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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Justice League, The Satellite Years: 1971


1971 começou como terminou o ano anterior, muitas aventuras queriam mostrar os empresários como estúpidos gananciosos que não se importavam com a poluição, e como já vimos não raro eram alienígenas.


A edição #87 trouxe mais um exemplo na confusa trama “Batman-- King of the world”, uma trama especialmente bizarra. Dividida em duas partes a trama peca por atirar em várias direções e não se preocupar em contar uma história com início, meio e fim. Na primeira parte Batman & Gavião Negro são dominados mentalmente por robôs gigantescos e alienígenas no Peru. Era mês de visita de Zatanna (com cartola e meia arrastão) e os heróis enfrentam os robôs, que enlouqueceram o homem-morcego que por sua vez exige a morte dos colegas.

Resolvido a primeira parte na página 15 da edição – lembre-se que a média era 21 páginas – Lanterna Verde, Flash, Zatanna e Elektron vão para Cam-Nam-Lao (“a planet once dominated by highly competitive business corporations”) e lá enfrentam os Heróis de Angor, em um primeiro momento equivalentes genéricos dos heróis da Liga (Jack B. Quick, um velocista; Blue Jay, um humano em tamanho miniaturizado e com asas; Silver Sorceress, uma feiticeira e Wandjina, o deus aborígene australiano das chuvas), mas uma análise mais apurada nos mostra uma versão dos Vingadores, a equipe de heróis da editora rival.

Acreditando que a outra equipe é responsável pelos robôs há uma batalha, mas o fato de que Zatanna se preocupa com Blue Jay, ferido, faz com que os Heróis de Angor e a Liga encerrem a questão. Por Mike Friedrich, Dick Dillin & Joe Giella.

A edição #88 (março) trouxe “The Last Survivors of Earth!” onde uma nave vinda de Mu cria ameaças ligadas ao clima. A Liga falha em impedir estas ameaças, mas seres humanos comuns obtêm sucesso, mostrando que todos são especiais. Se a história em si não é muito significativa, Friedrich põe um ponto final do romance de Canário Negro & Batman, fazendo a moça dizer que o vê como um irmão e quem a atraia realmente era o Arqueiro Verde.

The most dangerous dreams of all!” (#89, maio) traz a história do escritor que sonha com os enredos de seus textos e rompe a barreira entre realidade e fantasia, pondo os heróis em risco. Apesar de um bom plot geral o desenvolvimento das histórias escritas por Friedrich era bem ruim, por um lado distante do padrão de bem versus mal, mas por outro, também usando e abusando de soluções deus ex machina.

Plague of the pale people” (#90, junho) mostra uma revolta das “pale people” no reino submarino de Aquaman. O príncipe Nebeur usa um gás criado pelos homens da superfície para fazer frente à Aquaman e seus amigos, mas a história ruma novamente para o conflito entre homem e a poluição e sobre a importância das pessoas comuns. Nesta altura eu já sinto falta dos conflitos maniqueístas padrão da indústria.

Esta falta não é suprida com o encontro da Liga & Sociedade da Justiça naquele ano. Justice League of America #91-92 (ago e set/1971) apresenta “Earth the monster-maker” e “Only someone who is unique to both Earths...” um dos piores encontros de verão que já li (veja o review aqui). 

Produzido pela equipe padrão da série, vale como curiosidade o fato que Kal-El e Kal-L eram retratados com a mesma fisionomia, sem nenhuma grande diferença. Outro fator interessante é que o Robin da Terra-1 (a “nossa” Terra) ganhou um novo uniforme, mas os meses fizeram que esta variação se tornasse o terceiro uniforme do seu equivalente na Terra-2.

A edição #93 (out-nov/1971) é um Giant Size que traz o reprint de Riddle of the Robot Justice League (#13, ago/1962) e Journey in the micro world (#18, mar/1963), ambas por Gardner Fox, Mike Sekowski e Bernard Sachs.

Em seguida temos “Where strikes Demonfang?” (#94, nov) por Mike Friedrich, Dick Dillin e Joe Giella.com algumas páginas com arte de Neal Adams. É, na verdade, um protótipo do tie-in moderno. Aqui tramas que estão ocorrendo em Batman se estendem para a série da Liga quando o Sensei, líder da Liga dos Assassinos, envia M'Naku e em seguida o arqueiro Merlyn para eliminar o homem-morcego. Ao mesmo tempo, Desafiador que tinha uma pista do possível crime, domina Aquaman e tenta auxiliar a equipe, mas evidentemente é descoberto pelo maior detetive da DC Comics.

