Superman: À prova de balas (2015)
A
sensação que fica quando se termina a leitura de SUPERMAN: À
PROVA DE BALAS é a de decepção! E é uma sensação que
começou a se arrastar lá atrás, por volta do meio da edição.
A
edição da Panini Comics é um tijolo de 680 páginas que
reúne Action Comics #01-18; a edição #0 e
Action Comics Annual #01 e mostra a repaginada série
inaugural do homem de aço agora sob a bandeira do reboot intitulado
Os Novos 52, que
reiniciou o Universo DC em 2011 e fez profundas alterações em
especial no Superman e Liga da Justiça – em contrapartida Batman
e Lanterna Verde
tiveram a continuidade mantida.
Grant
Morrison derrama alguns conceitos interessantes no primeiro arco,
especialmente até a edição #9 onde apresenta um Superman
presidente dos EUA em uma Terra alternativa… hum, eu falei que ele
é negro?
Depois
disso é um marasmo em costurar uma improvável história que envolve
mágicos e princesas da 5º dimensão. No meio uma confusão para
mostrar que Clark Kent em algum momento fingiu sua morte, que o
Superman morreu enfrentando o Super-Apocalipse (um Superman de
outra Terra alternativa! Precisa?) e a perda dos pais humanos em uma
história de viajantes do tempo. Perdidos na trama temos a Legião
dos Super-Heróis (clássica) e o Capitão Cometa, este
numa trama digna de livro B de sci-fi mas deslocado
aqui.
A
arte de Rags Morales casa bem com o tom da série, mas ele tem
vários fill-in para auxiliá-lo. Em vários momentos ouço
ecos de Tom Strong e outras obras de Alan Moore. Aí eu paro e
penso como a indústria está canibalizando o autor inglês. Será
Morrison ou a infinitas interferências editoriais da DC Comics?
Diferente
do quê fez em GRANDES ASTROS: SUPERMAN, talvez uma ode de
amor ao personagem, Grant Morrison produz um material que será
facilmente esquecido. Memorável e divertido são as duas, talvez
três primeiras aventuras, com um jovem Clark Kent/Superman
infringindo a lei e tentando solucionar todas as mazelas do mundo.
Depois tudo se torna uma confusão e os responsáveis esquecem do
essencial: divertir!
Uma
pena!
* * *
Considerando
o preço praticado por OS INVISÍVEIS do mesmo Grant
Morrison, mas extremamente hermética, À PROVA DE BALAS foi
desnecessariamente caro. A Panini praticou o preço de R$24,00 em
média para uma edição que reúne oito aventuras da série THE
INVISIBLES com a encadernação em capa mole (entre o outono e
primavera de 2014). As 25 edições da primeira série americana teve
o custo final de cerca de R$ 72,00, dividido em três encadernados,
enquanto À PROVA DE BALAS tem preço sugerido de R$ 158,00 e só em
alguns sites é possível preços diferenciados. Depois de
pesquisar e me decidir por R$ 110,00 encontrei na FNAC a R$ 94,00,
60% do preço sugerido.
Apesar
de extras típicos da era da Wizard/Wizmania com comentários das
primeiras edições, falta uma entrevista em que Morrison explique
por que decidiu trabalhar daquela maneira.
No
fim é uma edição decepcionante e cara.
Superman:
À Prova de Balas (2015), reúne Action Comics #01-18; 0 e Action
Comics Annual #01 (2011-2012). Texto de Grant Morrison, Sholly
Fisch, arte de Rags Morales, Brad Walker, Andy
Kubert, Cullin Hamner, Gene Ha, Brent Anderson
e outros. ISBN 978-85-8368-072-7.
O Superman da Terra-23
Se
existe algo divertido e relevante em SUPERMAN: À PROVA DE BALAS
(Panini Comics, 2015) além do uniforme de Clark Kent nas primeiras
edições é Calvin Ellis, o presidente dos EUA e o Superman…
da Terra-23.
A
prova de que o uniforme é divertido é que a DC o está utilizando
(com adaptações) no semi-reboot que está construindo neste momento
nos EUA. Já Calvin Ellis consegue ser divertido, interessante e
politicamente ativo. Seu personagem é o resultado do “endurecimento”
do Clark Kent que Grant Morrison nos apresentou: ele é o presidente
dos EUA e decide tomar o destino do mundo em suas mãos, fazendo
aquilo que crê ser correto. É assim, um misto de Hiperion de Poder
Supremo (cadê o encadernado Panini?), com o Superman dos anos
1970/80 e parte do radicalismo presente no texto de Morrison na
versão Superman do Universo Os Novos 52. Talvez a DC não tenha
deixado o autor brincar o suficiente com seu Clark e ele tenha
decidido criar um universo paralelo para dar vazão.
É
bom?
Esta
é uma pergunta difícil. O Superman da Terra-23 surgiu em Action
Comics #09 e teve direito a história principal e também a história
backup da edição. Depois retornou em The Multiversity #01.
Como personagem de edição única e série, mostra-se interessante.
Algo que me lembra da série dos Positrônicos de Isaac Asimov:
alguém que passa a guiar a humanidade levemente, mas sem o
radicalismo de tomar o poder e sem as consequências destes atos.
Mas
a DC tem histórico em arruinar seus personagens. E afinal todo dia é
dia de a DC Comics fazer algo errado.
Veremos.
Os mortos-vivos volume 14: Sem saída (2014)
Há
um momento em que toda série cansa e parece não progredir com a
mesma força. A partir daí as situações são repetitivas e ecoam o
quê já vimos. Às vezes o eco é sutil, às vezes forte. Os
mortos-vivos chegou neste ponto para mim. As tramas são
desdobramentos, alguns sutis, outros nem tanto, de tramas anteriores,
estendidas e com trajetórias distintas.
