Wild Cards vol 1: O começo de tudo

Eu conheci o conceito de
Wild Cards quando conheci a Devir Livraria e passei a
acompanhar publicações importados, RPGs e, por extensão, as
publicações da Editora Globo
em um momento em que
abandonava a infância e iniciava realmente a adolescência.
O conceito geral da
série, assim como na série animada Caverna dos Dragões
(Dungeons & Dragons) era dar vida literária à narrativa
feita por um grupo de jogadores de RPG – Role Playing Game.
Entre os componentes deste grupo George R R Martin, que na
década de 2010 ficaria mundialmente famoso depois que seu épico
literário, As crônicas de gelo & fogo, foi adaptado para
a TV pelo canal HBO como Game of Thrones.
A trama do primeiro
volume cobre um período que vai de dias antes de 15 de setembro de
1946, até um obscuro período punk posterior à 1976, sendo
fácil dizer que chega à década de 1980. A narrativa é construída
por contos, noveletas ou novelas de prestigiados (e desconhecidos em
sua maioria) autores de ficção que narram como a chegada do vírus
carta selvagem alterou ou influenciou a vida de seus personagens.
[A trama]
Em 15/09/1946,
apesar da tentativa do príncipe alienígena Tachyon de
impedir a liberação do vírus carta selvagem em nossa atmosfera,
ele é liberado sobre Manhattan alterado o código genético
dos contaminados. 90% morrem imediatamente! Os sobreviventes, na
razão de 9 para 1, tornam “curingas” e “ases”.
Os curingas são seres
humanos deformados: trombas onde havia nariz, pele invisível que
mostra músculos, bílis sangue; tornar-se um animal ou parte animal,
com a adição de cascos, chifres. Os ases são aqueles que
adquiriram habilidades que não os afastam do público e poderiam
passar por humanos, escondendo, caso desejem suas habilidades. Dentre
estes últimos há ainda os “dois de paus”, não
deformados que adquiriram habilidades pouco práticas ou ridículas.
Cada conto narra como o
vírus carta selvagem afetou uma pessoa ou um grupo e as escolhas que
esta pessoa ou grupo tomaram a partir daí. Porém diferente de um
constante recomeço em 1.946, as narrativas se aproximam rapidamente
da contemporaneidade (os anos 1980), mostrando pessoas que quando
iniciam as narrativas já possuem as habilidades há anos.
Colando tudo a presença
do Dr Tachyon e sua responsabilidade com os afetados.
[Impressões]
A trama tem uma qualidade
superior à sopa primordial de inspiração, os quadrinhos. Os
personagens parecem tridimensionais: em um o adolescente de 14 anos
que perdeu o pai decide a vida de crime como maneira de sustentar a
família; noutro um personagem não se furta a violentar um cadáver
masculino para conseguir respostas pois seu poder é ligado ao
intercurso sexual, e num aspecto geral o universo ficcional deixa bem
claro que a segregação é parte da vida das pessoas que foram
contaminadas direta ou indiretamente (herança genética) em 15 de
setembro de 1946.
Ao trabalhar com falhas
(ou com um triplo 6 nos dados) temos
“heróis” plausíveis como Jetboy, Fortunato, Croyd
e especialmente o príncipe Tachyon e suas escolhas que
envergonhariam os heróis tradicionais pela riqueza e clareza. Os
personagens em Wild Cards tomam decisões que eu tomaria e fazem
escolhas menos nobres, que diante daquelas situações eu faria. Para
mim é mais tridimensional que um vigilante sombrio cercado de
meninos e garotas em trajes aberrantes e combatendo um palhaço
irrecuperável que mata dezenas a cada fuga da prisão.
Wild Cards vol 1: O
começo de tudo (2013), Leya, ISBN 978-85-8044-510-7,
tradução de Wild Cards – the book that started it all, editado
por George R R Martin.
Wild Cards vol 1: O começo de tudo, as histórias
Título
|
Autor
|
Personagem (ns)
|
Prólogo
|
George R R Martin
|
Tachyon, um príncipe alienígena
|
Trinta minutos sobre a Broadway!
|
Howard Waldrop
|
Robert “Bobby” Tomlin, o Jetboy.
|
O dorminhoco
|
Roger Zelazny
|
Croyd Crenson
|
Testemunha
|
Walter Jon Williams
|
Archibald Holmes; Jack Braun, Earl Sanderson Jr.,
David Harstein, Blythe Stanhope Van Renssaeler – os Quatro Ases;
Dr. Tachyon
|
Ritos de Degradação
|
Melinda M. Snodgrass
|
Dr. Tachyon e Blythe Stanhope Van Renssaeler
|
Capitão Cátodo e o Ás Secreto
|
Michael Cassutt
|
Karl von Kampen
|
Powers
|
David D. Levine
|
Franciszek Majewski
|
O jogo da carapaça
|
George R R Martin
|
Thomas Tudbury (O Tartaruga); Dr Tachyon
|
A noite longa e obscura de Fortunato
|
Lewis Shiner
|
Fortunato.
