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quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Wild Cards vol 1: O começo de tudo


Eu conheci o conceito de Wild Cards quando conheci a Devir Livraria e passei a acompanhar publicações importados, RPGs e, por extensão, as publicações da Editora Globo em um momento em que abandonava a infância e iniciava realmente a adolescência.

O conceito geral da série, assim como na série animada Caverna dos Dragões (Dungeons & Dragons) era dar vida literária à narrativa feita por um grupo de jogadores de RPG – Role Playing Game. Entre os componentes deste grupo George R R Martin, que na década de 2010 ficaria mundialmente famoso depois que seu épico literário, As crônicas de gelo & fogo, foi adaptado para a TV pelo canal HBO como Game of Thrones.

A trama do primeiro volume cobre um período que vai de dias antes de 15 de setembro de 1946, até um obscuro período punk posterior à 1976, sendo fácil dizer que chega à década de 1980. A narrativa é construída por contos, noveletas ou novelas de prestigiados (e desconhecidos em sua maioria) autores de ficção que narram como a chegada do vírus carta selvagem alterou ou influenciou a vida de seus personagens.

[A trama]
Em 15/09/1946, apesar da tentativa do príncipe alienígena Tachyon de impedir a liberação do vírus carta selvagem em nossa atmosfera, ele é liberado sobre Manhattan alterado o código genético dos contaminados. 90% morrem imediatamente! Os sobreviventes, na razão de 9 para 1, tornam “curingas” e “ases”.

Os curingas são seres humanos deformados: trombas onde havia nariz, pele invisível que mostra músculos, bílis sangue; tornar-se um animal ou parte animal, com a adição de cascos, chifres. Os ases são aqueles que adquiriram habilidades que não os afastam do público e poderiam passar por humanos, escondendo, caso desejem suas habilidades. Dentre estes últimos há ainda os “dois de paus”, não deformados que adquiriram habilidades pouco práticas ou ridículas.

Cada conto narra como o vírus carta selvagem afetou uma pessoa ou um grupo e as escolhas que esta pessoa ou grupo tomaram a partir daí. Porém diferente de um constante recomeço em 1.946, as narrativas se aproximam rapidamente da contemporaneidade (os anos 1980), mostrando pessoas que quando iniciam as narrativas já possuem as habilidades há anos.

Colando tudo a presença do Dr Tachyon e sua responsabilidade com os afetados.

[Impressões]
A trama tem uma qualidade superior à sopa primordial de inspiração, os quadrinhos. Os personagens parecem tridimensionais: em um o adolescente de 14 anos que perdeu o pai decide a vida de crime como maneira de sustentar a família; noutro um personagem não se furta a violentar um cadáver masculino para conseguir respostas pois seu poder é ligado ao intercurso sexual, e num aspecto geral o universo ficcional deixa bem claro que a segregação é parte da vida das pessoas que foram contaminadas direta ou indiretamente (herança genética) em 15 de setembro de 1946.

Ao trabalhar com falhas (ou com um triplo 6 nos dados) temos “heróis” plausíveis como Jetboy, Fortunato, Croyd e especialmente o príncipe Tachyon e suas escolhas que envergonhariam os heróis tradicionais pela riqueza e clareza. Os personagens em Wild Cards tomam decisões que eu tomaria e fazem escolhas menos nobres, que diante daquelas situações eu faria. Para mim é mais tridimensional que um vigilante sombrio cercado de meninos e garotas em trajes aberrantes e combatendo um palhaço irrecuperável que mata dezenas a cada fuga da prisão.

