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quinta-feira, 9 de abril de 2015
Superman: À prova de balas (2015)

A sensação que fica quando se termina a leitura de SUPERMAN: À PROVA DE BALAS é a de decepção! E é uma sensação que começou a se arrastar lá atrás, por volta do meio da edição.

A edição da Panini Comics é um tijolo de 680 páginas que reúne Action Comics #01-18; a edição #0 e Action Comics Annual #01 e mostra a repaginada série inaugural do homem de aço agora sob a bandeira do reboot intitulado Os Novos 52, que reiniciou o Universo DC em 2011 e fez profundas alterações em especial no Superman e Liga da Justiça – em contrapartida Batman e Lanterna Verde tiveram a continuidade mantida.

Grant Morrison derrama alguns conceitos interessantes no primeiro arco, especialmente até a edição #9 onde apresenta um Superman presidente dos EUA em uma Terra alternativa… hum, eu falei que ele é negro?

Depois disso é um marasmo em costurar uma improvável história que envolve mágicos e princesas da 5º dimensão. No meio uma confusão para mostrar que Clark Kent em algum momento fingiu sua morte, que o Superman morreu enfrentando o Super-Apocalipse (um Superman de outra Terra alternativa! Precisa?) e a perda dos pais humanos em uma história de viajantes do tempo. Perdidos na trama temos a Legião dos Super-Heróis (clássica) e o Capitão Cometa, este numa trama digna de livro B de sci-fi mas deslocado aqui.

A arte de Rags Morales casa bem com o tom da série, mas ele tem vários fill-in para auxiliá-lo. Em vários momentos ouço ecos de Tom Strong e outras obras de Alan Moore. Aí eu paro e penso como a indústria está canibalizando o autor inglês. Será Morrison ou a infinitas interferências editoriais da DC Comics?

Diferente do quê fez em GRANDES ASTROS: SUPERMAN, talvez uma ode de amor ao personagem, Grant Morrison produz um material que será facilmente esquecido. Memorável e divertido são as duas, talvez três primeiras aventuras, com um jovem Clark Kent/Superman infringindo a lei e tentando solucionar todas as mazelas do mundo. Depois tudo se torna uma confusão e os responsáveis esquecem do essencial: divertir!

Uma pena!


* * *

Considerando o preço praticado por OS INVISÍVEIS do mesmo Grant Morrison, mas extremamente hermética, À PROVA DE BALAS foi desnecessariamente caro. A Panini praticou o preço de R$24,00 em média para uma edição que reúne oito aventuras da série THE INVISIBLES com a encadernação em capa mole (entre o outono e primavera de 2014). As 25 edições da primeira série americana teve o custo final de cerca de R$ 72,00, dividido em três encadernados, enquanto À PROVA DE BALAS tem preço sugerido de R$ 158,00 e só em alguns sites é possível preços diferenciados. Depois de pesquisar e me decidir por R$ 110,00 encontrei na FNAC a R$ 94,00, 60% do preço sugerido.

Apesar de extras típicos da era da Wizard/Wizmania com comentários das primeiras edições, falta uma entrevista em que Morrison explique por que decidiu trabalhar daquela maneira.

No fim é uma edição decepcionante e cara.


Superman: À Prova de Balas (2015), reúne Action Comics #01-18; 0 e Action Comics Annual #01 (2011-2012). Texto de Grant Morrison, Sholly Fisch, arte de Rags Morales, Brad Walker, Andy Kubert, Cullin Hamner, Gene Ha, Brent Anderson e outros. ISBN 978-85-8368-072-7.

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O Superman da Terra-23

Se existe algo divertido e relevante em SUPERMAN: À PROVA DE BALAS (Panini Comics, 2015) além do uniforme de Clark Kent nas primeiras edições é Calvin Ellis, o presidente dos EUA e o Superman… da Terra-23.

A prova de que o uniforme é divertido é que a DC o está utilizando (com adaptações) no semi-reboot que está construindo neste momento nos EUA. Já Calvin Ellis consegue ser divertido, interessante e politicamente ativo. Seu personagem é o resultado do “endurecimento” do Clark Kent que Grant Morrison nos apresentou: ele é o presidente dos EUA e decide tomar o destino do mundo em suas mãos, fazendo aquilo que crê ser correto. É assim, um misto de Hiperion de Poder Supremo (cadê o encadernado Panini?), com o Superman dos anos 1970/80 e parte do radicalismo presente no texto de Morrison na versão Superman do Universo Os Novos 52. Talvez a DC não tenha deixado o autor brincar o suficiente com seu Clark e ele tenha decidido criar um universo paralelo para dar vazão.

É bom?

Esta é uma pergunta difícil. O Superman da Terra-23 surgiu em Action Comics #09 e teve direito a história principal e também a história backup da edição. Depois retornou em The Multiversity #01. Como personagem de edição única e série, mostra-se interessante. Algo que me lembra da série dos Positrônicos de Isaac Asimov: alguém que passa a guiar a humanidade levemente, mas sem o radicalismo de tomar o poder e sem as consequências destes atos.

Mas a DC tem histórico em arruinar seus personagens. E afinal todo dia é dia de a DC Comics fazer algo errado.


Veremos.







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Os mortos-vivos volume 14: Sem saída (2014)

Há um momento em que toda série cansa e parece não progredir com a mesma força. A partir daí as situações são repetitivas e ecoam o quê já vimos. Às vezes o eco é sutil, às vezes forte. Os mortos-vivos chegou neste ponto para mim. As tramas são desdobramentos, alguns sutis, outros nem tanto, de tramas anteriores, estendidas e com trajetórias distintas.

