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Eleições municipais


(ou como diria meu querido amigo e professor Mizim Passando um pito nos 'cidadãos de bem')

É engraçado o perfil do ano eleitoral em cidades pequenas, especialmente aqui nos limites geográficos do estado de MG. Alguns cidadãos de bem passam a falar que o atual gerente municipal é ruim e passam a indicar uma “solução”.

Surge um “salvador da pátria”.

Curiosamente são os mesmos cidadãos que apoiaram o atual gerente e, quando este se elegeu, renegou as raízes. Se não é possível manter a pessoa honesta depois de eleita pelo menos não a defendam antes da eleição com um ardor que chega a ser religioso para depois dizer “fiz minha parte, não sabia que ele [o eleito] era assim” e assim ficar livre da culpa e dormir tranquilamente. São igualmente culpados pela incompetência todos aqueles que indicaram e apoiaram um incompetente. É a mesma lógica do aval bancário, onde você torna-se igualmente responsável pelo débito.

Aqui uso uma nova aplicação para “eu sei o que vocês fizeram no verão passado”, informando que continuo a lembrar quem apoiou o eleito e o quê aconteceu depois.

Todos podem errar – especialmente “cidadãos de bem”, que são a “nata intelectual” de uma cidade – mas vê-se que sistematicamente o erro vem acontecendo ao longo de várias décadas em Nanuque. O teatro é: unem-se, elegem, são renegados e passam a falar mal.

Se Tolstói escreveu que as famílias felizes são todas iguais, já as infelizes cada uma é infeliz à sua maneira aqui notamos que cada mandatário tem uma coleção de acertos (sim, eles os tem) e erros! E população de Nanuque tem vários motivos para sua infelicidade. Eleitos, uns congelam salários do funcionalismo e fazem contratações em secretárias a valores bem interessantes para garantir apoio. Já outros simplesmente enchem a prefeitura com seus eleitores. Todos!

Há aqueles que não fazem nem isto, nem aquilo. Simplesmente nada fazem. Surge então a variação que nada faz mas em alguns momentos superfaturam obras e mantem gordos contratos com a imprensa local de modo a garantir o silêncio dos carneiros.

Assim peço aos “cidadãos de bem” que poderiam ao menos fazer algo que toda a sociedade civilizada faz: procurar um especialista para nos indicar!

Se ao desejar me manifestar na justiça eu tenho que procurar um advogado; se ao desejar corrigir os dentes, procuro um dentista, então se desejo um prefeito qualificado deveria procurar quem se especializou nisto, ou seja, um administrador público.

Claro que os mesmos “cidadãos de bem” irão dizer que ser “administrador público” não quer dizer que é um político, ou seja, aquele que faz as ligações necessárias à política, que tem as influências, as amizades, os conhecimentos. Mas se um advogado, um dentista ou um comerciante são capazes de criar estes vínculos, possivelmente o administrador profissional, aquele que foi treinado para administrar a coisa pública também será capaz de estabelecê-las.

Já que está tão em voga em nossa atual sociedade experimentem a meritocracia e menos a simpatia, os interesses ou mesmo “o voto de protesto” ou a “dó por causa de uma biografia sofrida de homem do povo”.

Enquanto isso Nanuque continua estagnada. Ou pior! Se não está estagnada está decrescendo.

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