Wild Cards vol 1: O começo de tudo (2013), Leya, ISBN 978-85-8044-510-7, tradução de Wild Cards – the book that started it all, editado por George R R Martin.
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 Wild Cards vol 1: O começo de tudo, as histórias


O volume 1 de Wild Cards é composto pelas seguintes narrativas:
Título
Autor
Personagem (ns)
Prólogo
George R R Martin
Tachyon, um príncipe alienígena
Trinta minutos sobre a Broadway!
Howard Waldrop
Robert “Bobby” Tomlin, o Jetboy.
O dorminhoco
Roger Zelazny
Croyd Crenson
Testemunha
Walter Jon Williams
Archibald Holmes; Jack Braun, Earl Sanderson Jr., David Harstein, Blythe Stanhope Van Renssaeler – os Quatro Ases; Dr. Tachyon
Ritos de Degradação
Melinda M. Snodgrass
Dr. Tachyon e Blythe Stanhope Van Renssaeler
Capitão Cátodo e o Ás Secreto
Michael Cassutt
Karl von Kampen
Powers
David D. Levine
Franciszek Majewski
O jogo da carapaça
George R R Martin
Thomas Tudbury (O Tartaruga); Dr Tachyon
A noite longa e obscura de Fortunato
Lewis Shiner
Fortunato.
Participação: CC Ryder
Transfigurações
Victor Milán
Mark Meadows
Bem Fundo
Edward Bryant e Leanne C. Harper
Rosemary Muldoon; Nômada; CC Ryder; Jack Esgoto
Fios
Stephen Leigh
Senador Gregg Hartmann, Dr Tachyon, Sondra Falin (Súcubo), Tom Miller (Gimli)
A garota fantasma conquista Manhattan
Carrie Vaughn
Jennifer e Croyd Crenson
Chega o caçador
John J Miller
Brennan, o arqueiro Yeoman.
Interlúdios e Apêndices
George R R Martin


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sábado, 19 de outubro de 2013
Marvel's Agents of SHIELD [1X04] - Eye Spy

Exibido originalmente em 15/10/2013, o quarto episódio da série de TV derivada do universo cinematográfico da Marvel Comics apresenta a trama de uma agente que, capturada por forças inimigas, recebeu um implante ocular e age seguindo a agenda de seu captor, que aqui deseja invadir uma base na Bielorússia.

Invariavelmente Coulson tem um histórico anterior com ela e decise "resgatá-la", escondendo relatório do QG da SHIELD apesar da oposição de Melinda.

O episódio tem excelente ritmo, boa dose de mistério e uso de tecnologia. Na área de mistério reforça que o inimigo da SHIELD tem tecnologia de ponta e que algo muito sério aconteceu com Coulson, já que Akela Amadour (Pascale Armand) a agente desaparecida, avisa fortemente que ele está muito diferente.

Ao manter o interesse neste binômio (o quê realmente aconteceu com Coulson e um inimigo misterioso cheio de recursos) a série continua no caminho seguro, sem arriscar muito, mas conseguindo construir um histórico para a série.
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quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Judge Dredd: Total War

Eu tenho uma certa resistência a história curtas. Criado na “cultura” de quadrinhos norte-americana, um dia me disseram que as histórias longas eram mais elaboradas e fiquei com esta impressão. Claro que tramas picotadas como “Terra Devastada” e as histórias de Marvel Comics Presents não ajudaram a tirá-la.

Um dia eu passei a acreditar piamente que história boa tinha, obrigatoriamente, de ser história longa.

Estava enganado, é claro.

* * *

Meu primeiro contato com “a lei” foi nos encontros com personagens da DC Comics, os quatro com Batman e o encontro com Lobo. Eram divertidos e produzido por uma equipe que conhecia ambos os personagens (Alan Grant & John Wagner), mas essencialmente eram histórias dos personagens da DC Comics em ambientes estranhos ou paródias do comportamento obsessivo de ambos os personagens.

Então ironicamente no ano em que a população começou a ocupar as ruas para protestar e invariavelmente iniciou um processo de antipatização com os policiais militares dos grandes centros urbanos do Brasil, temos a estreia em uma série mensal em formato magazine do Juiz Dreed. E não posso deixar de pensar em como o juiz trataria os manifestantes.

As edições #1-5 da série da Mythos Editora trazem dois arcos relacionados: Total War (2000 AD #1408-1419, 2004) e After the bombs (2000 AD #1420-1422, 2005). No primeiro um grupo terrorista ameaça explodir artefatos nucleares em Mega City a menos que os juízes abdiquem de suas funções. Quando chegam às vias de fato e explodem um setor, os juízes abrem mão de suas funções publicamente durante a investigação e captura dos responsáveis, que já se encontram divididos. É um engôdo para manter as aparências, uma maquiagem para manter a ordem. Muito semelhante ao processo decisório dos mandatários de plantão em algumas cidades brasileiras.

