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Crime & Castigo, o livro

Poderia alguém justo assassinar outrem e viver sem ser assombrado pelo pesar?

Dostoieski nos apresenta a Raskolnikov, personagem central deste denso romance lançado em 1.864, que nos apresenta muito da natureza humana e suas nuances.

O jovem Raskolnikov assassina uma velha usurária e vive o conflito de se entregar ou não à justiça. Seria um ato de uma mente febril desiludida com as oportunidades da vida? Poderia viver ele com este tormento ou partiria para o suicídio? Por quê não gastou o dinheiro que se apropriou após o assassínio, como havia planejado? Seria a dor de consciência de que não deveria progredir com o objeto de um furto? Os conflitos do anti-herói são densos, assim como o é a leitura, intensa e minuciosa, com várias sub-tramas que mostram a miséria da sociedade repleta de estigmas, desilusões e futuros sem perspectivas.

Paralelamente nestas 600 páginas, temos a narrativa da trama de uma família de bêbados que exploram a filha mais velha, e retratada várias vezes como pueril e pudica, com a prostituição. Poderiam outros aceitarem tal oferta e não sentirem-se penalizados do sacrifício que está sendo feito?

Ainda que os delírios do personagem central sejam extremamente interessantes como na sequência logo após o assassinato em que ele, febril, vai à delegacia confessar o crime, o romance soa em diversas vezes como algo de inverossímil – algo que foi acusado desde sua publicação original – e extenso somente para que o autor pudesse pagar dívidas à medida que entregava os manuscritos.

Junto com Anna Karenina, outro livro russo que se passa em um período bem próximo, dá uma visão crítica da sociedade e dos anseios por mudanças que viriam a eclodir na Revolução Russa de 1.917.

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