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A Liga da Justiça nos últimos meses

É muito chato sentar para escrever que a equipe que você mais aprecia vive uma fase ruim.

Mas é só isto as edições de Justice League of America volume 2.

Reiniciado por Brad Meltzer, que ficou apenas um ano, a equipe foi para as mãos de Dwayne McDuffie.

McDuffie é competente sim! Há provas! Mas as melhores são as séries de TV Liga da Justiça e Liga da Justiça Sem Limites, onde ele trabalhou em várias oportunidades. Os episódios escritos e/ou dirigidos por ele são bons.

Nos quadrinhos ele e uma trupe de artistas negros criaram a Milestone Media, uma empresa com vários ramos de ação e cujo braço de quadrinhos era publicado pela DC Comics, num selo chamado “Milestone”. Os personagens aparentemente pertencem à DC Comics, visto a permanência deles nos quadrinhos atuais da editora.

No Brasil a Milestone teve uma série curta pela Magnum Force (uma ou duas edições com Hardware e Ícone) e um cross-over com o Superboy e Superman em Quando Mundos Colidem! (veja aqui).

Além destes materiais nunca li histórias escritas por McDuffie, mas sei que ele foi contratado por escrever a série mensal da Liga da Justiça exatamente por causa da excelência em Liga da Justiça Sem Limites.

No entanto as histórias são ruins e não chegam a lugar algum.

É recorrente na indústria que Dan Diddio, editor da DC Comics teria feito modificações no texto de McDuffie, assim como este havia aceitado em função de um possível resgate dos personagens do selo/universo Milestone.

O fato é que a Liga da Justiça, o melhor grupo de heróis icônicos das editoras em quadrinhos, sempre vive fases de excelência perdidas em um lamaçal sem fim de falta de qualidade.

De 1.980 para cá é possível ver núcleos de qualidade como a fase de Gerry Conway/George Pérez; o primeiro ano de produção da fase JM DeMatteis/Keith Giffen/Kevin Maguire; a fase Dan Jurgens (ainda que tenha várias histórias ruins); o primeiro ano de produção de Grant Morrison/Howard Porter e grande parte do segundo; várias histórias de Mark Waid/Bryan Hitch e até o encontro Liga/Sociedade mais atual (aqui).

Mas veja que no parágrafo anterior eu resumi 30 (Trinta! Trinta!) anos de cronologia de uma série em quadrinhos com 6 fases que certamente não dariam mais do que 75 histórias (6 fases x 12 edições = 72 edições).

Fãs vão citar outras fases como a do Joe Kelly, as fases rotativas no final da série JLA e outras. Entendo. Ainda assim são poucas. 30 anos são 360 revistas mensais (sem contar que a equipe teve várias séries secundárias, minisséries, edições especiais, revistas trimestrais entre outros). Se você conseguir chegar a ⅓ de qualidade ainda teremos ⅔ de material inferior.

Veja por exemplo a fase cômica (aqui). Com um início de excelência o material perdeu qualidade e se tornou tolo, bobo, um painel apenas para as diabruras de Besouro Azul e Gladiador Dourado. Divertia, mas não era suficiente como alimento intelectual para os leitores que queriam batalhas épicas.

Certamente você responderá que o leitor que comprava este material não queria batalhas épicas. Concordo, mas as piadas perdiam a graça, os desenhistas eram grosseiros e com pouca habilidade e os personagens coadjuvantes como o Major Glória eram lamentáveis.

Keith Giffen até tentou restaurar em alguns arcos a seriedade da coisa (aqui). Mas a exploração a que a indústria submete seus produtos é tão intensa que o arco ficou perdido no mar de bobagens que foi a fase cômica.

É assim no presente, a cada mês você espera que se resolvam as tramas já iniciadas e que finalmente a série entre nos eixos.

Como a Panini Comics já anunciou que a edição nº 89 terá quatro histórias da Liga da Justiça, se espera que publiquem de uma vez só o resto da fase de McDuffie e anunciem para o mês seguinte (o da reformulação) o início da fase de James Robinson/Mark Bagley, superior, mas ligada demais ao arco “A noite mais densa” para ser definitivo numa crítica.

Ainda assim, uma série paralela, escrita pelo Robinson já está sendo eleita por muitos como um dos piores materiais da década, exatamente ele que é endeusado por ter escrito Starman. Novamente as denúncias falam nas modificações introduzidas no texto por... Dan Diddio!

Após a conclusão de “A noite mais densa”, terá Robinson que tratar no título principal as modificações profundas que foi obrigado a fazer na série secundária, já encerrada.

Uma pena que uma grande editora faça isto com uma série tão promissora e tão presente no imaginário popular.

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