Participação: CC Ryder
|
Transfigurações
|
Victor Milán
|
Mark Meadows
|
Bem Fundo
|
Edward Bryant e Leanne C. Harper
|
Rosemary Muldoon; Nômada; CC Ryder; Jack Esgoto
|
Fios
|
Stephen Leigh
|
Senador Gregg Hartmann, Dr Tachyon, Sondra Falin
(Súcubo), Tom Miller (Gimli)
|
A garota fantasma conquista Manhattan
|
Carrie Vaughn
|
Jennifer e Croyd Crenson
|
Chega o caçador
|
John J Miller
|
Brennan, o arqueiro Yeoman.
|
Interlúdios e Apêndices
|
George R R Martin
|
Marvel's Agents of SHIELD [1X04] - Eye Spy

Exibido originalmente em 15/10/2013, o quarto episódio da série de TV derivada do universo cinematográfico da Marvel Comics apresenta a trama de uma agente que, capturada por forças inimigas, recebeu um implante ocular e age seguindo a agenda de seu captor, que aqui deseja invadir uma base na Bielorússia.
Invariavelmente Coulson tem um histórico anterior com ela e decise "resgatá-la", escondendo relatório do QG da SHIELD apesar da oposição de Melinda.
O episódio tem excelente ritmo, boa dose de mistério e uso de tecnologia. Na área de mistério reforça que o inimigo da SHIELD tem tecnologia de ponta e que algo muito sério aconteceu com Coulson, já que Akela Amadour (Pascale Armand) a agente desaparecida, avisa fortemente que ele está muito diferente.

Ao manter o interesse neste binômio (o quê realmente aconteceu com Coulson e um inimigo misterioso cheio de recursos) a série continua no caminho seguro, sem arriscar muito, mas conseguindo construir um histórico para a série.
Invariavelmente Coulson tem um histórico anterior com ela e decise "resgatá-la", escondendo relatório do QG da SHIELD apesar da oposição de Melinda.
O episódio tem excelente ritmo, boa dose de mistério e uso de tecnologia. Na área de mistério reforça que o inimigo da SHIELD tem tecnologia de ponta e que algo muito sério aconteceu com Coulson, já que Akela Amadour (Pascale Armand) a agente desaparecida, avisa fortemente que ele está muito diferente.

Ao manter o interesse neste binômio (o quê realmente aconteceu com Coulson e um inimigo misterioso cheio de recursos) a série continua no caminho seguro, sem arriscar muito, mas conseguindo construir um histórico para a série.
Judge Dredd: Total War
Eu tenho uma certa
resistência a história curtas. Criado na “cultura” de
quadrinhos norte-americana, um dia me disseram que as histórias
longas eram mais elaboradas e fiquei com esta impressão. Claro que
tramas picotadas como “Terra Devastada” e as histórias de
Marvel Comics Presents não ajudaram a tirá-la.
Um dia eu passei a
acreditar piamente que história boa tinha, obrigatoriamente, de ser
história longa.
Estava enganado, é
claro.
* * *
Meu primeiro contato com
“a lei” foi nos encontros com personagens da DC Comics,
os quatro com Batman e o encontro com Lobo. Eram
divertidos e produzido por uma equipe que conhecia ambos os
personagens (Alan Grant & John Wagner), mas
essencialmente eram histórias dos personagens da DC Comics em
ambientes estranhos ou paródias do comportamento obsessivo de ambos
os personagens.
Então ironicamente no
ano em que a população começou a ocupar as ruas para protestar e
invariavelmente iniciou um processo de antipatização com os
policiais militares dos grandes centros urbanos do Brasil, temos a
estreia em uma série mensal em formato magazine do Juiz Dreed. E não
posso deixar de pensar em como o juiz trataria os manifestantes.
