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Crise Final 3: Mais conceitos de Jack Kirby

Jack Kirby foi um criador que muito re-utilizava seus conceitos.

Começou nos primórdios dos quadrinhos e criou um personagem base da Timely, o Capitão América, e ao trabalhar para a DC Comics nos anos 1950 criou “Os desafiadores do desconhecido”, que seria a base de sua criação maior para a empresa rival “O Quarteto Fantástico”.

De repetição em repetição – ou de reciclagem em reciclagem – Kirby criou o conceito do “Quarto Mundo”, que nas primeiras páginas de New Gods # 01 faz referências nada sutis ao Ragnarok, deixando claro que estava falando da série The Mighty Thor que havia co-escrito e desenhada até meses antes. Anos depois Kirby reciclaria o conceito de “New Gods” em “The Eternals”, mas isto é outra história.

Apesar de contratado a peso de ouro Kirby não conseguiu prender a atenção em seu Quarto Mundo original. As séries “New Gods”, “Mr. Miracle”, “Forever People” centrais para a trama com a periférica “Superman Pal’s Jimmy Olsen”, foram canceladas. Ao longo das décadas retornaram nas mãos de vários criadores, inclusive de seu assistente Mark Evanier (Groo, roteiros da série de TV Garfield).

Em 1.985 Kirby relançou a série “New Gods” agora com os onze números originais e um décimo segundo que só servia para matar Orion e fazer prelúdio à “Hunger Dogs” uma graphic novel que concluiria a trama.

Nesta graphic há uma revolta em Apokolips e o regente, o maligno Darkseid, bastante popular então por causa da série “A saga das Trevas Eternas” da Legião dos Super-Heróis e da série animada do Super-amigos, onde é vilão, tem que enfrentar as conseqüências de uma revolução em seu mundo caótico. Apesar de supostamente tão importante, tudo que “Hunger Dogs” conseguiu foi virar nota de rodapé em “Lendas” (1986).

Desde a reconstrução do Universo DC, Darkseid foi um personagem presente. Foi vilão de Lendas e Gênese, além que ter várias histórias manipulando alguns heróis, seja sutilmente (o primeiro encontro do Superman & Mulher Maravilha, Guerra dos Deuses), seja como vilão principal (LJA – A pedra da eternidade).

Nos anos 1.990, John Byrne, ainda com mão boa, escreveu bons períodos em “New Gods” e depois em “Jack Kirby’s Fourth World” – o material de New Gods e o início de Fourth World foi publicado por aqui em DC Millennium da Brainstore.

Byrne chegou a declarar nesta época que mesmo que Kirby ressuscitasse e voltasse a escrever os títulos a idéia não sairia do lugar.

Walt Simonson, amigo de Byrne, foi o próximo a usar os conceitos em “Orion”, o quê rendeu comparações ao trabalho do artista em Thor.

O próximo artista a trabalhar com os Novos Deuses seria Jim Starlin, já na tola “A morte do Novos Deuses” e Paul Dini em “Contagem Regressiva”, ambas precursoras de Crise Final sem relevância alguma.

Ao longo de tantas séries o fato mais relevante é que Darkseid, um deus maligno de uma dimensão chamada “Quarto Mundo” – os planetas gêmeos Nova Gênese e Apokolips são destroços de um planeta chamado “Terceiro Mundo” – está à procura de uma fórmula especial chamada “equação antivida”.

Esta fórmula foi liberada na Terra ao final da edição 3 de Crise Final contaminando alguns heróis. Na próxima edição haverá um confronto entre os heróis convertidos e os não convertidos pela equação.

Até o momento Crise Final apresenta pouco do conceito de múltiplas Terras e dimensões, tão comum às crises da editora, e muito da tentativa de por um ponto final na “Saga do Quarto Mundo”.

Comparada ao evento arrasa-quarteirão da Marvel do momento “Invasão Secreta”, convence mais e apresenta um melhor uso das páginas, dos personagens e da trama.

Mas é indicado apenas para fãs... de Grant Morrison!

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