Doctor Who [Arco 078]: Genesis of the Daleks
Continuando
o ciclo de viagens do Doctor e seus companheiros Sarah
e Harry Sullivan, o lorde do tempo é capturado pelo seu
próprio povo e enviado para o passado no momento em que os perigosos
Daleks foram criados, para impedir a criação ou tomar posse
de alguma informação que se transforme em uma carta na manga contra
os vilões.
[Localização
no Continuum]
Genesis
of the Daleks é
O 78º arco da série de TV britânica Doctor Who,
exibida pela BBC. É o quarto arco da 12º temporada. É
composto de seis episódios com 25 minutos em média e foi exibido de
8/3/1975 a 12/4/1975.
[Trama]
Escrito
por Terry Nation (criador dos Daleks) este arco consegue
surpreender quando o Doutor e seus companheiros são enviados para o
passado para impedirem a criação dos Daleks, o quê evidentemente
torna-se um dos maiores fracassos do Doutor, usando como desculpa o
respeito à cronologia dos fatos: a existência dos Daleks permitiu
que dezenas de raças se aliassem e compartilhassem conhecimento para
enfrentar os monstros. Não teria ele o direito de alterar este fato
e criar uma realidade.
Enviado
para o passado de Skaro onde o Doutor, Sarah e Harry deparam-se com
duas raças (os Thals e os Kaleds) em guerra que exauriu seus
recursos e agora estão retornando a armas mais simples, estando à
beira da “guerra com paus e pedras” - uma excelente desculpa para
não usar recursos com a construção de armas futuristas. De um modo
geral o visual é bastante influenciado pelo nazi fascismo.
Logo
a tensão do arco fica por conta de Davros, um cientista que
conduziu experiências genéticas que ultrapassam o limite da
moralidade e criou criaturas deformadas e contidas em uma carapaça
de metal às quais chamou de Daleks. Durante o próprio arco Davros
continua o processo de manipulação para extinguir completamente
todo e qualquer vestígio de moral dessas criaturas.
O
arco que é longo trata dos encontros e desencontros do Doutor e seus
companheiros – separados no início, criando a certeza de que
certamente o Doutor não retornaria ao futuro sem seus amigos – e a
perda do “anel do tempo” um dispositivo fornecido pelos Time
Lords para que a trupe retornasse após cumprida a missão. No
meio do caminho os Mutos uma raça que vive exilada das
cidades e já apresentava deformidades por contato com dispositivos
químicos manuseados enquanto abasteciam um míssil – algo que faz
novamente a série lembrar Planeta dos Macacos.
Em
um lance inteligente, Davros percebendo que seus cientistas e
militares não o seguiriam cegamente, cede segredos que permitem a
superioridade dos Thals sobre os Kaleds, destruindo a cidade e
reduzindo-os a uns poucos sobreviventes em um bunker.
Esta
tensão sobre a fidelidade, somada aos desencontros e a perda do anel
ampliam o arco, mas sem oferecer muita trama adicional. Davros morre
– assim como eventualmente todos no bunker – assassinado pelas
próprias criações que sobrevivem e acreditam serem a raça
superior e que dominará o universo – tema caro ao nazi fascismo –
mas ficam presos nos escombros do bunker.
Com
isso o Doutor crê que atrasou o desenvolvimento dos vilões séculos.
A questão mais presente na série é a hipótese de matar Hitler na
infância, em função dos crimes que hipoteticamente aquela criança
fará na idade adulta. Haveria espaço para isso com tais criaturas?
Genesis
of the Daleks é considerado um dos melhores arcos da série. Teve
versão em livro e áudio (lançado originalmente em LP) e em 2.006
foi restaurado para o formato de DVD.