Ainda assim Sem saída o arco das edições The walking dead #79-84 é bom, pois nos mostra até onde Rick Grimmes está disposto a chegar para manter aqueles que lhe são caros, e mais importante: quem são esses!

Imperceptivelmente também corre a questão das semelhanças entre Rick e o Governador, melhores exploradas nas temporadas quatro e cinco da série de TV.

A edição trabalha o conceito de horda que surgiu nos volumes anteriores (veja volumes 10, 11, 12 e 13) e mostra que os andarilhos são atraídos por sons, especialmente de tiros que se propagam. Aqui uma horda invade a cidade que vivia em relativa paz e autonomia e o grupo é separado em diversos grupos. Rick decide fugir e abandonar, mas um evento o faz perceber que é importante ficar e estabelecer uma posição.

A partir daí ele percebe que é possível fazer frente a praga zumbi. Mas quanto de sua humanidade ele perdeu no caminho? E a perda da edição, será possível superar?


Os mortos-vivos volume 14: Sem saída, março de 2014. Tradução de The walking dead #79-84. Escrito por Robert Kirkman, lápis e nanquim Charlide Adlard, tons de cinza Cliff Rathburn. HqM Editora. ISBN 978-85-998-5980-3.
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Marco Polo (Netflix, 2014)

[Trama]
Marco Polo (Lorenzo Richelmy), genovês, é um jovem que não conhece o pai em viagem desde antes do seu nascimento (e que não tinha conhecimento da existência do rapaz) e que crê que viverá aventuras com seu pai viajante quando este retornar. Assim que se encontram e partem para a China, Marco é deixado por seu pai e tio na corte do mongol Kublai Khan (Benedict Wong), o khan dos khans, neto de Gengis Khan e fundador da Dinastia Yuan (1271-1368).

Praticamente vendido como uma mercadoria, já que ficou na corte enquanto seu pai obtinha permissão para negociar no império do khan, Polo terá que provar seu valor de diversas formas e vezes. Terá que se provar para o vice-rei Yusuf (Amr Waked), para o ciumento Príncipe Jingim (Remy Hii) e o ministro das finanças Ahmad (Mahesh Jadu), apesar de conseguir um bom relacionamento com Byamba (Uli Latukefu) um bastardo de Kublai e a amizade verdadeira com o monge cego Hundred Eyes (Tom Wu, preferi deixar em inglês pela conotação que o som de “cem olhos” teria em português para um personagem cego).

Marco ganha confiança do khan e aparentemente sua amizade, mas é posto em cheque em diversas ocasiões. Numa o pai retorna e contrabandeia o bicho da seda e ele é envolvido, sendo acusado de traição. Noutra se envolve com a “princesa azul” Kokachin (Zhu Zhu), com quem se enamora e descobre ser uma das servas da verdadeira Kokachin que se suicidou. Ao longo da trama a “princesa” será prometida como segunda esposa ao Príncipe Jingim, filho de Kublai e sua imperatriz Chabi, um jovem fraco que deseja se provar diante do pai, por sinal o mote da temporada: filhos que desejam provar aos pais o valor. A partir do momento em que passa a habitar no palácio de Kublai, Marco tem treinamento marcial com Hundred Eyes e será enviado em várias missões de modo a agir como conselheiro e estrategista. É ele que descobre a traição de um dos irmãos de Kublai – o quê humilha Jingim que não conseguiu perceber a ameaça – mas falha ao fazer um relato incorreto da muralha que circunda a sede do poder Song, a cidade murada.

A grande trama da temporada é a tentativa do chanceler Jia Sidao (Chin Han) em manter a Dinastia Song no poder a todo custo. Sidao mata embaixadores de seu próprio reino que negociam a paz a mando da imperatriz-mãe, mata a própria e não hesita em explorar da prostituição da irmã Mei Lin (Olivia Cheng), primeiro como concubina do imperador Song, de quem tem uma filha e depois concubina infiltrada no harém de Kublai Khan, a quem mataria.

[Opinião]
Escrito e criado por John Fusco a série de dez episódios disponibilizada em 12 de dezembro de 2.014 pelo serviço Netflix, teve uma recepção morna e demora a pegar. Recebeu críticas acerca de não ser empolgante. É um fato. Tem um início confuso, como de uma história contada a partir do segundo capítulo. Claro que há a questão de domínio territorial e o conflito de mongóis e chineses, mas falta algo para situar melhor o conflito entre Kublai e Sidao. A motivação é o poder, mas não há uma apresentação adequada dos personagens. Não fica claro a razão de tanto conflito familiar na família de Kublai, que enfrenta o irmão em duelo e bane um primo que não aceita marchar sob sua bandeira, depois de algumas derrotas. Novamente a questão é o poder, mas com o irmão a trama não é dissecada adequadamente e com o primo a história fica truncada.

O primeiro terço da temporada é lento. As paisagens são bonitas, mas não convence a fácil ascensão de um europeu no Império Mongol. Ou melhor não convence a quase instantânea simpatia do khan por ele em contrapartida da antipatia de grande parte de sua corte.


Porém é uma temporada com dez episódios, então as coisas têm que ter velocidade. Assim a metade final da temporada melhora bastante a ação, os conflitos, os mistérios e tem um óbvio, mas bem explorado gancho para a segunda temporada, confirmada em pelo serviço em um anúncio em 7 de janeiro de 2015.
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