As edições #1-5
da série da Mythos Editora trazem dois arcos relacionados:
Total War (2000 AD #1408-1419, 2004) e After the
bombs (2000 AD #1420-1422, 2005). No primeiro um grupo
terrorista ameaça explodir artefatos nucleares em Mega City a
menos que os juízes abdiquem de suas funções. Quando chegam às
vias de fato e explodem um setor, os juízes abrem mão de suas
funções publicamente durante a investigação e captura dos
responsáveis, que já se encontram divididos. É um engôdo para
manter as aparências, uma maquiagem para manter a ordem. Muito
semelhante ao processo decisório dos mandatários de plantão em
algumas cidades brasileiras.
O segundo arco, menor,
trata da recuperação de uma das terroristas que se torna cognitiva
após ser ferida nos ataques atômicos. Envolvendo perseguição e
captura, a história mostra a crueldade dos agentes policiais ao
manter um fragmento de metal no crânio da terrorista, pois é a
única maneira de manter seus recém-adquiridos dons.
De pano de fundo uma
tragédia familiar envolvendo o destino de um clone, Nimrod, e
da sobrinha de Dreed, Vienna. Roteiro de John Wagner e
arte de Henry Flint (Total War) e Jason Brashill (After
the bombs).
Diante de um mercado sem
muitas opções nas séries mensais, Juiz Dredd
Megazine e Escalpo (na série Vertigo da Panini
Comics) brilham nas bancas, trazendo um material que não finge
ser adulto mas que procura oferecer soluções diferentes daquelas
que já se mostram esgotadas em infinitas repetições e
reformulações.
Vale a pensa acompanhar.
Justice League, The Satellite Years 1976
Em 1.976 a coisa não
melhora muito para a Liga da Justiça da América, a principal
equipe de heróis da DC Comics. Talvez o motivo seja as
histórias com tramas que não ganham credibilidade. De qualquer modo
a entrada de Gerry Conway traz de volta a Mulher Maravilha
e dá espaço para o Lanterna Verde e o aspecto cósmico da
equipe, algo como o único time de combatentes do universo, capaz de
fazer seres de outros mundos contactá-los. Ao mesmo tempo as
aventuras de cunho social perdem espaço. Ainda estão lá, já bem
diluídas no contexto da aventura. Outro ponto positivo é que as
aventuras passam a ser narradas em duas ou três partes, trazendo, em
geral, tramas mais elaboradas, ainda que exageradas como a aversão
ao dinheiro em papel ou alienígenas que observam e aprendem com a
humanidade, nem sempre coisas boas.
Mas vamos lá.
O ano começa com Justice
League of America #126 (jan/1976) onde temos “The Evil
Connection!” de Gerry Conway, Dick Dillin e Frank
McLaughlin que dá continuidade à trama da última edição do
ano anterior (veja ano anterior aqui). Nesta edição o Armeiro
Chefe Kiman resgata Duas Caras da Liga, mas o vilão
estranhamente auxilia os heróis ao instalar um dispositivo que
sobrecarrega os justiceiros, permitindo-os derrotar os qwardianos.
Claro que a Liga percebe que esta sobrecarga põe a Terra em risco
com este resultado e se entrega, permitindo sua derrota.
Derrotando os heróis, o
circuito entra em curto e param de sugar energias do universo dos
dronndarians, encerrando o risco ao nosso universo. Não me
empolguei.
Em fevereiro a edição
#127 traz The command is “Chaos!” com a mesma
equipe de produção. A Liga enfrenta The Anarchist e seus
agentes que sequestram alguns delegados das Nações Unidas.
Seria uma aventura simples com confrontos em dois momentos e vitória
da equipe no final. Mas Conway introduz que o principal antagonista
está se alimentando de energias da bateria do Lanterna Verde e
sugestionando Hal Jordan a recarregá-la obrigatoriamente a
cada 24 horas. O conceito geral poderia ser melhor aproveitado.
De complemento um vilão
chamado O Anarquista que tem sonhos de domínio global e a pouco
sutil crítica aos primeiros TV preachers, aqui embalada em um
mágico com uma fé muito forte e se revela o vilão da trama. Por
favor, não peça para aprofundar na questão de como se suga a
energia da bateria.
As edições #128-129
trazem “Death-visions of the Justice League!” e “The
Earth dies screaming!” uma aventura em duas partes por Martin
Pasko, D. Dillin e Frank McLaughlin. Apresenta o retorno da
Mulher Maravilha à equipe, logo após a edição #222 da série
regular da personagem. Nekron, um vilão alienígena, expõe
os membros da LJA aos seus maiores medos e eles decidem desativar a
equipe, mas a derrota na mão do vilão, o retorno da heroína e uma
ameaça à Midway City, lar do Gavião Negro, leva a
aventura para a edição seguinte, onde o Campeão Alado trabalha
amarrado no laço de amazona, que impede que seu medo reja seus atos
e assim, obedeça a heroína, salvando a cidade que adotou como lar.