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Genesis
of the Daleks
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Doctor Who [Arco 077]: The Sontaran Experiment
O
terceiro arco da 12ª temporada de Doctor Who é
uma continuação direta do arco anterior. Naquele o Doutor,
Sarah e Harry Sullivan visitam uma arca espacial em
torno da Terra enquanto o planeta se recuperava. Neste eles vão até
a superfície do planeta recuperada para surpreendentemente encontrar
uma comunidade humana – a Terra era tida como inabitada – e
alienígenas que estão fazendo experimentos para descobrir o risco
que terráqueos oferecem à sua raça.
[Localização
no Continuum]
The
Sontaram Experiment é o 77º arco da série de TV britânica
Doctor Who, exibida pela BBC. É o terceiro arco da 12º
temporada. É composto de 2 episódios com 25 minutos em média e
foi exibido de 22/02/1975 a 1/3/1975.
[Trama]
Ao
vir para a superfície da recém-reconstruída Terra o Doutor, Sarah
e Harry se deparam com um grupo de astronautas que fogem dos
sontarianos (sontaran, no original) e de suas máquinas, que
visam colher dados para uma futura invasão da Terra. A moralidade,
no entanto, é sempre posta em cheque, já que o líder dos
astronautas tem um acordo com um sontariano.
Após
um conflito inicial com os astronautas o trio os auxilia, ainda que
não seja oferecida nenhuma informação adicional sobre a existência
destes. Em alguns momentos nota-se a questão de um sotaque
diferente, abrindo espaço para imaginar que os astronautas sejam
russos ou descendentes. Lembrar que a estação espacial Nerva,
do arco anterior, ficou um tempo indeterminado no espaço e que há
colônias humanas espalhadas ou perdidas no espaço ajuda a entender
a macrotrama que os autores tentavam criar sobre o futuro da
humanidade e a recuperação da Terra.
Em
alguns momentos os efeitos, a maquiagem e a trama (um alienígenas
prendendo e torturando astronautas mal vestidos) remete facilmente à
Planeta dos Macacos e as situações encontradas na
cinessérie.
Com
a situação resolvida o trio acredita retornar para a estação
Nerva, mas...
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The
Sontaran Experiment
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Star Trek: TNG Yesterday's Enterprise e viagens no tempo criativas
Esta
semana estava checando um serviço de streaming de séries de
TV e filmes e observei que Star Trek: The next generation
(Jornadas nas Estrelas, a nova geração) estava disponível
entre as séries, sendo uma aquisição recente do serviço.
Disposto
a testar o serviço, mais do que realmente a assistir a um episódio
escolhi aleatoriamente o episódio Yesterday's Enterprise
(3x15) exibido originalmente em 1.990 – 24 anos atrás, portanto.
Que
acerto! Que sorte!
Apesar
de eu não gostar da facilidade com que a Tenente Tasha Yar se
apaixona, o episódio desenvolve bem a ideia de viagem no tempo e
consequências desta.
Na
trama uma brecha no espaço tempo leva a Enterprise-C para o
futuro, ou seja, o presente da série, onde já temos a Enterprise-D
comandada por Jean-Luc Piccard. O simples ato de a Enterprise
do passado atravessar o portal altera a estrutura do espaço-tempo.
Agora temos uma Enterprise-D mais bélica e uma Federação em
guerra com o Império Klingon.
A
ausência da nave no passado alterou um evento, que criou uma
realidade alternativa. Nesta a Federação está a seis meses da
derrota e nela o Tenente Worf – um klingon – não está na
tripulação da nau capitania e a Tenente Yar, morta na primeira
temporada da série, continua em seu posto.
A
beleza do episódio está no fato de que a mudança de realidade é
feita sem firulas. A Enterprise-C atravessa o portal, há um close
em Piccard e nota-se alterações visuais significativas, ainda que
nada muito gritante. Quando a situação se resolve e a realidade se
corrige também não há firulas.
Quem
me dera que nos quadrinhos fosse assim rápido e direto. Lá, por
mais que a realidade se corrija sempre há um retorno, um personagem
deslocado, uma nova série limitada, uma nova série mensal, um
revival 10 anos depois para os saudosistas, um revival 20 anos depois
para o resto dos saudosistas. Tudo é explorado até a última gota
de criatividade e além.
