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Livro do mês: Os filhos de Anansi

Antes de começar duas coisas. A primeira é que é dupla versa sobre ser pobre e morar no interior. Sei de “Os filhos de Anansi” desde quando Gaiman estava escrevendo e por isso reli “Deuses Americanos” no inverno de 2.004 (havia lido-o originalmente no inverno de 2.002, e se não fosse Landa teria lido-o novamente no terrível inverno de 2.009). No interior as coisas demoram a chegar. Aqui não tem livraria, não tem cinema. Quando vamos a BH achamos que é um outro mundo, outro universo. Tem de tudo.

Bem a internet facilita muito, mas não tudo se não houver dinheiro. Então desde o lançamento do livro eu estava economizando e definindo prioridades. Então finalmente comprei-o.

A segunda é sobre Gaiman. Daqui a cinqüenta anos quando houver já há algum tempo ele estiver dormindo no Senhor, alguns dirão que ele foi o melhor escritor de uma geração. Outros dirão que ele deveria ter escrito menos livros infantis (Coralina, Eu troquei meu papai por um peixinho dourado, Lobos atrás das paredes e o recém lançado The Graveyard Book) e mais livros adultos. Mas todos dirão que infantis ou adultos, seus livros são bons. Outros também dirão que ele deveria ter escrito mais quadrinhos, e que Miracleman, Orquídea Negra e Sandman não foram suficientes, e que 1602 foi desnecessário. Eu desde já digo que assim como o Dictionary of Literary Biography ele é um dos maiores escritores vivos, mesmo que escreva bula de remédios!

Bem vamos ao livro. Os filhos de Anansi de Neil Gaiman (Conrad Editora do Brasil, 2006) dá seqüência ao universo ficcional apresentado em “Deuses Americanos” sem maiores compromissos: apenas um personagem, o deus-brincalhão, Anansi, faz parte de ambos as tramas. De resto só mesmo a sensação de que diálogos com deuses, bruxas ancestrais e espíritos desencarnados realmente ficam muito reais quando Gaiman escreve.

A trama é sobre Fat Charlie, filho de Anansi, que após a morte do pai, descobre que o velho é um deus e que tem um irmão. Isso por si só já o coloca em uma série de situações bem especiais. Mas Charlie não tem apreço por seu irmão e deseja se ver livre dele. Isso sim, os coloca (e às suas namoradas) em uma vertiginosa e sucessiva cadeia de eventos muito interessantes.

Ao contrário de “Deuses Americanos” que poderia ser definido com o vago epíteto de “thriller psicológico contemporâneo”, “Os filhos de Anansi” pode ser descrito como “uma comédia familiar” e há prazer na leitura de ambos, ainda que você passe quase todas as páginas deste, rindo ou achando graça do azar de Fat Charlie.

Por sinal você já pensou em nome mais adequado para cachorro “de pista” do que Campbell’s Macinrory Arbuthnor VII? Talvez Anansi lhe sugira Pateta...

Imperdível! Compre! Mas não demore tanto quanto eu!

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