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Tiragens

Tendo idade para ter visto muita coisa nos quadrinhos no Brasil, perdi essencialmente as eras EBAL, Bloch e RGE, mas como a Abril Jovem começou em 1.979 com a Marvel e desde então estou acompanhando, estes 31 anos já me permitiram ver muita coisa.

Querendo ou não a estratégia da revolu$ão Panini guarda semelhanças com a estratégia “Diet DC” da Editora Abril Jovem. Há diferenças, mas, no bojo a questão é reduzir as páginas e reduzir custos para criar um produto mais atrativo.

Porém a distribuição das edições passou também por uma alteração – mesmo fato que tinha ocorrido na Abril. As bancas estão recebendo menos números de cada edição, se limitando a uma ou duas revistas. Algumas séries não atendem à demanda, especialmente da DC Comics.

Algumas séries como Superman e Batman, sequer vê-se nas bancas. Logo ficará mais fácil comprar em lojas especializadas a cada três, quatro ou seis meses do que acompanhar em bancas.

Há uma mudança de fato positiva no estabelecimento das livrarias – virtuais ou não – como ponto de apoio, mas só irá funcionar adequadamente se o leitor continuar a ver nas bancas e a baixo custo de aquisição as séries mais comuns. Enviando apenas uma ou duas edições para as bancas a editora – e a distribuidora – afasta o leitor ocasional que compra para ler por causa de uma capa bonita ou com um personagem – ou cena – que lhe agrade.

Concentrar energias em livrarias é o estágio final de um processo lento, mas gradual. Na EBAL as séries em canceladas quando aproximavam de 100 mil cópias. Na Panini as tiragens são de 10 mil nos melhores casos. A tiragem para livraria deve ser algo entre mil e três mil unidades.

Cada vez mais quadrinhos é um assunto de alguns poucos iniciados.

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