A trama é bem
rocambolesca e chega a envolver de forma direta um Guardião do
Universo e estabelecer um tipo especial de medo (“D-Fear,
the terror that men radiate in the face of death”). Em
determinado momento Tornado Vermelho se sacrifica ao auxiliar
Gavião Negro e Mulher Maravilha, mas evidentemente as tramas de
destruição do androide são muitas e esta são se sobressai. Então
os heróis enfraquecem Nekron em uma longa batalha e ele, enganado,
absorve D-Fear do Superman para se alimentar. Tem uma overdose e
entra em colapso, sendo derrotado.
A edição #130
(maio) traz a aventura “Skyjack at 22,300 miles!” com a
mesma equipe de produção anterior, que mostra uma ameaça
alienígena que se fundiu ao Flash e Gavião Negro
quando eles acionam o teletransportador para irem para o satélite. A
história serve para explicar a forma como foi construído o Satélite
e é um dos “an untold tale from the Justice League of America
Casebook” e se passa após o término da construção, chegando
a mostrar o Superman mostrando esquemas de distribuição de salas e
andares para os companheiros. Na aventura, Gavião narra como
construiu o satélite utilizando tecnologia kryptoniana e
thanagariana e foi auxiliado pelo Superman e Lanterna Verde.

No geral a aventura é focada no confronto com os híbridos criados pelos heróis fundidos, e por isso lembra um pouco à estrutura do filme A mosca (1986, portanto dez anos depois da publicação desta aventura), que por sua vez era uma releitura de um longa chamado A mosca da cabeça branca, que narrava uma experiência onde o cientista troca sua cabeça com a de uma mosca. Curiosamente a cabeça do dharlu que ocupa o corpo de Flash chama bastante a atenção.
As edições #131-132
trazem “The beasts who thought like men” e “The
beasts who fought like men!” novamente com Gerry Conway, D.
Dillin e F. McLaughlin, onde uma praga contamina o dinheiro forçando
os americanos a passarem a utilizar o dinheiro de plástico (cartão
de crédito) que tem secretamente embutido um dispositivo de
Sonar (→ Green Lantern #14) que domina os americanos
e animais, com o auxílio de Abelha Rainha.
A trama não convence,
mas na segunda edição troca as explicações demasiadas por ação,
melhorando e incluindo a Supergirl (que levará ao mistério
inicial da próxima edição) e confirmando um espaço privilegiado
para o Lanterna Verde nas narrativas.
Em agosto a edição #133
traz “Missing-- One man of steel!” com a mesma equipe de
produção. Aqui o Superman é levado a um mundo distante,
para, junto com um androides com a aparência dos membros da Liga
enfrentar a ameaça de Despero (→ Justice League of
America #01). Derrotado o homem de aço e seus androides, resta
aos alienígenas convocarem a verdadeira Liga na edição seguinte
(#134) em “The battle at the Edge of Forever!”, mas
uma outra raça (os Krill) sequestra os antagonistas para um
jogo cósmico.
Outubro inicia o team-up
com a Sociedade da Justiça
e que irá até o
encerramento do ano. A edição #135 traz Crisis in
Eternity!, um cross-over da Liga da Justiça, da Sociedade
e do “Shazam's Squadron of Justice” que reúne heróis da
Terra-S como Capitão Marvel, Mary Marvel,
Capitão Marvel Jr, Bulletgirl, Bulletman, Ibis
the invincible, Mr. Scarlet, Pinky e Spy
Smasher. Por E. Nelson Bridwell & Martin Pasko, Dick
Dillin & Frank McLaughlin. A segunda edição do cross-over
traz “Crisis on Earth-S!” e leva a conclusão para a
terceira parte na edição #137 com “Crisis in Tomorrow!”
Como já resenhei todos os encontros não irei me repetir. Veja aqui
a resenha do evento.
The Satellite Years
|
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Ano
|
Edições
|
#78-86
|
|
#87-95
|
|
#96-103
|
|
#104-108
|
|
#109-114
|
|
#115-125
|
|
1976
|
#126-137
|

































