O segundo arco, menor, trata da recuperação de uma das terroristas que se torna cognitiva após ser ferida nos ataques atômicos. Envolvendo perseguição e captura, a história mostra a crueldade dos agentes policiais ao manter um fragmento de metal no crânio da terrorista, pois é a única maneira de manter seus recém-adquiridos dons.

De pano de fundo uma tragédia familiar envolvendo o destino de um clone, Nimrod, e da sobrinha de Dreed, Vienna. Roteiro de John Wagner e arte de Henry Flint (Total War) e Jason Brashill (After the bombs).

Diante de um mercado sem muitas opções nas séries mensais, Juiz Dredd Megazine e Escalpo (na série Vertigo da Panini Comics) brilham nas bancas, trazendo um material que não finge ser adulto mas que procura oferecer soluções diferentes daquelas que já se mostram esgotadas em infinitas repetições e reformulações.

Vale a pensa acompanhar.








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terça-feira, 15 de outubro de 2013
Justice League, The Satellite Years 1976

Em 1.976 a coisa não melhora muito para a Liga da Justiça da América, a principal equipe de heróis da DC Comics. Talvez o motivo seja as histórias com tramas que não ganham credibilidade. De qualquer modo a entrada de Gerry Conway traz de volta a Mulher Maravilha e dá espaço para o Lanterna Verde e o aspecto cósmico da equipe, algo como o único time de combatentes do universo, capaz de fazer seres de outros mundos contactá-los. Ao mesmo tempo as aventuras de cunho social perdem espaço. Ainda estão lá, já bem diluídas no contexto da aventura. Outro ponto positivo é que as aventuras passam a ser narradas em duas ou três partes, trazendo, em geral, tramas mais elaboradas, ainda que exageradas como a aversão ao dinheiro em papel ou alienígenas que observam e aprendem com a humanidade, nem sempre coisas boas.

Mas vamos lá.
O ano começa com Justice League of America #126 (jan/1976) onde temos “The Evil Connection!” de Gerry Conway, Dick Dillin e Frank McLaughlin que dá continuidade à trama da última edição do ano anterior (veja ano anterior aqui). Nesta edição o Armeiro Chefe Kiman resgata Duas Caras da Liga, mas o vilão estranhamente auxilia os heróis ao instalar um dispositivo que sobrecarrega os justiceiros, permitindo-os derrotar os qwardianos. Claro que a Liga percebe que esta sobrecarga põe a Terra em risco com este resultado e se entrega, permitindo sua derrota.

Derrotando os heróis, o circuito entra em curto e param de sugar energias do universo dos dronndarians, encerrando o risco ao nosso universo. Não me empolguei.

Em fevereiro a edição #127 traz The command is “Chaos!” com a mesma equipe de produção. A Liga enfrenta The Anarchist e seus agentes que sequestram alguns delegados das Nações Unidas. Seria uma aventura simples com confrontos em dois momentos e vitória da equipe no final. Mas Conway introduz que o principal antagonista está se alimentando de energias da bateria do Lanterna Verde e sugestionando Hal Jordan a recarregá-la obrigatoriamente a cada 24 horas. O conceito geral poderia ser melhor aproveitado.

De complemento um vilão chamado O Anarquista que tem sonhos de domínio global e a pouco sutil crítica aos primeiros TV preachers, aqui embalada em um mágico com uma fé muito forte e se revela o vilão da trama. Por favor, não peça para aprofundar na questão de como se suga a energia da bateria.

As edições #128-129 trazem “Death-visions of the Justice League!” e “The Earth dies screaming!” uma aventura em duas partes por Martin Pasko, D. Dillin e Frank McLaughlin. Apresenta o retorno da Mulher Maravilha à equipe, logo após a edição #222 da série regular da personagem. Nekron, um vilão alienígena, expõe os membros da LJA aos seus maiores medos e eles decidem desativar a equipe, mas a derrota na mão do vilão, o retorno da heroína e uma ameaça à Midway City, lar do Gavião Negro, leva a aventura para a edição seguinte, onde o Campeão Alado trabalha amarrado no laço de amazona, que impede que seu medo reja seus atos e assim, obedeça a heroína, salvando a cidade que adotou como lar.

