Pular para o conteúdo principal

Review: O livro do cemitério

De tempos em tempos surge alguma coisa que beira a poesia, ainda que esteja um pouco longe. O livro do cemitério (The graveyard book, 2008) de Neil Gaiman é assim. O romance é um livro infantil e cumpre facilmente o quê qualquer um dos livros da série Harry Porter tenta e nem sempre consegue – bem, talvez os três primeiros, quando ainda era uma série infantil – que é divertir, emocionar, criar uma história com lição para as crianças. Por ter esta moral sua leve como uma fábula.

No livro, um bebê sobrevive ao massacre da família e é adotado pelo casal Owens, um casal de fantasmas do cemitério próximo à sua residência, tendo como guardião o misterioso Silas. Na narrativa, curta, temos as experiências de vida de Ninguém Owens – o nome que o garoto recebe – e seu crescimento. Destoa um pouco o capítulo final onde temos o verdadeiro objetivo do “homem chamado Jack”, o assassino, e a perseguição final ao garoto Owens, mas certamente é um grande livro e poderia facilmente estabelecer uma nova mitologia.

Há uma leveza no aceitar a existência de fantasmas, ghouls, sabujos de Deus e anjos que só pode ter equivalente em outro livro de Gaiman Os deuses americanos (2001), com suas passagens com diálogos com deuses, semi-deuses e mortos-vivos. Tudo soa estranhamente natural.

Vale a pena.

-----
post scriptum: Acho que Gaiman irá fazer escola ao chamar licantropos de “os sabujos de Deus”, mesmo que a ideia por si só não seja verdadeiramente inédita, já que temos o RPG da White Wolf Lobisomem: o apocalipse, onde os licantropos não deixam de ser “enviados de Gaia”.

Postagens mais visitadas deste blog

EaD: Como estudar sozinho em casa

Lost – A sexta temporada: Um resumo bem pessoal de Lost, até o episódio 9 da sexta temporada.

Existe uma ilha com propriedades magnéticas e místicas. Magnéticas por que há um contador da energia que se acumula na ilha. E místicas por que ela possui um mecanismo que pode ser utilizado para alterar sua posição no tempo e espaço.

Dois seres habitam esta ilha. Um deles, Jacob, está impedindo que o outro, ainda sem nome, saia.

Jacob pode sair da ilha e pode atrair pessoas para lá.

A função de Jacob é impedir que o outro saia da ilha. O segundo deseja matar Jacob para poder sair.

Este segundo pode se tornar uma fumaça escura que agrupada pode se tornar pessoas – geralmente entes queridos mortos – ou ser usada para destruição. Durante muitos anos, nós expectadores, achávamos que era nano-tecnologia que tem conceito semelhante.

Em 1.867 um navio chega a ilha trazendo Ricardo que se tornará agente externo de Jacob. Ricardo se torna imortal graças aos poderes de Jacob.

Um núcleo de pessoas sempre habitou a ilha. Possivelmente atraídos por Jacob. Sempre.

Após enterrar uma bomba de hidrogên…

Os Vingadores vs O Esquadrão Supremo

(Ou Como as histórias não são realmente como nos lembramos)
Não tenho nenhum entusiasmo pelos encontros entre Os Vingadores e Esquadrão Supremo. Nenhum! Ao contrário acho histórias imbecis, mas talvez seja um ranço contra Roy Thomas. Explico: na infância eu odiava os Vingadores de Thomas e por extensão o próprio, mas gostava muito da arte de Conan (Buscema & Zuñiga) ou qualquer coisa feita por Neal Adams como a Guerra Kree-Skrull ou X-Men.

Já adulto um amigo disse que o sujeito era bom e eu fui reler as histórias: não eram tão ruins quanto a lembrança. Inclusive conheci e comprei os setenta números de All-Star Squadron que eram do próprio.
Por fim, descobri que metade daquilo que eu não gostava em Thomas na verdade não era dele... era do Englehart, um sujeito também superestimado pela indústria, que só acertou uma vez: em Batman!
Vencido o preconceito contra o escritor, veio o problema da maturidade: as histórias dos anos 1960 só funcionam lá, especialmente as de super-grupos co…