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Bem vindo a Astro City

Há alguns anos JM Straczynski criou a série Poder Supremo (aqui) e acreditei ser uma obra irretocável. Na necessidade de vender mais, a Marvel, o editor e o próprio escritor, autorizaram e orientaram outros a criar em cima da mitologia. Os produtos nem sempre foram bons.

Mas é assim. Poder Supremo e o Esquadrão Supremo é um produto da Marvel Comics e quando Straczynski for descansar no Senhor – ou não, ele é ateu – a editora já terá oferecido o produto a dezenas de outros autores.

* * *

Kurt Busiek também criou uma mitologia extensa em Astro City. Existem pequenos detalhes que passam desapercebidos a quem não conhece a série a fundo e não necessitam serem explicados. Um exemplo é o Samaritano estar fazendo uma contagem quando encontra com Blindado em Astro City: O anjo caído.

Quem leu o primeiro volume da obra irá lembrar que o herói anseia voar livremente e conta quanto tempo passa realmente voando durante o dia.

É um detalhe importante para compor o personagem Samaritano, um herói preocupado em salvar a tudo e a todos e com os sonhos e desejos de um homem comum.

Busiek não ressalta isto a todo momento, mas faz quem está lendo O anjo caído se perguntar o por quê daquilo.

* * *

Com tantas mitologias Kurt Busiek poderia ter escolhido apresentar as idéias para outros autores e deixar que estes trabalhassem.

Um exemplo claro é o Silver Agent. Desde o início da série o autor relatou que houve algo terrível com o personagem. A resposta demorou 10 anos para aparecer. Mas foi trazida pelo autor.

E sim, foi uma coisa lamentável!

* * *

Claro que isto fará com que todas as tramas possíveis de Astro City, que não são poucas, nunca venham à tona em sua completude. Quinze anos após lançada, a série tem 55 edições publicadas (6 Astro City volume 1 + 23 Astro City volume 2 + 5 Astro City Local Heroes + 1 Special Supersonic + 1 Special Visitors Guide + 1 Special Samaritan + 1 Special Beautie + 1 Special Silver Agent + 16 Astro City: Dark Age) e somente agora em 2010 é que teve uma série mensal realmente, o volume 4 do arco Dark Age.

É uma pena, mas foi o mesmo com – por exemplo – Tintim, personagem franco-belga. Depois da morte de Hergé o personagem cultuado não recebeu novos álbuns, apenas reedições dos criadores pelo autor.

Não sei dizer se Astro City e sua mitologia terá a força da obra de Hergé, mas gostaria de, daqui há alguns anos, ver a sempiterna equipe produzindo histórias que ressaltem os valores apontados por Busiek.

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