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No iPad: Ideias sob vigilância

A VEJA de 19/12/2012 trouxe um extenso artigo de capa sobre o livro nas mídias eletrônicas, em especial devido à chegada recente da Amazon no Brasil. Eu li a edição em 15/12/2012 no meu iPad o tablet da Apple. A VEJA é disponibilizada por volta das oito da manhã do sábado pela os tablets.

O tablet conjuga as funções de computador e e-reader (leitor eletrônico). É um trambolho leve e inútil se não tiver sinal de celular de qualidade, preferencialmente tecnologia 3G, ou sinal de rede wireless de dados. Preferencialmente ambas.

O iPad, o tablet da Apple, é uma armadilha ao consumo em contraponto aos tablets com o sistema operacional Android feito pelo Google com tecnologia LINUX. Tudo que importa no iPad é pago. Já no Android há uma porção bem maior de ofertas sem custo.

Evidentemente isso apenas evidencia o posicionamento de produtos da Apple com seus computadores e programas de ponta em tecnologia e preço e as tecnologias derivadas do software livre/código aberto (SL/CA) que tencionam deixar programas acessíveis a quem tem pouco recurso.

Seguindo este raciocínio – do acessível a quem tem pouco recurso – noto infelizmente que as editoras cobram preços de seus livros e revistas em formatos Apple ou Android valores semelhantes às cópias impressas. Desta maneira a tecnologia não serve para difundir o pensamento. Ninguém está ofertando um dos 10+ vendidos por R$ 2,00 ou R$ 5,00 graças ao fato de não haver custos de impressão e distribuição física (o transporte).

Diante da nova tecnologia as editoras apenas irão lucrar mais.

E já começam a pipocar erroneamente em diversos lugares as pesquisas que apontam que as pessoas não se envolvem quando leem no formato digital. Concordo, porém creio que é um problema dos nascidos na Era do Papel.

Sou preconceituoso. Admito.

Penso nos tablets e nos e-readers como mecanismos para ler jornais, revistas noticiosas e pequenos artigos, trabalhos transportáveis, etecetera. Mas a verdadeira leitura, aquela que merece análise, reflexão, introspecção somente em papel, que grifo, que escrevo à borda.

Os escritos refletem como as ideias que leio me atingiram.

É verdade que posso fazer isso no e-reader, mas diante de saber que a editora ou a distribuidora eletrônica tem acesso à afirmação que anotei em meu reader, volto à 1984 de George Orwell e me vejo diante do pensamento vigiado. Agrupamentos de leitores que pensam semelhantes, reunidos em funções de grifos virtuais em livros virtuais, só me fazem pensar que é preferível ter os responsáveis pelo pensamento-crime juntos em comunidades virtuais onde seriam ainda mais fáceis de serem localizados.

Completando: o próprio 1984 foi erroneamente apagado dos readers dos clientes da Amazon há algum tempo.

Houve um pedido público de desculpas e o retorno da obra aos leitores. Mas é bom advertir que a obra não é sua, como supostamente o é o livro que está em sua estante. A obra está apenas alugada e eventualmente a empresa pode rever o contrato contigo em um comunicado unilateral que visa apenas resguardar os direitos dela.

Imagine que a versão cheia de anotações do Código do Direito Tributário fosse apagada e ao ser restaurada não tivesse mais as anotações.

Será que a leitura nos readers deve ser indicada apenas para o fútil?

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post scriptum: Gostaria de lembrar apenas que quem define o quê é fútil para mim sou eu. Por mais holística e cosmopolita que seja a sociedade sou eu quem define isto.

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