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Batman – Bruma Escarlate

Batman – Crimson Mist, 1999/Batman: Bruma Escaralate, Ms. em 2 partes. Mythos Editora. Verão/Outono de 2002

Nada é mais frustante para um leitor que uma continuação que venha a diminuir o impacto inicial. No cinema isso é muito comum quando tenta-se explicar que um filme é bom, mesmo tendo inúmeras continuações que tornam o primeiro apenas uma parte no todo, não uma obra à parte. Vide exemplos como A hora do pesadelo (Nightmare on Elm Street), Pânico (Scream), Higlander ou Alien, o oitavo passageiro (Alien). Todos são bons filmes mas a própria existência de uma continuação parece diminuir o significado da obra original.

Assim é a trilogia dos ElseWorld’s ligados ao Batman vampiro (Chuva Rubra, Tempestade de Sangue e Bruma Escarlate). O primeiro é uma excelente obra que não perde muito tempo mostrando o universo habitual do homem-morcego. Em alguns momentos tem-se a clara impressão de que foi usado como base um Batman mais antigo do que o cronologicamente aceito. É uma história com início, meio e fim, onde o bem vence o mal mesmo que seja no mesmo terreno; mesmo que Batman tenha que abrir mão de sua humanidade...

Tempestade de Sangue no entanto, estenderia o sucesso da primeira graphic novel (nos EUA foram graphic novels não minisséries) sem o mesmo brilho. Primeiro ficamos sabendo que o sacrifício da Mansão Wayne não matou todos os vampiros de Drácula, que agora tem o Coringa como líder. Durante a história o demente, bem próximo do que hoje é aceito como Coringa, apronta das suas e Batman decide saciar uma sede crescente por sangue com o líquido vital do louco.

É aí que “a porca torce o rabo”!

Pôxa! Não tinha um argumento menos batido? Parece que todo mundo quer usar a mesma linha de raciocínio de sofrimento sem fim do vampiro tentando controlar a sua fome, e tome-lhe páginas e páginas do personagem solitário em lugares escuros, com textos de pensamentos escritos em fonte cursiva.

Se, para alguns leitores o fato da nova Krypton do Superman pós Byrne ser um distopia do sonho da Krypton anterior à Crise e assim configurando motivo de revolta; para mim continuar uma boa história de sacríficios com mais sacríficios parece um eterno calvário.

Bruce Wayne merece um destino melhor mesmo que seja um Bruce Wayne de lugar nenhum (ElseWhere World’s).

Mas os editores e os autores tinham que usar o conceito de trilogia, hoje muito em voga. Tudo é uma trilogia, Guerra nas Estrelas, Senhor dos Anéis, Pânico, A trilogia das cores (A liberdade é azul, A fraternidade é vermelha, A igualdade é branca), parece que o autor só pode criar se tiver três chances para por fim à sua história.

A história tenta a início recriar o universo padrão de vilões e lugares de Gotham City. É aí que declina ainda mais a terceira parte (Bruma Escarlate) da primeira (Chuva Rubra). Estão lá Croc, Duas-Caras, Pingüim, Asilo Arkham, Amadeus Arkham, Blackgate!

Chega um momento quando Alfred, Gordon e Batman não estão presentes que parece que estamos lendo uma das revistas de linha do protetor de Gotham. Apesar de graficamente bonita até mesmo na edição nacional, a história não chama muito a atenção por si só!

Talvez seja este o ponto, a história de Bruma Escarlate só funciona como continuação, já que tem que ser explicado, no mínimo, o duelo com Drácula e com Coringa, nas partes anteriores.

De continuação torna-se subproduto!

A história é a mais básica das básicas na área de vampirismo. Após ouvir o Comissário Gordon lamentar da criminalidade crescente de Gotham, o sofrido Alfred tira a estaca do peito de seu patrão, que ressuscitado, inicia uma série de assassinatos de todos os seus algozes, com o cruel detalhe de decapitá-los para que não tornem-se vampiros como ele. Logo Gordon e Alfred lamentam a decisão e unem-se à Duas-Caras e Crocodilo para tentar eliminar a solução de seu problema anterior.

Ou seja um argumento risível, mesmo muito valorizado pela sempre excelente arte de Kelley Jones (Sandman – Terra dos sonhos, Sandman – Estadão das brumas, Deadman, Batman).

É uma pena que eu não possa terminar a frase sobre Chuva Rubra com “é uma excelente história de Batman e de vampiros.”, e sim que tenha que acrescentar “é uma excelente história de Batman e de vampiros que teve duas continuações.”

Com texto de Doug Moench, lápis de Kelley Jones e finais de John Beatty

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