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Vertigo, o selo de terror e fantasia da DC Comics, Parte 1

Vertigo é um selo da DC Comics (em inglês um imprint) que surgiu em 1993 numa época de boom dos quadrinhos. O nome homenageia o filme “Um corpo que cai” (Vertigo) de Alfred Hitchcock.

Muitas séries em quadrinhos vendiam bem naquele período, fazia pouco tempo que X-Men # 01 havia batido todos os recordes de vendas, e o surgimento da Image Comics como uma alternativa para os quadrinhos comerciais era uma grande aposta. Assim, segmentar linhas editoriais tornou-se comum nos quadrinhos.

A linha Vertigo concentrou séries de “terror moderno”, policiais, mistério, fantasia e “cyberpunk”.

Não seria exagero dizer que o selo Vertigo e suas histórias de “terror moderno” são a última instância da influência do código de ética dos quadrinhos sobre a indústria. Quando, na década de 1950 foram abolidas as histórias de monstros, assassinatos e mutilações, os autores tiveram que achar outras maneiras de narrarem seus contos de terror, trocando a escatologia pelo terror psicológico.

Na década de 1970 a Marvel retornou com várias séries de terror, entre elas A tumba de Drácula, A Múmia, Morbius – o vampiro vivo, O filho de Satã, Satanna e Werewolf by night, que ainda que não tivessem o terror psicológico, mantinham acesso o interesse do público em histórias de monstros.

Alguns dizem que o apoio das grandes editoras ao Código de Ética dos Quadrinhos, não foi somente uma estratégia para permitir a continuidade da existência delas próprias, mas uma maneira de impedir a existência da EC Comics, cuja linha de terror e policial teve de ser totalmente cancelada após a adoção do Código.

O Monstro do Pântano, a base
Assim como a Marvel a DC Comics também retomou lentamente séries de terror como The Dark Mansion of Forbiden Love de 1971. Logo estariam plantadas as origens mais próximas do selo com o surgimento do Swamp Thing (O monstro do pântano, no Brasil) e toda uma geração de histórias de terror que usavam o conceito de apresentador, tão em voga na TV – House of Mistery com Cain é um dos exemplos. Um apresentador macabro (ou não) com origens místicas (ou não) apresentava ao leitor duas ou três histórias, que nem de longe lembravam o impacto visual e criativa da era da EC Comics.

Alguns personagens coadjuvantes de várias séries da Vertigo surgiram nesta fase, como Cain, Lucien e Eva, mas somente como lançamento do filme Swamp Thing (EUA, 1982, de Wes Craven, futuro diretor de A hora do Pesadelo e Pânico) é que iniciou-se realmente a onda que iria aumentar seu tamanho até eclodir no selo Vertigo.

O Monstro do Pântano teve sua primeira série cancelada, mas com a exposição do filme ganha uma segunda série, e dois anos depois Alan Moore, um autor inglês, criador de obras como Marvelman e Captain Britain, seria contratado como escritor da série.

No Brasil a primeira série d'O Monstro do Pântano foi publicada pela EBAL. A Editora Abril preferiu saltar a cronologia e publicar a fase de Moore na segunda série. Infelizmente, devido à temática e ao público que a Editora Abril queria atingir, com o lançamento de Crise nas Infinitas Terras em 1987, a editora deixou de traduzir o material, retardando em muito o final da saga do personagem, que seria completado na série “O Monstro do Pântano”, que teve 19 edições.

Acompanhado de Steve Bissette, John Totleben e Rick Veitch (artistas da série), Alan Moore criou uma fantástica série de terror psicológico, mais sugerido do quê realmente mostrando, além de abolir conceitos tolos como a base heróica do personagem: um homem condenado a ser um monstro de lama e folhas.

Isto cai por terra logo no início quando Moore sugere que o Monstro do Pântano são apenas folhas que estão iludidas que são um homem. Meses depois, Moore definiria que o Monstro do Pântano é, na verdade, um elemental que surge na Terra obedecendo à uma bizarra cadeia de acontecimentos.

Os números 22 a 50 de The Saga of Swamp Thing deveria ser leitura básica de qualquer fanboy que se preze. A saga Gótico Americano, por si só é uma leitura fantástica com seus lobisomens, zumbis e vampiros contados de uma maneira nova. É inclusive desta época uma frase-chavão de Moore: "Todas as histórias já foram narradas, o talento consiste em narrá-las de uma nova maneira para este nova platéia".

Neste período é introduzido no DCU um personagem sarcástico, canalha e convencido, o mago inglês John Constantine, que devido ao sucesso ganharia uma série própria "John Constantine, Hellblazer" (1987) iniciado por Jamie Delano, outro artista inglês.

Recentemente em 2004, Keanu Reeves (ator de Matrix) estrelou uma adaptação para o cinema do personagem.

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