Pular para o conteúdo principal

Fúria Vermelha (Red Rising)


[Trama]
Darrow, um jovem da classe operária – os vermelhos -- que trabalha para transformar Marte em habitável, descobre ser impossível ter acesso a recompensas mesmo com a produção adequada. Em seguida descobre que a semi-escravidão de sua "raça" é baseado em uma mentira: Marte já é habitável, mas somente as castas nobres tem acesso a estas áreas.

Por ter desafiado as classes superiores – os ouros – ele e a esposa são executados, mas em seu caso é parte de um elaborado plano para reconstruí-lo geneticamente e inserí-lo em uma escola exclusiva para os ouros, depois de fornecer um passado falso. Lá ele, além de conseguir boas notas, deverá se ligar a algum áurico de riqueza e prestígio incontestável de modo a que este lhe forneça as condições para continuar uma ascensão social e militar e em algum momento vingar-se.

[Opinião]
Mais um trilogia distópica com jovens que será adaptada em breve para o cinema, Fúria Vermelha é um clichê após o outro. Lembra, por demais, as escolas de magia de Harry Porter e a luta dos jovens de Jogos Vorazes. Pelo tema lembra outras obras importantes da ficção científica como Gateway, AdmirávelMundo Novo e até mesmo 1984, mas não espere nenhuma complicação.

A motivação de Darrow é fraca e todo o resto tediosamente previsível. Ele aceita ser parte do plano de Dancer por sentir a dor da perda da esposa e sentir-se traído. Acredita que ao terraformar Marte estava garantindo a sobrevivência da humanidade, uma ideia que foi imbutida na sua classe social. Ao descobrir que é uma mentira, crê que sua existência foi uma mentira.

Ao se infiltrar é previsível os momentos em que ele percebe que nem todos os ouros são maus e que foram "apenas criados daquela maneira", assim como os momentos em que se afeiçoa a alguns deles. Diálogos que remetem ao fato de que em algum momento no futuro terá que traí-los, ajudam o leitor a lembrar que já viu uma dúzia de filmes e livros semelhantes.

Se há algo de bom a ser dito em favor do livro prefiro me concentrar na ousadia da Globo Livros em lançar um livro recente – foi publicado nos EUA em janeiro de 2014 e a edição nacional é de outubro/novembro do mesmo ano. Uma editora nacional investir em literatura de ficção recente é bom, pena que seja motivado por uma futura adaptação para cinema, que em caso de sucesso, fará a série vender bem.

Fúria Vermelha (Trilogia Red Rising, livro 1), Pierce Brown, tradução de Alexandre D'Elia, Globo Livros, 2014. ISBN 978-85-250-5822-5.

Postagens mais visitadas deste blog

EaD: Como estudar sozinho em casa

Lost – A sexta temporada: Um resumo bem pessoal de Lost, até o episódio 9 da sexta temporada.

Existe uma ilha com propriedades magnéticas e místicas. Magnéticas por que há um contador da energia que se acumula na ilha. E místicas por que ela possui um mecanismo que pode ser utilizado para alterar sua posição no tempo e espaço.

Dois seres habitam esta ilha. Um deles, Jacob, está impedindo que o outro, ainda sem nome, saia.

Jacob pode sair da ilha e pode atrair pessoas para lá.

A função de Jacob é impedir que o outro saia da ilha. O segundo deseja matar Jacob para poder sair.

Este segundo pode se tornar uma fumaça escura que agrupada pode se tornar pessoas – geralmente entes queridos mortos – ou ser usada para destruição. Durante muitos anos, nós expectadores, achávamos que era nano-tecnologia que tem conceito semelhante.

Em 1.867 um navio chega a ilha trazendo Ricardo que se tornará agente externo de Jacob. Ricardo se torna imortal graças aos poderes de Jacob.

Um núcleo de pessoas sempre habitou a ilha. Possivelmente atraídos por Jacob. Sempre.

Após enterrar uma bomba de hidrogên…

Os Vingadores vs O Esquadrão Supremo

(Ou Como as histórias não são realmente como nos lembramos)
Não tenho nenhum entusiasmo pelos encontros entre Os Vingadores e Esquadrão Supremo. Nenhum! Ao contrário acho histórias imbecis, mas talvez seja um ranço contra Roy Thomas. Explico: na infância eu odiava os Vingadores de Thomas e por extensão o próprio, mas gostava muito da arte de Conan (Buscema & Zuñiga) ou qualquer coisa feita por Neal Adams como a Guerra Kree-Skrull ou X-Men.

Já adulto um amigo disse que o sujeito era bom e eu fui reler as histórias: não eram tão ruins quanto a lembrança. Inclusive conheci e comprei os setenta números de All-Star Squadron que eram do próprio.
Por fim, descobri que metade daquilo que eu não gostava em Thomas na verdade não era dele... era do Englehart, um sujeito também superestimado pela indústria, que só acertou uma vez: em Batman!
Vencido o preconceito contra o escritor, veio o problema da maturidade: as histórias dos anos 1960 só funcionam lá, especialmente as de super-grupos co…