Pular para o conteúdo principal

Mundo Gavião - Volume 1

Como todas as editoras, a DC tem um grande sortimento de personagens secundários que tem origens genéricas que podem render qualquer interpretação.

Quer um?

Sr. Destino, um menino que acompanhava o pai arqueólogo e que encontrou uma tumba de onde surgiu um ser que o tornou um mago. Simples; pode ser reinterpretada de várias maneiras.

Assim o é com um Gavião Negro, o septuagenário personagem chamado Hawkman no original e durante anos com duas traduções corretas no Brasil. A primeira referente ao presonagem original, criado no final dos anos 1.930 é Falcão da Noite herói da Terra-2 era um arqueólogo e viveu aventuras com a Sociedade da Justiça da América e o Comando Invencível (All-Star Squadron). Ele era a reencarnação do faraó Khu-Fu.

E a segunda que era um personagem de sci-fi (science-fiction ou ficção científica) chamado no Brasil de Gavião Negro, herói da Terra-1 era um policial do planeta Thanagar e viveu aventuras com a Liga da Justiça da América.

Com o advento de uma série de reestruturações de personagens, e com o Falcão da Noite afastado da cronologia desde o especial de Last Days of Justice Society of America (veja aqui) a DC Comics contratou Timothy Truman, na época, responsável pela arte da série Grim Jack para a First Comics e mais recentemente por várias séries Star Wars e Conan, o cimério, ambas pela Dark Horse.

Em Gavião Negro (Hawkworld volume 1), minissérie em três edições, Truman concentrou-se na vida thanagariana de Katar Hol, um nobre em conflito. A sociedade thanagariana que foi escravizada durante milênios e agora em posição superior politicamente agregava, uma série de sub-espécies (ao ver da sociedade preconceituosa) que usava para trabalhos mal remunerados ou indignos. No processo, Thanagar perdeu sua identidade. Sua cultura já não existia e a produção de itens de consumo e de primeiras necessidades era feita em outros mundos.

Os thanagarianos, em geral nobres, não trabalhavam realmente, apenas exploravam os conhecimentos e o trabalho alheios. Culturalmente e cientificamente não havia evolução na sociedade que apenas parasitava as sociedades escravizadas, e no processo, sem perceber perdia suas características.

Isto entristecia e distanciava Hol que se alistou na força policial do planeta, recebendo ordens do corrupto comandante Byth. A família Hol é nobre, e seu pai Paran é o responsável para invenção das asas que servem como suporte à força policial.

Existe um componente a mais na questão das asas: a sociedade thanagariana vive em construções feitas nas alturas, enquanto a massa vive nos escombros próximos ao chão. Mostrado desta maneira, asas é um poderoso componente psicológico de status de posição social, afinal com elas é possível alçar as alturas. Ou seja, em Thanagar as favelas não são nos morros, mas na base da sociedade que é formada por escravos de uma miríade de mundos.

Imagine então as questões religiosas que se passam por ali.

Katar é convidado por Byth para a caçada a um criminoso, e irado por um atentado político, aceita, descobrindo que Byth procurava, na verdade, seu pai Paran, que tinha descoberto desvios de financiamentos que deveriam estar chegando à população de baixa renda. Matando, por acidente, seu próprio pai, Hol consegue acessar os diários pessoais dele e descobrir a verdade antes de ser desterrado para uma ilha distante, já que havia também sido incriminado.

Lá, se livra das drogas e tem contato com outra cultura que termina de lapidar suas características já peculiares. Após 10 anos retorna à sociedade retoma o esquema de distribuição de remédios de seu pai e se aproxima de Shayera Thal – filha de um administrador, resgatado das favelas por ser semelhante à primeira Shayera, ao qual Katar era apaixonado, porém morta em um atentado.

Com o auxílio desta segunda Shayera, Katar consegue provas contra Byth, mas o comandante agora dependente de uma droga krotana é capaz de mudar de forma e foge para o planeta Terra. Hol é reempossado – a necessidade do povo thanagariano por heróis – e jura que encontrará o ex-comandante e se vingará.

Um detalhe triste. A série foi publicada em 1.988, ano em que a DC Comics produziu uma série onde raças alienígenas invadiram a Terra. A raça thanagariana era uma das invasoras. Terminado o evento a DC decidiu continuar os eventos da minissérie de forma bem direta num segundo volume de Hawkworld agora uma série mensal, que mostrava a vinda de Katar para a Terra para perseguir Byth e também para criar laços cordiais com a Terra.

Com isso anulou toda a cronologia do personagem e começou a criar uma bolha em torno dele que só começaria a ser dirimida em 2000 no arco “O retorno do Gavião Negro” já na série JSA, com a Sociedade da Justiça da América.

Uma pena.

Postagens mais visitadas deste blog

EaD: Como estudar sozinho em casa

Lost – A sexta temporada: Um resumo bem pessoal de Lost, até o episódio 9 da sexta temporada.

Existe uma ilha com propriedades magnéticas e místicas. Magnéticas por que há um contador da energia que se acumula na ilha. E místicas por que ela possui um mecanismo que pode ser utilizado para alterar sua posição no tempo e espaço.

Dois seres habitam esta ilha. Um deles, Jacob, está impedindo que o outro, ainda sem nome, saia.

Jacob pode sair da ilha e pode atrair pessoas para lá.

A função de Jacob é impedir que o outro saia da ilha. O segundo deseja matar Jacob para poder sair.

Este segundo pode se tornar uma fumaça escura que agrupada pode se tornar pessoas – geralmente entes queridos mortos – ou ser usada para destruição. Durante muitos anos, nós expectadores, achávamos que era nano-tecnologia que tem conceito semelhante.

Em 1.867 um navio chega a ilha trazendo Ricardo que se tornará agente externo de Jacob. Ricardo se torna imortal graças aos poderes de Jacob.

Um núcleo de pessoas sempre habitou a ilha. Possivelmente atraídos por Jacob. Sempre.

Após enterrar uma bomba de hidrogên…

Os Vingadores vs O Esquadrão Supremo

(Ou Como as histórias não são realmente como nos lembramos)
Não tenho nenhum entusiasmo pelos encontros entre Os Vingadores e Esquadrão Supremo. Nenhum! Ao contrário acho histórias imbecis, mas talvez seja um ranço contra Roy Thomas. Explico: na infância eu odiava os Vingadores de Thomas e por extensão o próprio, mas gostava muito da arte de Conan (Buscema & Zuñiga) ou qualquer coisa feita por Neal Adams como a Guerra Kree-Skrull ou X-Men.

Já adulto um amigo disse que o sujeito era bom e eu fui reler as histórias: não eram tão ruins quanto a lembrança. Inclusive conheci e comprei os setenta números de All-Star Squadron que eram do próprio.
Por fim, descobri que metade daquilo que eu não gostava em Thomas na verdade não era dele... era do Englehart, um sujeito também superestimado pela indústria, que só acertou uma vez: em Batman!
Vencido o preconceito contra o escritor, veio o problema da maturidade: as histórias dos anos 1960 só funcionam lá, especialmente as de super-grupos co…