A trama é bem rocambolesca e chega a envolver de forma direta um Guardião do Universo e estabelecer um tipo especial de medo (“D-Fear, the terror that men radiate in the face of death”). Em determinado momento Tornado Vermelho se sacrifica ao auxiliar Gavião Negro e Mulher Maravilha, mas evidentemente as tramas de destruição do androide são muitas e esta são se sobressai. Então os heróis enfraquecem Nekron em uma longa batalha e ele, enganado, absorve D-Fear do Superman para se alimentar. Tem uma overdose e entra em colapso, sendo derrotado.

A edição #130 (maio) traz a aventura “Skyjack at 22,300 miles!” com a mesma equipe de produção anterior, que mostra uma ameaça alienígena que se fundiu ao Flash e Gavião Negro quando eles acionam o teletransportador para irem para o satélite. A história serve para explicar a forma como foi construído o Satélite e é um dos “an untold tale from the Justice League of America Casebook” e se passa após o término da construção, chegando a mostrar o Superman mostrando esquemas de distribuição de salas e andares para os companheiros. Na aventura, Gavião narra como construiu o satélite utilizando tecnologia kryptoniana e thanagariana e foi auxiliado pelo Superman e Lanterna Verde.

No geral a aventura é focada no confronto com os híbridos criados pelos heróis fundidos, e por isso lembra um pouco à estrutura do filme A mosca (1986, portanto dez anos depois da publicação desta aventura), que por sua vez era uma releitura de um longa chamado A mosca da cabeça branca, que narrava uma experiência onde o cientista troca sua cabeça com a de uma mosca. Curiosamente a cabeça do dharlu que ocupa o corpo de Flash chama bastante a atenção.

As edições #131-132 trazem “The beasts who thought like men” e “The beasts who fought like men!” novamente com Gerry Conway, D. Dillin e F. McLaughlin, onde uma praga contamina o dinheiro forçando os americanos a passarem a utilizar o dinheiro de plástico (cartão de crédito) que tem secretamente embutido um dispositivo de Sonar (→ Green Lantern #14) que domina os americanos e animais, com o auxílio de Abelha Rainha.

A trama não convence, mas na segunda edição troca as explicações demasiadas por ação, melhorando e incluindo a Supergirl (que levará ao mistério inicial da próxima edição) e confirmando um espaço privilegiado para o Lanterna Verde nas narrativas.

Em agosto a edição #133 traz “Missing-- One man of steel!” com a mesma equipe de produção. Aqui o Superman é levado a um mundo distante, para, junto com um androides com a aparência dos membros da Liga enfrentar a ameaça de Despero (→ Justice League of America #01). Derrotado o homem de aço e seus androides, resta aos alienígenas convocarem a verdadeira Liga na edição seguinte (#134) em “The battle at the Edge of Forever!”, mas uma outra raça (os Krill) sequestra os antagonistas para um jogo cósmico.

Outubro inicia o team-up com a Sociedade da Justiça e que irá até o encerramento do ano. A edição #135 traz Crisis in Eternity!, um cross-over da Liga da Justiça, da Sociedade e do “Shazam's Squadron of Justice” que reúne heróis da Terra-S como Capitão Marvel, Mary Marvel, Capitão Marvel Jr, Bulletgirl, Bulletman, Ibis the invincible, Mr. Scarlet, Pinky e Spy Smasher. Por E. Nelson Bridwell & Martin Pasko, Dick Dillin & Frank McLaughlin. A segunda edição do cross-over traz “Crisis on Earth-S!” e leva a conclusão para a terceira parte na edição #137 com “Crisis in Tomorrow!” Como já resenhei todos os encontros não irei me repetir. Veja aqui a resenha do evento.

The Satellite Years
Ano
Edições
#78-86
#87-95
#96-103
#104-108
#109-114
#115-125
1976
#126-137
















































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