O ano termina (#95, dez) com outra história de conteúdo social quando um soldado negro retorna da guerra e não encontra uma sociedade que o recebe de portas abertas. Mutante (olha aí, um mutante na DC) desenvolve o poder de controle de massas pela voz, torna-se um cantor típico da geração paz & amor, mas erros de avaliação o fazem enviar pessoas comuns contra os heróis. Percebendo seu erro, ordena que a turba dirija o ódio a ele e ferido, perde seu poder. Nesta época Friedrich já usava a última página para evidenciar a trama do número seguinte, algo que fez diversas vezes durante o ano. Arte de Dillin e Giella.

De um modo geral o melhor do ano seria a criação dos Heróis de Angor, que só teriam realmente importância para as tramas da Liga dezesseis anos depois na série Justice League de Keith Giffen, JM DeMatteis e Kevin Maguire e o tie-in com as tramas de Detective Comics/Batman e Brave and the Bold (a edição #94). De resto muitas tramas de apelo social dispostas a evidenciar as injustiças, a falta de preocupação dos empresários com a poluição e que, apesar de seu caráter dúbio, o ser humano comum é capaz de escolher o bem da maioria.

Sinceramente Friedrich não explorava o potencial do grupo como força de combate à grandes ameaças, como Os Vingadores da Marvel, que também tinham tramas de caráter humanista, mas rendiam-se facilmente à ação no padrão Marvel.


The Satellite Years
Ano
Edições
1970
1971
#87-95























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domingo, 24 de fevereiro de 2013
Elric: The stealer of souls (1962), o conto

Às vezes é necessário contextualizar bem algumas coisas para entender por que se deram daquela maneira. Os contos de Elric, personagem criado por Michael Moorcock, foram publicados em uma série de fantasia e sci-fi inglesa chamada Sciense Fantasy, uma antologia de contos. São escritos de um jovem autor, que chegava a produzir quinze mil toques em um único dia (!) e foram publicados quase que mensalmente na revista. Não havia uma preocupação real com a qualidade das aventuras, que em geral eram sempre muito boas, mas sempre havia um quê de repetição.

As repetições, são, é claro, maneiras de estabelecer uma comunicação para com todos os leitores, tanto aqueles que compraram todas as edições, como para aqueles que compraram pela primeira vez.

Elric, um homem exilado, está em um bar, um grupo contrata-o para um feito extraordinário, que em geral tem relação com seu passado que vive teimando em assombrá-lo. No caminho vive aventuras, realiza feitiços, mas normalmente seu caráter o põe em cheque em diversos momentos e sem uma inclinação natural para herói, torna-se não um vilão, mas um anti-herói, capaz de fazer escolhas que beneficiariam a ele, e não raro somente a ele. A maior lição que se fica é que ao se permitir manipular o oculto, Elric torna-se um títere nas mãos do oculto.

De um modo geral, o personagem de Michael Moorcock ajudou a cimentar e construir a essência do anti-herói, coisa que Robert E Howard já havia avançado bastante no início do século nos EUA. Suas histórias em reinos distantes e, em geral, bastante tridimensionais ajudou a cimentar a fantasia de aventura em pé de igualdade com Edgar Rice Burroughs. Ao mesmo tempo Moorcock, certamente impregnado por comparações à O senhor dos anéis de Tolkien decide fazer narrativas curtas, seja pela mídia no qual publicava seus contos, seja por que realmente não tinha paciência para escrever livros longos, cheios de passagens desimportantes.

Lembro de Mike Mayers, comediante responsável por Austin Powers, uma paródia de James Bond, explicar matematicamente em um documentário como era construído um filme de 007. Ele próprio satirizava a fórmula fácil que estava oferecendo ao documentarista, assim como Moorcock parece rir do leitor seguindo a fórmula também fácil do “era uma noite escura e tempestuosa em uma taverna no canto oeste dos reinos selvagens e homens de poder vieram a ter com o amargurado Elric”. Moorcock, diferente de Mayers e dos produtores de 007, consegue criar boas histórias partindo de um princípio quase sempre idêntico.

