Pular para o conteúdo principal

The Collapsing Empire, John Scalzi [2017]

A posse de uma informação privilegiada é a fonte de tramas das mais diversas. 

Em Era uma vez no oeste filme essencial de Sergio Leone o fio condutor das ações de parte dos personagens é a posse de uma informação privilegiada. No entanto, há ali um personagem que está à margem dos acontecimentos preocupado apenas com uma vingança pessoal. Ele é uma variável aleatória na trama: ninguém sabe por que está ali, além de, é claro, estabelecer o conflito!

The Collapsing Empire (ISBN 978-1-5098-3507-2, TOR, 2017) é basicamente uma trama semelhante: há personagens que tem conhecimento de uma informação e tentam tirar proveito da situação.
O resto é a apresentação dos personagens para uma nova série de ficção e os diálogos afiados de Scalzi.

[Trama]
O Império foi estabelecido em cima de princípios básicos. Cada família tem a exclusividade da produção de um bem e vende para as outras famílias, que habitam outros sistemas. Para navegar no Império há o conceito do “Flow”, uma adaptação interessante do conceito geral de buraco de minhoca. Aqui há uma abertura estável em algum lugar e a nave entra em uma imensidão de espaço, no qual trafega até encontrar uma abertura de saída. Diferente de outros conceitos, uma viagem aqui demora meses.

O centro de poder do Império, a estação planeta Hub é o local no universo onde todos os “streams” do “Flow” surgem – todos os caminhos levam a Roma. A Casa Wu controla Hub, portanto o Império.
Uma mudança destes streams levaria, por extensão, a uma drástica mudança de poder.

Quando a trama começa estamos assistindo aos últimos momentos do Emperox Attavio VI, que deixa como herdeira Cardenia Wu, sua filha que não foi treinada para o trono. Ela é herdeira apenas porque seu irmão mais velho morreu antes de chegar ao poder.

Enquanto lemos sobre esta transição vemos o desenrolar de uma trama em “End”, o planeta e sistema mais afastado de Hub. Kiva Lagos da Casa Lagos leva seu produto ao planeta apenas para encontrá-lo em um processo de rebelião. Lá Lord Ghreni da Casa Nohamapetan, está influenciando o Duque local para resistir aos rebeldes, se apossar de recursos às vezes de forma ilegítima e comprar armas. Kiva fica irritada com a tomada de sua mercadoria, mas sai do planeta dias depois, levando uma série de nobres capazes de pagar o preço para saírem de um local em ebulição. Leva entre seus passageiros Marce Claremont, filho do Conde de Claremont, um físico, como seu pai, que estava em End para estudar o Flow.

A Casa Nohamapetan tem uma série de interesses principais e secundários na história! Seria Nadesha Nohamapetan, irmã de Ghreni, a esposa do falecido irmão de Cardenia, que se viu privada de estar no poder pelo imponderável. Ainda assim os Nohamapetan tem uma carta da manga, eles sabem da instabilidade do Flow, assim como Marce que rumou para Hub para notificar o Emperox.

Marce vai a Hub para falar com Attavio VI, que contratou a pesquisa ao seu pai, e encontra Cardenia. Será que a nova Emperox dará ouvidos à informação do jovem? Ao será que mesmo este Emperox já estará morta, alvo de atentados políticos dos rebeldes no distante End?

[Crítica]
John Scalzi é um escritor hábil em contar histórias, mas a leitura de vários romances do autor mostra esquemas narrativas algo que previsíveis. Seu prelúdio e o formato de dividir o livro em partes que se encerram com plot twists são previsíveis. 

A história funciona bem, mas lentamente. Começa sem empolgar, não ganha velocidade no meio, mas então eis que surgem os plots twists e tudo muda, tornando o leitor um consumidor salivante das páginas.

Concebido como o “Livro I” de uma série The Collapsing Empire serve como apresentação dos personagens e da situação. Cadernia, Marce e Kiva tem muito a contar, ainda que os leitores de sci-fi devam estranhar uma personagem feminina com uma sexualidade tão pouco contida como Kiva. Ele é o reflexo de Games of Thrones na ficção e falo da série de TV e não dos livros: sexo às vezes gratuito, sem nexo com os eventos usado apenas para cativar uma parte da audiência. Aqui fica o senão que Scalzi não faz narrativa dos intercursos sexuais, mas ao menos o leitor não poderá reclamar quando for adaptado para a TV dentro de alguns anos: as cenas estavam no livro, ao contrário de 2/3 das cenas de Game of Thrones.
Evidente que toda a estrutura de Casas, da intriga entre elas, do comércio, do uso da religião e de um buraco no espaço chamado “Flow” - a especiaria deve fluir – evoca outra obra de ficção, Duna. Mas que fique registrado: apenas evoca. Os tempos são outros e Scalzi está mais preocupado em construir uma série rentável do quê beber demais em uma fonte óbvia, o quê poderia gerar muitas críticas. A questão da religião, algo tão presente em Duna é pouco trabalhada aqui e não há sequências gigantescas em planetas inóspitos. 

Vale a diversão e é um bom investimento para leitores iniciantes.

Nota: 6,5/10.

Postagens mais visitadas deste blog

EaD: Como estudar sozinho em casa

Lost – A sexta temporada: Um resumo bem pessoal de Lost, até o episódio 9 da sexta temporada.

Existe uma ilha com propriedades magnéticas e místicas. Magnéticas por que há um contador da energia que se acumula na ilha. E místicas por que ela possui um mecanismo que pode ser utilizado para alterar sua posição no tempo e espaço.

Dois seres habitam esta ilha. Um deles, Jacob, está impedindo que o outro, ainda sem nome, saia.

Jacob pode sair da ilha e pode atrair pessoas para lá.

A função de Jacob é impedir que o outro saia da ilha. O segundo deseja matar Jacob para poder sair.

Este segundo pode se tornar uma fumaça escura que agrupada pode se tornar pessoas – geralmente entes queridos mortos – ou ser usada para destruição. Durante muitos anos, nós expectadores, achávamos que era nano-tecnologia que tem conceito semelhante.

Em 1.867 um navio chega a ilha trazendo Ricardo que se tornará agente externo de Jacob. Ricardo se torna imortal graças aos poderes de Jacob.

Um núcleo de pessoas sempre habitou a ilha. Possivelmente atraídos por Jacob. Sempre.

Após enterrar uma bomba de hidrogên…

Os Vingadores vs O Esquadrão Supremo

(Ou Como as histórias não são realmente como nos lembramos)
Não tenho nenhum entusiasmo pelos encontros entre Os Vingadores e Esquadrão Supremo. Nenhum! Ao contrário acho histórias imbecis, mas talvez seja um ranço contra Roy Thomas. Explico: na infância eu odiava os Vingadores de Thomas e por extensão o próprio, mas gostava muito da arte de Conan (Buscema & Zuñiga) ou qualquer coisa feita por Neal Adams como a Guerra Kree-Skrull ou X-Men.

Já adulto um amigo disse que o sujeito era bom e eu fui reler as histórias: não eram tão ruins quanto a lembrança. Inclusive conheci e comprei os setenta números de All-Star Squadron que eram do próprio.
Por fim, descobri que metade daquilo que eu não gostava em Thomas na verdade não era dele... era do Englehart, um sujeito também superestimado pela indústria, que só acertou uma vez: em Batman!
Vencido o preconceito contra o escritor, veio o problema da maturidade: as histórias dos anos 1960 só funcionam lá, especialmente as de super-grupos co…