futura revolução!


Criado o cenário, Ahmed parte para a aventura ainda que apresente logo na primeira sequência de enfrentamento aos ghuls mais um personagem, Zamia Banu Laith Badawi, uma garota capaz de se transmutar em leão e última sobrevivente de seu bando, assassinado pelos ghuls que denotam a habilidade de sugar não apenas a carne, mas também a alma e em seguida o casal Dawoud e Litaz, ele um mago e ela uma alquimista.

Enquanto o mistério se amplia, Adoulla tem que enfrentar ghuls variados (ossos, água, areia) e uma sombra chacal de um assassino de crianças do passado dos Reinos. Aparentemente o Anjo Traidor tem planos diversos para os Reinos e está enviando seus agentes.

* * *

Os personagens são bem desenvolvidos e suas motivações são claras e importantes para a definição de quem são e o quê farão, assim como seus conflitos. É essencialmente um livro que trata de honra e tradição, da importância de fazer o bem e entendendo que é o primeiro de uma trilogia é fácil imaginar que haverá novos ataques do Anjo Traidor, pois como em outras séries esta “fede” a morte e sacrifício.

Talvez o ponto fraco seja assim como em Tolkien não entender as motivações do inimigo: ele existe e está fazendo o caos, mas suas reais motivações não sabemos. Ainda assim o livro é interessante e importante por mostrar uma cultura bem diferente e valores não tão próximos aos nossos, ainda que as obrigações e o dever estejam lá.

Sou fã de primeira hora e acompanharei tudo que o autor fizer.

Throne of the Crescent Moon, Book one of The Crescent Moon Kingdoms, Saladin Ahmed, DAW Books (nº 1575), ISBN 978-0-7564-0778-0, first printing, janeiro de 2013.
Different Themes
Written by Lovely

Aenean quis feugiat elit. Quisque ultricies sollicitudin ante ut venenatis. Nulla dapibus placerat faucibus. Aenean quis leo non neque ultrices scelerisque. Nullam nec vulputate velit. Etiam fermentum turpis at magna tristique interdum.

0 comentários