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Throne of the Crescent Moon, Saladin Ahmed


Saladin Ahmed me fisgou no ano passado, quando conheci seu trabalho e não me arrependo de ter adquirido o pocket de 370 páginas em inglês. O livro é delicioso e habilmente escrito. Ahmed consegue criar o cenário e nos situar nas cinquenta páginas iniciais do romance: Adoulla Makhsllod é um sexagenário e cansado caçador de ghuls, que dois anos antes aceitou o dervixe Raseed bas Raseed como auxiliar – excelente na espada, mas fraco nos encantamentos e por demais pueril. No início do livro, uma ex-amante lhe envia o filho de uma sobrinha que casou com um homem humilde que trabalhava nos pântanos. A família foi massacrada por três ghuls e só o menino sobreviveu.

Adoulla imediatamente se interessa pelo fato, seja por sua missão divina como caçador de ghuls, seja pelo fato que somente um mago muito poderoso – e perigoso – poderia invocar ao mesmo tempo três criaturas. A partir daí, deixa a cidade de Dhamsawaat, junto com seu auxiliar para investigar o caso, não sem antes cruzar o caminho com Pharaad al Hammaz, o Príncipe Falcão, um arruaceiro que vende a imagem de Robin Hood, aproveitando-se da péssima administração do califa Jabbari akh-Khaddari. Adoulla, a contragosto de Raseed, facilita a fuga de al Hammaz, quando este liberta um jovem que estava para ser degolado por ter roubado, supostamente para aliviar a fome. Os Reinos da Lua Crescente (The Crescent Moon Kingdoms) sofrem com impostos altos e a crueldade do califa. Desta maneira o discurso do Falcão cai como uma luva e leva a população à desobediência civil, tornando-se popular e intencionalmente cimentando a base de uma futura revolução!


Criado o cenário, Ahmed parte para a aventura ainda que apresente logo na primeira sequência de enfrentamento aos ghuls mais um personagem, Zamia Banu Laith Badawi, uma garota capaz de se transmutar em leão e última sobrevivente de seu bando, assassinado pelos ghuls que denotam a habilidade de sugar não apenas a carne, mas também a alma e em seguida o casal Dawoud e Litaz, ele um mago e ela uma alquimista.

Enquanto o mistério se amplia, Adoulla tem que enfrentar ghuls variados (ossos, água, areia) e uma sombra chacal de um assassino de crianças do passado dos Reinos. Aparentemente o Anjo Traidor tem planos diversos para os Reinos e está enviando seus agentes.

* * *

Os personagens são bem desenvolvidos e suas motivações são claras e importantes para a definição de quem são e o quê farão, assim como seus conflitos. É essencialmente um livro que trata de honra e tradição, da importância de fazer o bem e entendendo que é o primeiro de uma trilogia é fácil imaginar que haverá novos ataques do Anjo Traidor, pois como em outras séries esta “fede” a morte e sacrifício.

Talvez o ponto fraco seja assim como em Tolkien não entender as motivações do inimigo: ele existe e está fazendo o caos, mas suas reais motivações não sabemos. Ainda assim o livro é interessante e importante por mostrar uma cultura bem diferente e valores não tão próximos aos nossos, ainda que as obrigações e o dever estejam lá.

Sou fã de primeira hora e acompanharei tudo que o autor fizer.

Throne of the Crescent Moon, Book one of The Crescent Moon Kingdoms, Saladin Ahmed, DAW Books (nº 1575), ISBN 978-0-7564-0778-0, first printing, janeiro de 2013.

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