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segunda-feira, 17 de março de 2014
Doctor Who [Arco 078]: Genesis of the Daleks

Continuando o ciclo de viagens do Doctor e seus companheiros Sarah e Harry Sullivan, o lorde do tempo é capturado pelo seu próprio povo e enviado para o passado no momento em que os perigosos Daleks foram criados, para impedir a criação ou tomar posse de alguma informação que se transforme em uma carta na manga contra os vilões.

[Localização no Continuum]
Genesis of the Daleks é O 78º arco da série de TV britânica Doctor Who, exibida pela BBC. É o quarto arco da 12º temporada. É composto de seis episódios com 25 minutos em média e foi exibido de 8/3/1975 a 12/4/1975.

[Trama]
Escrito por Terry Nation (criador dos Daleks) este arco consegue surpreender quando o Doutor e seus companheiros são enviados para o passado para impedirem a criação dos Daleks, o quê evidentemente torna-se um dos maiores fracassos do Doutor, usando como desculpa o respeito à cronologia dos fatos: a existência dos Daleks permitiu que dezenas de raças se aliassem e compartilhassem conhecimento para enfrentar os monstros. Não teria ele o direito de alterar este fato e criar uma realidade.

Enviado para o passado de Skaro onde o Doutor, Sarah e Harry deparam-se com duas raças (os Thals e os Kaleds) em guerra que exauriu seus recursos e agora estão retornando a armas mais simples, estando à beira da “guerra com paus e pedras” - uma excelente desculpa para não usar recursos com a construção de armas futuristas. De um modo geral o visual é bastante influenciado pelo nazi fascismo.

Logo a tensão do arco fica por conta de Davros, um cientista que conduziu experiências genéticas que ultrapassam o limite da moralidade e criou criaturas deformadas e contidas em uma carapaça de metal às quais chamou de Daleks. Durante o próprio arco Davros continua o processo de manipulação para extinguir completamente todo e qualquer vestígio de moral dessas criaturas.

O arco que é longo trata dos encontros e desencontros do Doutor e seus companheiros – separados no início, criando a certeza de que certamente o Doutor não retornaria ao futuro sem seus amigos – e a perda do “anel do tempo” um dispositivo fornecido pelos Time Lords para que a trupe retornasse após cumprida a missão. No meio do caminho os Mutos uma raça que vive exilada das cidades e já apresentava deformidades por contato com dispositivos químicos manuseados enquanto abasteciam um míssil – algo que faz novamente a série lembrar Planeta dos Macacos.

Em um lance inteligente, Davros percebendo que seus cientistas e militares não o seguiriam cegamente, cede segredos que permitem a superioridade dos Thals sobre os Kaleds, destruindo a cidade e reduzindo-os a uns poucos sobreviventes em um bunker.

Esta tensão sobre a fidelidade, somada aos desencontros e a perda do anel ampliam o arco, mas sem oferecer muita trama adicional. Davros morre – assim como eventualmente todos no bunker – assassinado pelas próprias criações que sobrevivem e acreditam serem a raça superior e que dominará o universo – tema caro ao nazi fascismo – mas ficam presos nos escombros do bunker.

Com isso o Doutor crê que atrasou o desenvolvimento dos vilões séculos. A questão mais presente na série é a hipótese de matar Hitler na infância, em função dos crimes que hipoteticamente aquela criança fará na idade adulta. Haveria espaço para isso com tais criaturas?

Genesis of the Daleks é considerado um dos melhores arcos da série. Teve versão em livro e áudio (lançado originalmente em LP) e em 2.006 foi restaurado para o formato de DVD.

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Genesis of the Daleks


 
 

 
 


 
 
 

 
 
 
 


 
 
 
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segunda-feira, 10 de março de 2014
Doctor Who [Arco 077]: The Sontaran Experiment


O terceiro arco da 12ª temporada de Doctor Who é uma continuação direta do arco anterior. Naquele o Doutor, Sarah e Harry Sullivan visitam uma arca espacial em torno da Terra enquanto o planeta se recuperava. Neste eles vão até a superfície do planeta recuperada para surpreendentemente encontrar uma comunidade humana – a Terra era tida como inabitada – e alienígenas que estão fazendo experimentos para descobrir o risco que terráqueos oferecem à sua raça.

[Localização no Continuum]
The Sontaram Experiment é o 77º arco da série de TV britânica Doctor Who, exibida pela BBC. É o terceiro arco da 12º temporada. É composto de 2 episódios com 25 minutos em média e foi exibido de 22/02/1975 a 1/3/1975.

[Trama]
Ao vir para a superfície da recém-reconstruída Terra o Doutor, Sarah e Harry se deparam com um grupo de astronautas que fogem dos sontarianos (sontaran, no original) e de suas máquinas, que visam colher dados para uma futura invasão da Terra. A moralidade, no entanto, é sempre posta em cheque, já que o líder dos astronautas tem um acordo com um sontariano.

Após um conflito inicial com os astronautas o trio os auxilia, ainda que não seja oferecida nenhuma informação adicional sobre a existência destes. Em alguns momentos nota-se a questão de um sotaque diferente, abrindo espaço para imaginar que os astronautas sejam russos ou descendentes. Lembrar que a estação espacial Nerva, do arco anterior, ficou um tempo indeterminado no espaço e que há colônias humanas espalhadas ou perdidas no espaço ajuda a entender a macrotrama que os autores tentavam criar sobre o futuro da humanidade e a recuperação da Terra.

Em alguns momentos os efeitos, a maquiagem e a trama (um alienígenas prendendo e torturando astronautas mal vestidos) remete facilmente à Planeta dos Macacos e as situações encontradas na cinessérie.

Com a situação resolvida o trio acredita retornar para a estação Nerva, mas...

