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Scans, a legalidade

Ainda que os sites deixem claro que não cobram pela tradução e que encorajam os leitores a apagarem os arquivos após 24 horas, é claro que o conteúdo da história em todos os seus aspectos é de propriedade apenas da editora ou dos autores.

No Brasil, país de baixa moralidade, onde se aceita facilmente a sexualização da infância, a corrupção dos políticos e a pirataria de cd’s e dvd’s, os scans apenas se acomodaram. Mas diferente da pirataria de cd’s e dvd’s não existe ninguém ganhando com este tipo de trabalho – e acredite dá trabalho e muito!

As tiragens
Na época da EBAL, Aizen cancelava revistas que vendiam próximo ou menos que 100 mil cópias. Há anos a Abril, Panini e Mythos trabalham com tiragens que dificilmente alcançam as 10 mil cópias.

Certamente o preço é muito competitivo. A Panini oferece 100 páginas nacionais com quatro histórias das séries americanas por R$ 7,90, enquanto a Mythos oferece as 100 páginas de Tex à R$ 6,50 e a Abril tem linhas Disney de R$ 1,00!

Existem erros claros, como a excelente idéia do Tex em Cores que veio a R$ 24,00. Mesmo com formato diferenciado é difícil a manutenção da série.

Num universo onde as editoras lutam para venderem 10 mil cópias quaisquer 100, 200, 500 ou 1.000 adquiridas gratuitamente no formato scan faz falta.

Para piorar muitos lançamentos recentes estão disponíveis para os fãs no dia seguinte ao lançamento!

A excelente série The Walking Dead tem seus atuais 68 números traduzidos, enquanto a editora nacional HqManiacs está publicando o quarto encadernado e aproximando de concluir o segundo ano da publicação.

Nas grandes editoras é possível encontrar toda a série “A noite mais densa” (o evento do ano da DC Comics) com edição com data de capa de fevereiro de 2.010!

Da Marvel, sem dificuldade alguma é possível encontrar tudo de Vingadores – A queda para cá!

Mesmo séries com uma temática hermética como Planetary, que exige-se um prévio conhecimento de cultura, ficção científica e tecnologia para se entender e apreciar na totalidade tem todas as suas 27 edições disponíveis.

Os argumentos
Existem vários argumentos com que os responsáveis se defendem. Nenhum deles é válido por que o conteúdo das revistas que disponibilizam pertence a uma empresa privada.

Não é o mesmo que emprestar uma revista, pois o alcance é muito maior, e enquanto uma revista de papel jamais conseguiria alcançar 100 empréstimos, uma edição de uma série esperada atinge no mínimo um mil pessoas.

Alguns falam em fazer uma biblioteca digital. Nos EUA há projetos como o “DC Comics Chronology” e o “Marvel Comics Chronology” disponibilizando, via torrents, simplesmente todas as edições de todas as séries destas editoras. Este tipo de scan traz, inclusive propagandas da época.

Ainda que no início seja um pouco complicado encontrar algumas séries, tendo domínio de inglês e paciência para esperar o download – alguns arquivos pouco solicitados têm poucas fontes de torrent – é possível ter uma coleção completíssima de tudo que sua editora preferida já publicou.

No Brasil a moda pegou em termos e o acervo de publicação da Bloch e EBAL, além de várias editoras menores que publicaram material americano está sendo restaurado e disponibilizado. Existem até projetos com séries nacionais de terror, como a memorável Calafrio.

Um bom argumento, ainda que, torno a repetir, inválido, já que o conteúdo das revistas é exclusivamente de seus proprietários, é no que se refere às séries encerradas há anos ou décadas. Boas séries do passado como Marvel Two In One ou de gosto extremamente duvidoso como Vingadores – A travessia, que certamente não seriam nunca publicadas por aqui, já estão disponíveis neste formato.

No entanto, falta um senso crítico de se auto-limitar, já que os sites de scans lançam séries como Capitão América Renasce, Superman – Novo Krypton, O Cerco (evento da Marvel), Vingadores Sombrios, além das já citadas A noite mais densa e The Walking Dead, que estão disponíveis em bom português com tradução da última edição publicada nos EUA.

Certamente é um banho de água fria nos editores que esperam lucrar com a venda destas revistas por aqui em 2.010.

Seria inocência supor que as editoras, contabilizando o fator scan já não calculassem o preço de suas edições com esta informação. Se a expectativa antes era vender 15 mil exemplares, talvez seja mais realista calcular a venda de apenas 8 mil.

O ciclo não para. Com quadrinhos mais caros, mais pessoas desistem de ler o material e se divertem apenas com a cópia digital, de custo zero. As editoras então aumentam novamente para manterem suas margens de lucro e mais leitores se afastam e as editoras aumentam e mais...

Espero que possa fazer uma análise dessa situação em dezembro de 2.019.

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