[A trama]
Tjhe stealer of souls (1962, publicado em Science Fantasy #51, fev) se passa cerca de quatro anos após The dreaming city, Elric e, por extensão, Mooglum são contratados por comerciantes para eliminar Nikorn de Ilmar, cujas estratégias de negócios estariam prejudicando-os. Elric aceita apenas quando o feiticeiro Theleb K'Aarna, que protege o comerciante, é mencionado. Este último, por sua vez, está apaixonado por Yishanna, rainha de um reino distante, que havia sido amante de Elric três anos antes. Derrotar Elric, seria para Theleb uma forma de ganhar a afeição da rainha e provar seu valor para seu empregador.

Elric reencontra as forças de Imrryr e Dyvim Tvar, que com alguma relutância aceita auxiliá-lo. K'Aarna invoca um demônio que não permite que Stormbringer sugue sua essência, alimentando, no processo, o príncipe almodiçoado. O processo na verdade é invertido e Elric tomba, é feito prisioneiro e tem sua espada retida.

Mas Nikorn, considerando que o príncipe não é uma ameaça o liberta. Fraco e à beira da morte, Elric envia Mooglum para um acordo secreto com Yishanna, o quê lhe permite retomar a sua espada.

Reenergizado, Elric ataca física e misticamente Theleb, que morre na batalha de tomada do castelo. No processo, infelizmente, Dyvin Tvar sucumbe, concretizando a tendência de que o príncipe albino é uma maldição a todos que o rodeiam.

Mas o detalhe pouco sutil fica por conta de Nikorn, a quem Elric tinha um débito de vida – a sua própria. Elric se recusa a matá-lo, mas é controlado por Stormbringer que assassina o comerciante. Note que apesar da ambiguidade de Elric, ele realmente sofre pelo assassínio de Nikorn.

A aventura termina com Elric e Mooglum juntos com a Rainha Yishanna, fazendo-nos supor da razão de que ela entregou a espada para o ex-amante.

O conto foi adaptado para os quadrinhos nas edições #1 e 2 da série Elric The Bane of the Black Sword, de 6 números, publicada pela First Comics a partir de agosto de 1.988. Os créditos da adaptação são de Roy Thomas, Mark Pacella e Nicholas Koening.














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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Messias de Duna

Tenho um certo horror a apêndices e esta é a sensação que fica ao ler Messias de Duna de Frank Herbert (Tradução Maria do Carmo Zanini, Editora Aleph, 2012, ISBN 978-85-7657-116-2): ele é um apêndice de Duna (veja aqui).

Messias de Duna (Dune Messiah) é o segundo livro de uma série de seis volumes escritos por Frank Herbert. Após a morte do autor a série teve retrocontinuidade em tramas escritas por Brian Herbert, filho de Frank, e por Kevin J. Anderson. A história de Dune Messiah foi serializada na revista Galaxy em 1.969 antes de ser publicada no formato livro, assim como a história de Children of Dune, o livro seguinte.

A trama principal deste livro é sobre uma conspiração da Guilda, dos Fremen e das Bene Gesserit contra o Imperador Muad'Dib, Paul Atreides. Não há um detalhe inovador nisso, nem com a introdução do ghola de Duncan Idaho, chamado Hyat. Explico: o ghola é a carne reanimada de alguém morto. Durante o livro surge e permanece a tensão que Hyat irá trair Paul, mas há o choque das quebras de destinos. Mesmo lendo o futuro, Muad'Dib não é capaz de compreendê-lo por todo e vários são os acontecimentos cujas estradas não foram previstas.

Apesar de curto, com apenas 215 páginas, o livro é um extenso tratado imperfeito sobre como os mitos se tornam mais importantes de que os fatos. Muad'Dib trouxe água para Arrakis e tornou o planeta o centro de seu império, mas terá que enfrentar inimigos que não são a força bruta dos Harkonnen, os vilões do primeiro volume. Estaria ele preparado para este jogo político? Estaria ele preparado para assumir um papel mítico nos fatos e se tornar um messias apenas, refém das lendas e mitos? E sua irmã, transformada em uma abominação ainda no ventre de sua mãe quando esta ingeriu a especiaria, seria capaz de assumir o papel esperado de uma Reverenda Madre Bene Gesserit?

Infelizmente o desenrolar não convence. É uma trama longa – ainda que, repito, um livro curto – onde todos são peões em um jogo cósmico. Funciona apenas como prelúdio do volume 3 de As crônicas de Duna, mas ao mesmo tempo demonstra que Frank Herbert poderia facilmente ter estendido a trama em conflitos militares nos doze anos de cronologia que separam Duna de Messias de Duna. Não quis certamente por não ser esta a história que desejava contar, mas se estranha que o tom messiânico seja usado apenas para dar um previsibilidade para os fatos. Nada surpreende em Messias de Duna e só há uma tensão legítima, quando muito, apenas para saber quando as coisas ocorrerão.

