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Justice League, The Satellite Years 1972

1972 começa de um jeito bem diferente mesmo mantendo a mesma equipe de produção, Mike Friedrich, Dick Dillin e Joe Giella.

Primeiro os temas “humanos” passam a serem secundários e depois as histórias passam a ter mais páginas, às vezes estendendo-se para a próxima edição.

É assim no arco “The coming of - - Starbreaker”, que transcorre nas edições #96 (fev), 97 (mar) e 98 (may) com os títulos “The coming of - - Starbreaker”, “The day the Earth screams!” e “No more tomorrows!”.
 
A trama guarda resquícios da Trilogia de Galactus da série Quarteto Fantástico. Aqui o Starbreaker é uma criatura que se alimenta da energia de mundos destruídos – que ele atira em suas estrelas-mães – e as energias crescem de potência se a população estiver aterrorizada. No geral, a mesmíssima história de um monstro que se alimenta da destruição de um mundo.
O vampiro cósmico, desenhado como um Drácula sci-fi, ataca Rann, onde Gavião Negro, Flash e Lanterna Verde estão graças ao cruzamento do raio de transporte da Liga com o Raio Zeta que transporta Adam Strange. Os heróis derrotam com certa facilidade cópias energéticas do vilão, mas ele jura segui-los até a Terra!

Na edição seguinte (#97), Starbreaker ataca na Terra e derrota os heróis sem muita cerimônia. Aterrorizados os heróis recebem uma injeção de ânimo de Gavião Negro que os faz ouvirem as gravações da origem da equipe, uma forma de uni-los contra um mal comum. No final da edição surge Sargon, o feiticeiro!

Na conclusão (#98), Sargon, o feiticeiro, personagem da Era de Ouro oferece o auxílio aos heróis, um recurso deus ex machina com o místico, usado com frequência como veremos mais adiante na edição #103.

Eles devem reunir mais duas contrapartes do Rubi da Vida, a joia que fornece energia ao mago, e atacarem o Starbreaker no plano emocional. Claro que funciona, com duas divisões da equipe em times, uma para encontrar os rubis e partir para o ataque e uma nova divisão para enfrentar o vampiro em diferentes épocas. Às vezes o usa do recurso da divisão de uma equipe de heróis em duplas ou trios cansa. Este é um exemplo.

Sargon, curiosamente é reconhecido por Flash como um herói da época de sua infância, mas desconhecido por Canário Negro, o que faz com que seja um personagem da Terra-1 apesar de criado em 1947.

A trama termina com a derrota do vampiro, que é levado para os Guardiões da Galáxia pelo Lanterna Verde, mas não tem um bom desenvolvimento. Starbreaker que é apresentado como quase onipotente, mas é derrotado facilmente sem uma clara razão de vantagem para os heróis.

Ainda que tenha migrado para um aspecto mais cósmico, Friedrich não deixava de esquecer que o aspecto emocional dos heróis, individualmente meros seres humanos, era o quê realmente importava, mas não parece estar à vontade escrevendo esta versão da história do tirano que irá destruir o mundo.


A edição #99 (junho) trouxe a última colaboração de Mike Friedrich naquele momento. A história “Seeds of destruction” com arte de Dick Dillin & Joe Giella traz novamente uma história humana, onde alguns alienígenas espalham sementes de plantas para purificar planetas poluídos... hum, conheço a ladainha...

Claro que os objetivos os põe em choque contra a Liga da Justiça, na verdade, em função de uma série de enganos de ambos os lados.

Então tivemos o popular cross-over de verão entre Liga da Justiça & Sociedade da Justiça. Desta vez a trama tinha que ser maior que as anteriores pois coincidiria com o aniversário de 100 edições da série. A história inicia na edição #100 (agosto) com “The unknown soldier of victory” por Len Wein, Dick Dillin e Joe Giella. Continuou na edição #101 (sept) com “The hand that shook the world”e concluiu na edição #102 (outubro) com “And one of us must die!”, esta com finais de Joe Giella e Dick Giordano, nas edições seguintes Giordano seria o responsável pelas finais. Veja o review dessa crise aqui.

Wein, que será o responsável pela criação do Wolverine em 1.974 e de sua versão na DC (o Steel, traduzido por aqui como Comandante Gládio), assim como o escritor de Giant Size X-Men com os ...all new all different X-Men, tem uma narrativa mais adequada ao formato de equipe de heróis. Apesar do texto humano de Friedrich, de certo modo, um resultado das boas críticas na série Green Lantern/Green Arrow (boas críticas que não resultaram em boas vendas, fazendo inclusive o título ser cancelado), diga-se de passagem, tudo se tornou estereotipado demais.

Será que é difícil levar a sério a ameaça da poluição quando temos pessoas fantasiadas? Será que é difícil acreditar que todo empresário só deseja o lucro, não importando a que custo em um mundo tão hedonista quanto o atual?

#103 (dezembro) traz “A stranger walks among us!” onde o Vingador Fantasma (Phantom Stranger) leva à Liga o aviso de que vários de seus membros irão morrer nas próximas 24 horas, segundo uma lenda da cidadezinha de Rutland, Vermont. Era edição de Halloween e a editora resolveu contar uma história de fantasmas com a equipe de heróis. Aqui Felix Fausto invoca demônios aproveitando-se das brechas místicas criadas pelo Dia das Bruxas. Os demônios passam a habitar os corpos de civis fantasiados e irão atacar os heróis.

Rutland tem uma parada no Halloween que é muito citada nos quadrinhos, tendo geralmente a participação dos próprios autores. Aqui Len Wein aparece e fica maravilhado com a disposição da Liga em participar do desfile que logo se torna um confronto entre os heróis e os possuídos – geralmente com uniformes de heróis da editora concorrente.

Apesar de uma aparente derrota o Vingador Fantasma consegue impedir a morte dos heróis e garantir a derrota do feiticeiro. É o segundo vez que se utiliza o recurso deus ex machina no ano, mas a presença do Vingador Fantasma faz o leitor esquecer este detalhe.

Deus ex machina era um recurso muito utilizado no teatro grego. Basicamente um deus saia de uma máquina que entrava em cena durante o espetáculo e resolvia todos os conflitos existentes. No reino dos quadrinhos há muita utilização deste recurso.

E terminou mais um ano de um modo geral bem melhor aproveitado que os dois anteriores, agora com um direcionamento focado em narra histórias clássicas de heróis (bem x mal). Wein é, de longe, melhor escritor que Mike Friedrich. Se duvida compare os dois cross-over de verão da Liga x Sociedade. E a arte, que continuava nas mãos de Dick Dillin (até a edição #183) ganha com a entrada de Dick Giordano como finalista. A Liga como equipe e como série em quadrinhos termina 1972 melhor do quê iniciou.













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