Ainda
assim Sem saída o arco das edições The walking dead
#79-84 é bom, pois nos mostra até onde Rick Grimmes está
disposto a chegar para manter aqueles que lhe são caros, e mais
importante: quem são esses!
Imperceptivelmente
também corre a questão das semelhanças entre Rick e o Governador,
melhores exploradas nas temporadas quatro e cinco da série de TV.
A
edição trabalha o conceito de horda que surgiu nos volumes
anteriores (veja volumes 10, 11, 12 e 13)
e mostra que os andarilhos são atraídos por sons, especialmente de
tiros que se propagam. Aqui uma horda invade a cidade que vivia em
relativa paz e autonomia e o grupo é separado em diversos grupos.
Rick decide fugir e abandonar, mas um evento o faz perceber que é
importante ficar e estabelecer uma posição.
A
partir daí ele percebe que é possível fazer frente a praga zumbi.
Mas quanto de sua humanidade ele perdeu no caminho? E a perda da
edição, será possível superar?
Os
mortos-vivos volume 14: Sem saída, março de 2014. Tradução de
The walking dead #79-84. Escrito por Robert Kirkman, lápis e
nanquim Charlide Adlard, tons de cinza Cliff Rathburn.
HqM Editora. ISBN 978-85-998-5980-3.
Marco Polo (Netflix, 2014)
[Trama]
Marco
Polo (Lorenzo Richelmy), genovês, é um jovem que não
conhece o pai em viagem desde antes do seu nascimento (e que não
tinha conhecimento da existência do rapaz) e que crê que viverá
aventuras com seu pai viajante quando este retornar. Assim que se
encontram e partem para a China, Marco é deixado por seu pai e tio
na corte do mongol Kublai Khan (Benedict Wong), o khan
dos khans, neto de Gengis Khan e fundador da Dinastia
Yuan (1271-1368).
Praticamente
vendido como uma mercadoria, já que ficou na corte enquanto seu pai
obtinha permissão para negociar no império do khan, Polo
terá que provar seu valor de diversas formas e vezes. Terá que se
provar para o vice-rei Yusuf (Amr Waked), para o
ciumento Príncipe Jingim (Remy Hii) e o ministro das
finanças Ahmad (Mahesh Jadu), apesar de conseguir um
bom relacionamento com Byamba (Uli Latukefu) um
bastardo de Kublai e a amizade verdadeira com o monge cego Hundred
Eyes (Tom Wu, preferi deixar em inglês pela conotação
que o som de “cem olhos” teria em português para um personagem
cego).
Marco
ganha confiança do khan e aparentemente sua amizade, mas é
posto em cheque em diversas ocasiões. Numa o pai retorna e
contrabandeia o bicho da seda e ele é envolvido, sendo acusado de
traição. Noutra se envolve com a “princesa azul” Kokachin
(Zhu Zhu), com quem se enamora e descobre ser uma das servas
da verdadeira Kokachin que se suicidou. Ao longo da trama a
“princesa” será prometida como segunda esposa ao Príncipe
Jingim, filho de Kublai e sua imperatriz Chabi, um jovem fraco
que deseja se provar diante do pai, por sinal o mote da temporada:
filhos que desejam provar aos pais o valor. A partir do momento em
que passa a habitar no palácio de Kublai, Marco tem treinamento
marcial com Hundred Eyes e será enviado em várias
missões de modo a agir como conselheiro e estrategista. É ele que
descobre a traição de um dos irmãos de Kublai – o quê humilha
Jingim que não conseguiu perceber a ameaça – mas falha ao fazer
um relato incorreto da muralha que circunda a sede do poder Song, a
cidade murada.
A
grande trama da temporada é a tentativa do chanceler Jia Sidao
(Chin Han) em manter a Dinastia Song no poder a todo
custo. Sidao mata embaixadores de seu próprio reino que negociam a
paz a mando da imperatriz-mãe, mata a própria e não hesita em
explorar da prostituição da irmã Mei Lin (Olivia Cheng),
primeiro como concubina do imperador Song, de quem tem uma filha e
depois concubina infiltrada no harém de Kublai Khan, a quem mataria.
[Opinião]
Escrito
e criado por John Fusco a série de dez episódios
disponibilizada em 12 de dezembro de 2.014 pelo serviço Netflix,
teve uma recepção morna e
demora a pegar. Recebeu críticas acerca de não ser empolgante. É
um fato. Tem um início confuso, como de uma história contada a
partir do segundo capítulo. Claro que há a questão de domínio
territorial e o conflito de mongóis e chineses, mas falta algo para
situar melhor o conflito entre Kublai e Sidao. A motivação é o
poder, mas não há uma apresentação adequada dos personagens. Não
fica claro a razão de tanto conflito familiar na família de Kublai,
que enfrenta o irmão em duelo e bane um primo que não aceita
marchar sob sua bandeira, depois de algumas derrotas. Novamente a
questão é o poder, mas com o irmão a trama não é dissecada
adequadamente e com o primo a história fica truncada.
O
primeiro terço da temporada é lento. As paisagens são bonitas, mas
não convence a fácil ascensão de um europeu no Império Mongol.
Ou melhor não convence a quase instantânea simpatia do khan
por ele em contrapartida da antipatia de grande parte de sua corte.
Porém
é uma temporada com dez episódios, então as coisas têm que ter
velocidade. Assim a metade final da temporada melhora bastante a
ação, os conflitos, os mistérios e tem um óbvio, mas bem
explorado gancho para a segunda temporada, confirmada em pelo serviço
em um anúncio em 7 de janeiro de 2015.








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