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Batman: Cara-a-cara

E houve a Crise Infinita.

E os principais heróis da DC Comics decidiram tirar umas férias de um ano – 52, série que abordou as 52 semanas que formam um ano.

E então eles retornaram.

Cara-a-cara não traz realmente uma trama original, nem mesmo muito bem pensada: Batman & Robin retornam a Gotham City cheios de gás, Comissário Gordon e Harvey Bullock estão de volta na Delegacia de Polícia e uma série de assassinatos aponta para Duas-Caras, na verdade, Harvey Dent que teve o rosto reconstruído desde Silêncio o popular arco de Jeph Loeb & Jim Lee.

Então por que o arco de oito partes, que englobou as duas séries mensais do homem-morcego e foi escrito por James Robinson, com arte de Leonard Kirk, Don Kramer, Andy Clark e outros funciona?

Por que consegue fugir do óbvio de incriminar Duas-Caras – apesar que esta, a principal trama, não tem tanto peso assim – e reconstrói bem os personagens, reposicionando-os onde deveriam estar. O conflito está no sofrimento de Batman em ver as pistas apontarem para Dent que ficou responsável pela cidade enquanto ele estave ausente. Ele sofre em perceber que o amigo poderia estar retornando à vida de crimes. Ele realmente tinha esperanças que isto era passado para Dent.

Robinson, especialista em coadjuvantes poderosos, resgata Jason Bard – um ex-policial, agora investigador particular, criando nos anos 1.980 e que mais recentemente teve participação em Birds of Prey ainda na fase de Chuck Dixon no iniciozinho dos anos 2.000 – para tornar-se os olhos de Batman durante o dia. O uso do personagem parecia promissor mas os roteiristas seguintes não deram sequência.

Certamente foi um reboot, já que não é preciso muito esforço para lembrar que Gordon estava aposentado, Bullock tinha abandonado a Polícia e tornado-se um alcoólatra e havia uma série de coadjuvantes diferentes em Gotham. O detalhe é que não foi necessário zerar todo o universo do personagem ou da editora para tanto.

Para completar a supresa, Wayne decide adotar legalmente Tim Drake – o pai de Tim havia morrido em Crise de Identidade e o garoto vivia em tutela de Bruce Wayne, com a adoção ele torna-se filho e herdeiro da fortuna Wayne. E como contrapeso a criação de um personagem clichê chamado Grande Tubarão Branco, um novo chefe do crime.

Apesar de bem aceita pelo público o arco de Robinson só serviu como aquecimento para a chegada de Grant Morrison na série Batman e Paul Dini na série Detective Comics.

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