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Os mortos-vivos volume 12: Cercados pelos vivos (2013)


[Trama]
Cai por terra a farsa do centro de comando em Washington: Eugene é um simples professor que lutava para parecer importante e manter-se vivo. Havia mentido para que o grupo o protegesse.

Em seguida Rick e seu grupo são recrutados para uma comunidade de sobreviventes e assim que aceitos, tem dificuldades em viver em um grupo de pessoas.

[Opinião]
Observe atentamente a página 24 deste encadernado. É um divisor de águas. Podemos dizer, sem sombra de dúvida que The Walking Dead vai do número 1 ao 67 e depois há o restante.

Não quero dizer que a série se tornará inferior. Mas o primeiro ciclo termina e a partir de agora inicia um segundo ciclo que é a reconstrução da civilização. Woodbury não era a reconstrução da civilização pois mantinha em vista o mundo apocalíptico em que vivia. Era fácil lembrar disso com sua arena e seu líder. Alexandria, nos arredores de Washington, realmente parece uma comunidade normal.

Isto é que choca! E ao leitor é um pisão brusco no pedal de freio. Nós estávamos acostumados a um outro padrão e Kirkman altera levemente as regras do jogo. Não posso dizer que gostei.

O volume reúne as edições The Walking Dead #67-72. A edição #67 é sobre a mentira de Eugene, daí para frente é chegar em Washington (eles chegam na edição #69), mas o foco é aceitar o rastreador Aaron e depois a vida na cidade.

Rick, no entanto é Rick. Convidado pelo líder de Alexandria e ex-congressista Douglas Monroe para ser um “agente” um equivalente a policial, nosso velho e desconfiado sobrevivente começa de imediato a construir planos de tomar o poder a partir do primeiro momento em que as coisas deem errado! Andrea e Glenn estão a par de suas maquinações.

Há situações em aberto e algumas fechadas. Carl e Rick conversam sobre o que motivou o menino a matar o Ben e acertam suas diferenças. Carl, tão endurecido pelos catorze meses que passou, tem dificuldades de conviver com as crianças da comunidade. Teme que este período no conforto vá amolecer o grupo. O mesmo temor compartilhado por Abraham, Rosita e Andrea.

A questão da pouca ameaça dos zumbis volta novamente – na página 12 – quando Glenn diz que bastava empurrar o zumbi para fugir dele. Nos últimos três encadernados esta trama secundária tenta estabelecer um novo nível de risco para os mortos-vivos. Seriam perigosos apenas em grandes grupos e em ataques repentinos. O risco agora são os vivos. Definitivamente!

Uma das situações em aberto se referem à comunidade. Há uma clara disputa de poder e já houve uma ovelha negra – Davidson. Nem todos estão realmente felizes com o fato de um grupo de doze pessoas ser inserido em uma comunidade de quarenta. É uma questão estratégica. Uma dúzia de pessoas unidas podem tomar o poder. Outra questão é que o arco é focado na comunidade, na chegada, na ambientação, mas pouco sobre como eles vivem e o quê fazem os homens armados fora da comunidade. Rick inclusive nota isto ao comentar com Andrea: “Você deu uma boa olhada nessas pessoas? Eles mandam os mais perigosos deles lá fora para trabalhar na construção de muros todos os dias. Se algum dia tentarem nos expulsar, só precisamos tomar esse lugar e fazer dele nosso.

Mas o quê virá pela frente será uma segunda página quando comparado ao período em que eram apenas nômades enfrentando zumbis e garantido a sobrevivência edição a edição.

[Em tempo]
Há uma dúvida sobre a data exata. A dúvida não é razoável para mim. A série não faz menções a alguns apetrechos tecnológicos atuais, mas como foi citado um gameboy em um dos episódios anteriores, é plausível que se passa após a segunda metade dos anos 1.990. Neste arco Douglas cita a internet como local de informações, o quê ajuda a cimentar que a série se passe neste intervalo de tempo, após o surgimento e quando a rede mundial já havia recebido este papel de informativo e ampliador de fuxico.

Então é também plausível que as pessoas tenham relógios digitais que tenham baterias que duram dois, três ou quatro anos. Se Rick e seu grupo estão errando a catorze meses é possível que alguém tenha um relógio desses, ou que seja encontrado e confirme a data. Diálogos que reforçam que todos não sabem com precisão a data me entristecem. Outro detalhe é que se há painéis solares em Alexandria que permite o uso de eletricidade. Então também é plausível que alguém tenha trago um computador para utilizar nos registros. A bateria que alimenta as placas-mãe não teria se esgotado em catorze meses.

Se a preocupação é sobre um pulso eletromagnético – estamos extrapolando – há sempre a memória de Alfred em The Dark Knight Returns (1986) e confiando no seu relógio de pulso. Estes relógios mais antigos não necessitavam de baterias.

Insistir que não se sabe o dia é meio que incômodo. O ser humano tem uma necessidade de saber exatamente onde está e que dia é. Acho, inclusive que haveria um grupo de sobreviventes empenhado em encontrar o maior número de relógios para determinar o dia e hora exata. Mas o autor não pensa assim.

Os mortos-vivos volume 12: Cercados pelos vivos, junho de 2013. HqM Editora. ISBN 978-85-998-5968-1. Texto de Robert Kirkman, lápis e finais Charlie Adlard e tons de cinza de Cliff Rathburn.

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