Acima de tudo é um livro de transição. Não funciona sozinho e só pode ser considerado um apêndice ou um prelúdio, não exatamente uma história. Infelizmente é uma obra menor, a ser lida apenas como um passo para ler a obra por completo.

De qualquer modo a Editora Aleph, famosa por publicar os romances de Star Trek nos anos 1.990, continua a sua missão de reeditar as obras de ficção científicas. Trouxe Isaac Asimov, com sua A Fundação e sequências, Phillip K. Dick, Edgar Rice Borroughs, entre outros. Concentrando-se em novas traduções de obras há muito fora do prelo, a editora foi criticada por alguns que argumentam que não há renovação. Mas a iniciativa da Aleph é louvável e cria condições para que em breve haja volumes realmente inéditos e narrativas recentes no mercado nacional. Basta que os leitores comprem.

Frank Herbert's Dune
(As Crônicas de Duna)
1
Dune (1965)
2
Dune Messiah (1969)
3
Children of Dune (1976)
4
God Emperor of Dune (1981)
5
Heretics of Dune (1984)
6
Chapterhouse: Dune (1985)

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GrimJack em StarSlayer

GrimJack surgiu como história de suporte em StarSlayer da First Comics, uma série produzida por Mike Grell. Sua primeira história foi na edição #10 e esteve na série até a edição #17, quando em seguida ocorreu o inevitável cross-over.

Criado por John Ostrander (texto) e Timothy Truman (arte), GrimJack é John Gaunt, um ex-soldado das Demon Wars que vive em Cynosure, onde tem um bar (MUNDEN'S BAR) no perigoso bairro Pit e tornou-se um mercenário de aluguel a quem esteja disposto a pagar seu preço. Cynosure, por sua vez está localizada em uma encruzilhada de dimensões, onde um bairro ou uma rua pode estar em uma dimensão com regras físicas distintas. Assim magia pode funcionar aqui e ali ou mesmo a ciência.

Mostrado como um homem amargo e maduro, na faixa de 50-60 anos, GrimJack tem um visual estiloso – jaquetas, capas, cachecol, boina e cicatrizes de batalhas – e uma moral ambígua, que o tornam um personagem vivo, palpável. Lembra para os leitores atuais em muitos momentos Wolverine, mas é com lembrar que quando foram produzidos as aventuras, o mutante da Marvel já era popular, mas não ao ponto de tudo imitá-lo.

Mortal Gods” (StarSlayer #10 e 11) mostra a busca de uma sacerdotisa por seu deus. Ela Elvanna, alta sacerdotisa dos kyrians, ele, o deus, conhecido como Manwyyes. Mal sabia ela que na dimensão de Cynosure ele não passava de um simples homem, triste e em fuga de suas responsabilidades. A ação fica por conta do confronto com um adorador de outro deus que deseja matar Manwyyes e sua sacerdotisa.

Buried Past” é uma trama mais elaborada. Um antigo companheiro, Mick Crocker, contrata GrimJack para matá-lo em definitivo, pois se tornou um vampiro, mas antes descobrir a trama em que se envolveu. Crocker, também mercenário, foi contratado para encontrar Miranda pelo pai da moça, mas se deparou com vampiros e traições. Com cinco capítulos, de StarSlayer #12-16 é uma excelente história que estende o interesse pelo personagem, com uma narrativa adequada, revelando os interesses políticos que norteiam as pessoas em Cynosure.

Já “Night of the Killer Bunnies” (edição #17) com finais de Bruce Patterson mostra GrimJack e seu chapa BlacJac auxiliando alguns funny animals contra um killer animals. Nenhuma novidade, mas como é curta é bastante divertida.

Para terminar “Blood and Thunder!”, mostra o nosso mercenário preferido sendo contratado para resgatar StarSlayer. Apesar da arte de Truman e do texto de Ostrander é uma aventura de StarSlayer e faz mais sentido se os leitores conhecerem a tripulação e as motivações da série. Mas como aventura de resgate funciona bem e mostra bem os valores de GrimJack, capaz de abrir mão de seu pagamento para não deixar.









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