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Vertigo, o selo de terror e fantasia da DC Comics, Parte 2

A invasão britânica
Nesta mesma época houve a invasão britânica, ou pelo menos, ela ficou visível, já que desde 1983 com "Camelot 3000" já havia indicíos do quê viria a acontecer.

Explico:
sentindo que os autores americanos não sabiam narrar histórias de terror ou mesmo histórias que inovassem, Karen Berger, editora da DC Comics, foi à Inglaterra e trouxe um lote de artistas que entre 1985-1990, fizeram a cabeça do mainstream dos quadrinhos, e conseguiram prêmios para a editora, além de criar toda uma tendência de mercado.

Certamente, hoje, o mais conhecido artista inglês trago por Berger neste período é Neil Gaiman (de Sandman, iniciado em 1989), mas vale lembrar que quando Mr. Gaiman chegou Moore vá havia feito "O que aconteceu com o homem do amanhã?", "Para o homem que tem tudo", "A piada mortal", "Watchmen", “V de Vingança” e já estava encerrando sua participação na série do Monstro do Pântano.

Surge então embrião da Vertigo, as séries Swamp Thing, John Constantine, Hellblazer e Sandman que formariam o centro do universo Vertigo.

O surgimento, por fim

Em 1993, percebendo que um lote de séries tinham em comum a mesma editora (Karen Berger) e as temáticas não usuais, a DC Comics lança o seu selo englobando as séries, existentes, e algumas novas.

Em janeiro de 1993 a DC Comics transformou uma série de títulos de temáticas distinta, geralmente histórias de horror, misticismo e adultas em um universo à parte do DCU (DC Universe, sigla que refere-se ao universo compartilhado pelos grandes heróis da DC).

A partir de então, este títulos, quase todos editados por Karen Berger, que se tornou editora de grupo, tiveram acentuados suas distinções do universo padrão (o DCU) ainda que existissem no mesmo universo de um modo geral. Seria algo como viver às bordas do Universo DC tradicional.

As séries mensais e os títulos começaram a apresentarem um tarja vertical transparente do lado esquerdo da capa com o selo da linha Vertigo e uma advertência (Suggested for matude readers – Sugerido para leitores adultos).

Nesta época a linha abrangeu os seguintes títulos: Shade, the changing man a partir do # 33, Hellblazer a partir do # 63, Sandman a partir do # 47, Animal Man a partir do # 57, Swamp Thing a partir do # 129 e Doom Patrol a partir do # 64.

Além destes surgiram as séries Death, the high cost of living (em 3 partes), Enigma (em 8 partes), Sandman Mystery Theatre (série mensal), Mercy (uma graphic novel), Kid Eternity (uma série mensal com o personagem apresentado na minissérie em 6 partes), Sebastian O (em 3 partes), Black Orchid (nova série mensal com a personagem da famosa série de Neil Gaiman & Dave McKean).

Com o lançamento deste selo a DC começou a alocar várias séries de outras temáticas para o selo, algumas sendo apenas publicadas pela DC mas com os direitos de autor pertencendo aos criadores (Mercy e Sebastian O são exemplos, e logo se juntaria Os Invisíveis e Preacher), ou ainda republicações de séries da DC (Livros da Magia foi republicado) ou mesmo histórias de autor que foram lançados por outras editoras (Moonshadow de JM De Matteis & J. Jon Muth, publicada originalmente pelo selo Epic da Marvel é um exemplo).

Dezenas de séries e personagens já passaram pelo selo, alguns migrando como Transmetropolitan que surgiu no selo Helix (selo de ficção científica que teve vida curta) e com o cancelamento do selo migrou para o Vertigo.

Curiosamente de todas as séries mensais que existiam quando o selo surgiu somente Hellblazer ainda é publicada. Sandman terminou após 75 edições, Sandman Mistery Theatry terminou em 70 edições, Shade, the changing man durou 77, Swamp Thing durou 171, Animal Man, Doom Patrol, Black Orchid, Kid Eternity também seguiram o mesmo caminho, mas somente Sandman foi cancelada por problemas com o roteirista, que acreditou já ter esgotado as possiblidades com o personagem, o restante foi cancelado por não fazer volumes de vendas. Até mesmo Preacher e Transmetropolitan, que sempre foram sucessos de críticas e de vendas tem seus fins programados, ainda que nestes casos os autores admitam retornarem aos personagens para graphic novels, edições especiais ou minisséries.

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