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Precisamos de uma nova origem para o homem de aço?, I

Superman é um personagem consolidado na cultura popular. Tem 73 anos de criação, esteve presente em desenhas de séries de cinema, seriados e séries animadas. Há nove temporadas a série Smallville traz o dia-a-dia do final da adolescência do personagem e mais recentemente a série tem tido algumas preocupações em criar um universo de heróis, incluindo um embrião da Liga da Justiça e há pouco apresentou a Sociedade da Justiça.

Criado em 1.938 o Superman deve ter umas trezentas histórias que contam a sua origem, além de histórias que mencionam o fato resumindo-o.

Em 1.986 num esforço para atualizar seu maior herói, a DC Comics contratou o escritor e desenhista John Byrne para reestruturar a origem do homem de aço. Byrne era um artista polêmico mas não tomou muitas liberdades da nova origem.

Mudou essencialmente Krypton, tornando-o um mundo frio e distante, mas essencialmente fez uma versão hi-tech da versão do cinema de 1.978. Criou um Krypton que era uma distopia e no rastro fez mais três séries que explicariam detalhes adicionais em Mundo de Krypton, Mundo de Smallville e Mundo de Metropolis.

Também do filme, mas sob influência do artista Marv Wolfman, Byrne retirou do filme de 1.978 o conceito geral do novo Lex Luthor. Na visão de Wolfman, Luthor seria um empresário com fortuna estabelecida no ramo de tecnologia que tinha negócios escusos e ódio mortal pelo homem do amanhã por que roubou-lhe seu espaço na mídia. Pouca relação com a adolescência em comum em Smallville tão presente na futura série de TV e também com toda a cronologia do Superboy até então.

Por sinal Superboy era um conceito morto. Byrne decidiu que Clark Kent se tornou herói já adulto e só soube de sua verdadeira origem alienígena sete anos após iniciar sua carreira como herói. Byrne se arrependeu e de certo modo a DC também.

Apesar de não existir um Superboy nos quadrinhos os herdeiros dos direitos da produção do cinema criaram uma série para o garoto de aço que ultrapassou cem episódios. Houve também Lois & Clark: As novas aventuras do Superman, com um tom cômico e romântico, sem grandes efeitos especiais, mas que ajudou a cimentar os conceitos gerais criados por Byrne & Wolfman, já que a série usou como referência material posterior à reformulação de Byrne e lá estavam a presença dos pais vivos, Lex empresário, o relacionamento rápido com Lois e até o casamento.

Excetuando as três mudanças drásticas (Krypton é uma distopia, Lex Luthor é um empresário e não conheceu Clark na adolescência e Superman nunca foi Superboy) o restante das modificações foi conceitual.

Superman era mais fraco, mais limitado, mais humano.

Era um super HOMEM e não um SUPER homem.

Eu acho a série Homem de Aço (série quinzenal em seis partes, 1.986) onde Byrne reestrutura esta origem, um dos melhores trabalhos do autor. O seu trabalho em Superman volume 2 não seria tão interessante quanto a minissérie, mas também não foi ruim. Porém certamente o Superman de Marv Wolfman & Jerry Ordway em The Adventures of Superman era muito superior ao de Byrne. Claro que esta é a minha não tão humilde opinião.

Byrne se afastou do personagem e os autores seguintes reintroduziram todo o casting criado/recriado por Jack Kirby e levaram o herói a uma longa jornada conflituosa com suas origens no sentido que geralmente as coisas que lhe lembravam seu mundo natal tinham aspecto nocivo para o nosso planeta – vide o Erradicador e o monstruoso Apocalypse.

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