Pular para o conteúdo principal

A espada diabólica

Desde o final do milênio anterior temos nos debruçado em dezenas de livros de fantasia medieval buscando o sucessor da cine-série O senhor dos anéis.  

As Crônicas de Nárnia não alcançaram o objetivo e devido à baixa lucratividade houve até mudança de produtora, mas contaminada, a indústria do cinema estabeleceu uma narrativa diferenciada que impregna agora o Marvel Studios, com a necessidade de trilogias para narrar histórias.

Esquecem eles que nem sempre uma história precisa de três partes para ser narrada.

(Dizem até que o crime do filme Green Lantern é exatamente este: esqueceu de contar uma história e passou a contar um cenário para uma série.)

O sucesso da série de TV Game of Thrones, baseada na série de livros As crônicas de gelo & fogo, iniciada nos EUA em 1,996 e só publicada no Brasil em 2,010 quando a série de TV já estava em fase final de pós-produção, só mostra que a fantasia medieval é forte e, nas mãos de um escritor hábil poderá fazer a diferença.

Então me pergunto (novamente) quando irão (re)descobrirem Elric de Michael Moorcock?

Publicado recentemente em Portugal pela Saída de Emergência, os livros de Moorcock não tem uma versão nacional há décadas. Consegui com relativa facilidade no SebosOnLine (um agrupador de sebos) o primeiro volume da Coleção Mundo Fantástico da Livraria Francisco Alves Editora SA, publicado no Brasil em 1,975 que trás um excelente material de Moorcock.

O livro é uma coletânea de uma novela e dois contos, a saber, O advento do caos, O escudo do gigante triste e A agonia do príncipe condenado, que foram reunidos num volume chamado Stormbringer – o nome da espada encantada que alimenta o corpo do albino Elric após sugar as energias das vítimas do príncipe.

A narrativa, excelente, relata a luta final entre Caos e Ordem naquele mundo. Um rei conjura as forças do Caos para auxiliá-lo na conquista de todos os reinos e cabe a Elric, a contragosto, mais uma vez empunhar Stormbringer para defender suas posses ao lado de alguns poucos bravos.

Moorcock é profundamente influenciado por Tolkien, mas faz de seu texto uma narrativa ágil, rápida, que mesmo apresentando um personagem sofrido e melancólico não perde em nenhum momento o tom de aventura, algo que em alguns momentos se arrasta em O retorno do rei. Disposto a ir além e dono de uma cultura diferenciada, o autor se arrisca a novamente apresentar ao seu leitor questões como múltiplas dimensões e universos alternativos, sendo dele a responsabilidade da criação da palavra multiverso, no sentido de que o todo é composto de vários universos semelhantes e diferentes.

Atenção!

Apesar de não ter sido republicado no Brasil há três décadas e meia, o livro não é raro. O preço padrão no SebosOnLine é cerca de R$ 6,00-10,00.

A histórias deste volume foram publicadas originalmente na revista de ficção científica Science Fantasy e reunidas em livro pela primeira vez em 1,964. No Brasil o personagem é mais conhecido pelos quadrinhos. Além de uma breve participação em Conan, o bárbaro (publicada por aqui em Superaventuras Marvel), Elric teve uma graphic novel publicada pela Editora Globo e uma minissérie em quatro partes publicada pela Editora Abril.

Será Elric de Melniboné um dia um blockbuster de fantasia medieval nos cinemas ou TV? Duvida? Ok! Mas, responda-me você conhecia As crônicas de gelo & fogo um ano atrás?

Postagens mais visitadas deste blog

EaD: Como estudar sozinho em casa

Lost – A sexta temporada: Um resumo bem pessoal de Lost, até o episódio 9 da sexta temporada.

Existe uma ilha com propriedades magnéticas e místicas. Magnéticas por que há um contador da energia que se acumula na ilha. E místicas por que ela possui um mecanismo que pode ser utilizado para alterar sua posição no tempo e espaço.

Dois seres habitam esta ilha. Um deles, Jacob, está impedindo que o outro, ainda sem nome, saia.

Jacob pode sair da ilha e pode atrair pessoas para lá.

A função de Jacob é impedir que o outro saia da ilha. O segundo deseja matar Jacob para poder sair.

Este segundo pode se tornar uma fumaça escura que agrupada pode se tornar pessoas – geralmente entes queridos mortos – ou ser usada para destruição. Durante muitos anos, nós expectadores, achávamos que era nano-tecnologia que tem conceito semelhante.

Em 1.867 um navio chega a ilha trazendo Ricardo que se tornará agente externo de Jacob. Ricardo se torna imortal graças aos poderes de Jacob.

Um núcleo de pessoas sempre habitou a ilha. Possivelmente atraídos por Jacob. Sempre.

Após enterrar uma bomba de hidrogên…

Os Vingadores vs O Esquadrão Supremo

(Ou Como as histórias não são realmente como nos lembramos)
Não tenho nenhum entusiasmo pelos encontros entre Os Vingadores e Esquadrão Supremo. Nenhum! Ao contrário acho histórias imbecis, mas talvez seja um ranço contra Roy Thomas. Explico: na infância eu odiava os Vingadores de Thomas e por extensão o próprio, mas gostava muito da arte de Conan (Buscema & Zuñiga) ou qualquer coisa feita por Neal Adams como a Guerra Kree-Skrull ou X-Men.

Já adulto um amigo disse que o sujeito era bom e eu fui reler as histórias: não eram tão ruins quanto a lembrança. Inclusive conheci e comprei os setenta números de All-Star Squadron que eram do próprio.
Por fim, descobri que metade daquilo que eu não gostava em Thomas na verdade não era dele... era do Englehart, um sujeito também superestimado pela indústria, que só acertou uma vez: em Batman!
Vencido o preconceito contra o escritor, veio o problema da maturidade: as histórias dos anos 1960 só funcionam lá, especialmente as de super-grupos co…