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Fury MAX (2.001)

Houve um período em que o selo MAX da Marvel Comics era a grande aposta do mercado. Grandes trabalhos foram feitos no selo, entre eles Poder Supremo, Alias e Justiceiro, antes que a temática sangue, cenas fortes, sexo (ou sugestão), drogas e experimentação cansasse.

A Marvel “cancelou” o selo. O cancelar está entre aspas, porque a editora pode iniciar uma nova leva de lançamentos a qualquer momento, como já fez algumas vezes com os selos Epic e Marvel Knights.

Um dos melhores trabalhos é a série em seis partes Fury de 2.001, onde o anacrônico super-espião da SHIELD, Coronel NicholasNickFury não tem mais motivações para o seu dia-a-dia. Velho e cansado, Nick sonha com os dia de glórias e sente-se traído quando a organização que criou coloca um burocrata no comando e ele passa a ter um cargo apenas alegórico.






Para piorar tem que cuidar de um “sobrinho” emprestado chamado Wendel e ver a decadência de velhos companheiros como Dum-Dum Dugan. Quando um velho desafeto e ex-membro das organizações terroristas às quais Fury enfrentava, chamado Rudi Gagarin promete que vai fazer algo para chamar a atenção, o velho coronel vê uma oportunidade de voltar à ativa por cima e só espera o aviso, que vem logo.

Gagarin convence um general de uma republiqueta de bananas completamente estereotipado – inclusive com direito a filhas libidinosas – a tomar o poder, vender uma imagem de comunista e depois emitir um pronunciamento avacalhando com o presidente dos EUA, isto quando Bush Junior estava no poder e qualquer coisa era motivo para guerra.

Ambos, Gagarin e Fury, são velhos soldados que não sabem o que fazer em tempos de paz e para dar sentido à sua existência necessitam estar em campos de batalhas procurando a morte e teimando em sobreviver.

Escrita por Garth Ennis, com lápis de Darrick Robertson (Transmetropolitan) e finais de Jimmy Palmiotti (Demolidor – Demônio da guarda), mostra novamente que o escritor gosta mesmo de chocar. Depois do longo período produzindo Preacher, Ennis foi contratado pela Marvel e esteve dez anos à frente de Justiceiro, produzindo suas séries pelos selos Marvel Knights e Marvel MAX, além de diversas minisséries, todas com personagens ridiculamente estereotipadas, excessivas violentas e incomodamente realistas.

Suas histórias seguem padrões como o personagem frio e parcialista, o gore que no cinema exigiria piscinas de tinta vermelha e a presença quase constante de um personagem medonho – afinal, quem que tenha lido Preacher não lembrou de Cara-de-Cú ao ver Cruz-Credo o soldado número 1 de Gagarin?

Em 2005 a mesma equipe retornaria ao personagem para produzir uma história durante a 2ª Guerra Mundial e ambas são excelentes oportunidades para se ler aventuras do super-espião da Marvel Comics desligado de toda a pesada cronologia da editora.


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