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Poeira assentando

Em 1.985 Roy Thomas soube que a sua série All-Star Squadron não iria sofrer alterações com a reconstrução do Universo DC que ocorreria após a publicação da série Crise nas Infinitas Terras.

A série e os personagens de A-SS transcorriam na Terra-2, uma das Terras do Multiverso de então. Neste universo os super-heróis da DC surgiram nos anos 1939/1940 e a série contava aventuras que passavam em 1.941 fazendo retro-continuidade.

Thomas então viajou para a Europa com a esposa. Quando retornou descobriu que não poderia utilizar mais alguns personagens como Batman & Robin, Superman e Mulher-Maravilha. Logo a própria série seria cancelada para passar por uma reestruturação que visava adequar-se à nova realidade da editora: um só universo.

Neste novo universo a trindade só surgiria no início dos anos 1.980.

* * *

Paul Levitz e John Byrne procuraram uma maneira para explicar a existência de uma Legião dos Super-Heróis no século XXX. Afinal o grupo havia sido inspirado na lenda do Superboy, a identidade que o Superman utilizou quando adolescente.

Porém no novo universo DC o Superman não havia sido Superboy. John Byrne, o escritor contratado para reformular o homem de aço – junto com Marv Wolfman – preferiu aproximar-se do conceito original do herói e tirou a retro-cronologia do garoto de aço da história do kryptoniano, fato que assumidamente se arrependeu posteriormente.

Sem um Superboy, Levitz – escritor da Legião – e Byrne criaram o conceito do Universo Compacto criado por um vilão da equipe. Ficamos com um gosto ruim na boca. Gosto que se repetiu várias vezes naquele período, seja nas história do Gavião Negro ou nos adendos em Lanterna Verde.

Era um universo em construção e a poeira ainda não tinha assentado definitivamente.

Anos depois a editora mataria o homem do amanhã e apresentaria quatro novos Supermen. Um deles se transformaria no Superboy “definitivo”: um clone mal construído do Superman. Ambos, o kryptoniano e o clone, fizeram parte de Legiões distintas; o primeiro da Legião clássica e o segundo da Legião presente na série The Legion.

* * *

Em ambos os casos, de Roy Thomas ou de Paul Levitz & John Byrne, o tempo se encarregou de cuidar dos destroços, da poeira. Mark Waid chegou a dizer sobre o período que algo que era válido em uma semana talvez não fosse válido na semana seguinte.

Algumas histórias criadas em um primeiro momento se tornavam erros terríveis e eram esquecidos e refeitos, vide Poderosa.

Assim é com o Batman em Os Novos 52. O universo de super-heróis da DC Comics surgiu a apenas cinco anos antes do reboot de outubro de 2.011.

Alguém então se lembrou de perguntar como Batman teve quatro Robin em tão pouco tempo: Dick Graysson, Jason Todd, Tim Drake e Damian Wayne, entendendo que a Salteadora já havia sido retirada da lista.

Bobos. Assim como no período 1.987-2.011 basta escrever ou reescrever diálogos ou simplesmente ignorar a história. Ou por acaso você se esqueceu que Salteadora, que foi uma Robin por cinco minutos – e morreu... e voltou – também foi mãe e deu o bebê para a adoção?

Com isso em mente os editores da DC Comics explicaram que Tim Drake nunca foi Robin, tornando-se deste o primeiro momento o Red Robin (Robin Vermelho). E aí a editora reconta a história do arco “A lonely place for dying” explicando que após descobrir a identidade do Batman, Drake tornou-se o Robin Vermelho.

Seus pais não passaram pelo “Ritual de passagem” para ser Robin, eufemismo para dizer que não foram assassinados.

A explicação da DC não convence por que Dick, Jason, um período de luto com uma rápida parceria com Tim Drake, mesmo utilizando uma alcunha diferente, e então o atual Robin em cinco anos continua a ser muito pintassilgo para pouco bat-ano.

* * *

Nisto vejo o caso de Levitz, de novo escritor da Legião: continuou a escrever a série sem tocar nos pontos de conflito e esperar a poeira assentar.

Aprendeu a lição.

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