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The Sontaran Experiment











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sábado, 8 de março de 2014
Star Trek: TNG Yesterday's Enterprise e viagens no tempo criativas


Esta semana estava checando um serviço de streaming de séries de TV e filmes e observei que Star Trek: The next generation (Jornadas nas Estrelas, a nova geração) estava disponível entre as séries, sendo uma aquisição recente do serviço.

Disposto a testar o serviço, mais do que realmente a assistir a um episódio escolhi aleatoriamente o episódio Yesterday's Enterprise (3x15) exibido originalmente em 1.990 – 24 anos atrás, portanto.

Que acerto! Que sorte!

Apesar de eu não gostar da facilidade com que a Tenente Tasha Yar se apaixona, o episódio desenvolve bem a ideia de viagem no tempo e consequências desta.

Na trama uma brecha no espaço tempo leva a Enterprise-C para o futuro, ou seja, o presente da série, onde já temos a Enterprise-D comandada por Jean-Luc Piccard. O simples ato de a Enterprise do passado atravessar o portal altera a estrutura do espaço-tempo. Agora temos uma Enterprise-D mais bélica e uma Federação em guerra com o Império Klingon.

A ausência da nave no passado alterou um evento, que criou uma realidade alternativa. Nesta a Federação está a seis meses da derrota e nela o Tenente Worf – um klingon – não está na tripulação da nau capitania e a Tenente Yar, morta na primeira temporada da série, continua em seu posto.

A beleza do episódio está no fato de que a mudança de realidade é feita sem firulas. A Enterprise-C atravessa o portal, há um close em Piccard e nota-se alterações visuais significativas, ainda que nada muito gritante. Quando a situação se resolve e a realidade se corrige também não há firulas.
Quem me dera que nos quadrinhos fosse assim rápido e direto. Lá, por mais que a realidade se corrija sempre há um retorno, um personagem deslocado, uma nova série limitada, uma nova série mensal, um revival 10 anos depois para os saudosistas, um revival 20 anos depois para o resto dos saudosistas. Tudo é explorado até a última gota de criatividade e além.

Se você quiser ver uma trama rápida e saudável com o uso correto de viagem no tempo procure por este episódio.
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terça-feira, 4 de março de 2014
Throne of the Crescent Moon, Saladin Ahmed


Saladin Ahmed me fisgou no ano passado, quando conheci seu trabalho e não me arrependo de ter adquirido o pocket de 370 páginas em inglês. O livro é delicioso e habilmente escrito. Ahmed consegue criar o cenário e nos situar nas cinquenta páginas iniciais do romance: Adoulla Makhsllod é um sexagenário e cansado caçador de ghuls, que dois anos antes aceitou o dervixe Raseed bas Raseed como auxiliar – excelente na espada, mas fraco nos encantamentos e por demais pueril. No início do livro, uma ex-amante lhe envia o filho de uma sobrinha que casou com um homem humilde que trabalhava nos pântanos. A família foi massacrada por três ghuls e só o menino sobreviveu.

Adoulla imediatamente se interessa pelo fato, seja por sua missão divina como caçador de ghuls, seja pelo fato que somente um mago muito poderoso – e perigoso – poderia invocar ao mesmo tempo três criaturas. A partir daí, deixa a cidade de Dhamsawaat, junto com seu auxiliar para investigar o caso, não sem antes cruzar o caminho com Pharaad al Hammaz, o Príncipe Falcão, um arruaceiro que vende a imagem de Robin Hood, aproveitando-se da péssima administração do califa Jabbari akh-Khaddari. Adoulla, a contragosto de Raseed, facilita a fuga de al Hammaz, quando este liberta um jovem que estava para ser degolado por ter roubado, supostamente para aliviar a fome. Os Reinos da Lua Crescente (The Crescent Moon Kingdoms) sofrem com impostos altos e a crueldade do califa. Desta maneira o discurso do Falcão cai como uma luva e leva a população à desobediência civil, tornando-se popular e intencionalmente cimentando a base de uma futura revolução!


Criado o cenário, Ahmed parte para a aventura ainda que apresente logo na primeira sequência de enfrentamento aos ghuls mais um personagem, Zamia Banu Laith Badawi, uma garota capaz de se transmutar em leão e última sobrevivente de seu bando, assassinado pelos ghuls que denotam a habilidade de sugar não apenas a carne, mas também a alma e em seguida o casal Dawoud e Litaz, ele um mago e ela uma alquimista.

Enquanto o mistério se amplia, Adoulla tem que enfrentar ghuls variados (ossos, água, areia) e uma sombra chacal de um assassino de crianças do passado dos Reinos. Aparentemente o Anjo Traidor tem planos diversos para os Reinos e está enviando seus agentes.

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Os personagens são bem desenvolvidos e suas motivações são claras e importantes para a definição de quem são e o quê farão, assim como seus conflitos. É essencialmente um livro que trata de honra e tradição, da importância de fazer o bem e entendendo que é o primeiro de uma trilogia é fácil imaginar que haverá novos ataques do Anjo Traidor, pois como em outras séries esta “fede” a morte e sacrifício.

Talvez o ponto fraco seja assim como em Tolkien não entender as motivações do inimigo: ele existe e está fazendo o caos, mas suas reais motivações não sabemos. Ainda assim o livro é interessante e importante por mostrar uma cultura bem diferente e valores não tão próximos aos nossos, ainda que as obrigações e o dever estejam lá.

Sou fã de primeira hora e acompanharei tudo que o autor fizer.

Throne of the Crescent Moon, Book one of The Crescent Moon Kingdoms, Saladin Ahmed, DAW Books (nº 1575), ISBN 978-0-7564-0778-0, first printing, janeiro de 2013.
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