Se
você quiser ver uma trama rápida e saudável com o uso correto de
viagem no tempo procure por este episódio.
Throne of the Crescent Moon, Saladin Ahmed
Saladin
Ahmed me fisgou no ano passado, quando conheci seu trabalho e não
me arrependo de ter adquirido o pocket de 370 páginas em
inglês. O livro é delicioso e habilmente escrito. Ahmed consegue
criar o cenário e nos situar nas cinquenta páginas iniciais do
romance: Adoulla Makhsllod é um sexagenário e cansado
caçador de ghuls, que dois anos antes aceitou o dervixe
Raseed bas Raseed como auxiliar – excelente na
espada, mas fraco nos encantamentos e por demais pueril. No início
do livro, uma ex-amante lhe envia o filho de uma sobrinha que casou
com um homem humilde que trabalhava nos pântanos. A família foi
massacrada por três ghuls e só o menino sobreviveu.
Adoulla
imediatamente se interessa pelo fato, seja por sua missão divina
como caçador de ghuls, seja pelo fato que somente um mago muito
poderoso – e perigoso – poderia invocar ao mesmo tempo três
criaturas. A partir daí, deixa a cidade de Dhamsawaat, junto
com seu auxiliar para investigar o caso, não sem antes cruzar o
caminho com Pharaad al Hammaz, o Príncipe Falcão,
um arruaceiro que vende a imagem de Robin Hood,
aproveitando-se da péssima administração do califa Jabbari
akh-Khaddari. Adoulla, a contragosto de Raseed, facilita a fuga
de al Hammaz, quando este liberta um jovem que estava para ser
degolado por ter roubado, supostamente para aliviar a fome. Os
Reinos da Lua Crescente (The Crescent Moon Kingdoms) sofrem com
impostos altos e a crueldade do califa. Desta maneira o discurso do
Falcão cai como uma luva e leva a população à desobediência
civil, tornando-se popular e intencionalmente cimentando a base de
uma futura revolução!
Criado
o cenário, Ahmed parte para a aventura ainda que apresente logo na
primeira sequência de enfrentamento aos ghuls mais um personagem,
Zamia Banu Laith Badawi, uma garota capaz de se transmutar em
leão e última sobrevivente de seu bando, assassinado pelos ghuls
que denotam a habilidade de sugar não apenas a carne, mas também a
alma e em seguida o casal Dawoud e Litaz, ele um mago e ela uma
alquimista.
Enquanto
o mistério se amplia, Adoulla tem que enfrentar ghuls variados
(ossos, água, areia) e uma sombra chacal de um assassino de crianças
do passado dos Reinos. Aparentemente o Anjo Traidor tem planos
diversos para os Reinos e está enviando seus agentes.
* * *
Os
personagens são bem desenvolvidos e suas motivações são claras e
importantes para a definição de quem são e o quê farão, assim
como seus conflitos. É essencialmente um livro que trata de honra e
tradição, da importância de fazer o bem e entendendo que é o
primeiro de uma trilogia é fácil imaginar que haverá novos ataques
do Anjo Traidor, pois como em outras séries esta “fede” a morte
e sacrifício.
Talvez
o ponto fraco seja assim como em Tolkien não entender as motivações
do inimigo: ele existe e está fazendo o caos, mas suas reais
motivações não sabemos. Ainda assim o livro é interessante e
importante por mostrar uma cultura bem diferente e valores não tão
próximos aos nossos, ainda que as obrigações e o dever estejam lá.
Sou
fã de primeira hora e acompanharei tudo que o autor fizer.
Throne
of the Crescent Moon, Book one of The Crescent Moon
Kingdoms, Saladin Ahmed, DAW Books (nº 1575), ISBN
978-0-7564-0778-0, first printing, janeiro de 2013.
















































