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Repetições & Flechas

Quanto mais eu leio quadrinhos mais eu vejo as linhas narrativas que se repetem.
A DC Comics tem mais repetições que a Marvel, mas esta as tem em maior intensidade.
Por exemplo, com a reformulação de 1987 e as subseqüentes de 94 (Zero Hora), 2000 (em especial em títulos do Superman) e 2005 (Crise Infinita), a DC, por opção, começou a narrar algumas histórias novamente, normalmente ligadas às origens dos personagens, heróis, vilões e grupos da editora. Não demorou muito para os autores, perdidos em um excesso de tramas, anularem eventos ou tramas serem anuladas.
Para ser limitado a um exemplo imaginemos a história da Liga da Justiça da América neste meio tempo. A equipe teve uma boa Secret Origins (ainda em 1.987), que colocava a Canário Negro na equipe desde a fundação, já que a Mulher-Maravilha só havia surgido no Mundo do Patriarcado durante os eventos de Lendas. Depois teve LJA: Ano Um (já em 97/98), uma excelente ampliação da trama, mas que não deixava de ser repetição. Por sinal, LJA: Ano Um já merece uma edição especial da Panini. Além disso, com o sucesso da série JLA escrita do Grant Morrison e com Mark Waid com fill-in muita coisa passou por um processo de readaptação.
No final se estabeleceu novamente que a Mulher-Maravilha fez parte da base da equipe desde a fundação, deixando claro que alguns eventos são feitos de maneira imediatista, para responder questões do momento, mas que raramente levam em conta um macro-plano editorial.
Depois de Crise os leitores estavam ávidos para saberem como a editora iria explicar algumas situações especiais; em especial as dos sobreviventes da Terra 2 como Sociedade da Justiça e Corporação Infinito.
Algumas histórias são narradas várias vezes, com relativas liberdades. O fato pós Crise mais recontado, certamente é a origem do Duas Caras, que já mereceu a história Faces (Batman Annual # 13 – 1989/Batman # 03, 3ª série/formato americano, Editora Abril, abril/1990), a história Crime & Castigo (Batman vs. Two-Faces – Crime and Pushiment, 1995/Mythos Editora, Edição especial, 2002) e O Longo Dias das Bruxas e Vitória Sombria (Abril e Panini, respectivamente). Além disso as razões de Harvey apareceram em um Secret Origins Special para os vilões de Batman, em um livro da série de pocket books para Batman Adventures e em tramas de séries derivadas de Batman Adventures/Gotham Adventures.
Não satisfeitos, a correção facial de Duas Caras também já havia ocorrido duas vezes, uma na década de 1.970 e outra em Cavaleiro das Trevas, até que Loeb decidiu recuperar a face de Dent em Silêncio e Paul Dini decidiu destruí-la em Detective Comics (Um Ano Depois).
Muitas tramas da DC são meras repetições de histórias até a exaustão. Bane surge, aleija Batman, é derrotado, descobre que é vítima de uma droga, abandona a droga e de certo modo encontra a redenção, até que novamente é transformado em vilão. Tudo para restaurar um status qüo.
Na Marvel os eventos Guerra Civil, Hulk contra o Mundo e Invasão Secreta, são histórias ou linhas narrativas já iniciadas há anos e aparentemente resolvidas. Vamos conferir?
Guerra Civil fala sobre o registro dos heróis e uma subseqüente divisão entre eles. Em 1.989 já se falava isto na Marvel e Reed Richards chegou a ir ao Senado depor sobre o assunto. Para facilitar a memória dos esquecidos, vejam as histórias de Walt Simonson para o Quarteto, porém a fase inicial com Ron Lin. Claro que um desdobramento mais significativo é a Lei de Registro dos Mutantes, que sempre esteve ameaçando os mutantes com maior ou menor atenção.
O relacionamento entre Capitão e Homem de Ferro, já havia sido bastante debatido em Guerras das Armaduras I (e depois), além do fato que o Tony Stark foi ficando mais bélico, especialmente quando terminou com a equipe dos Vingadores da Costa Oeste para ter a sua própria, o ForceWorks e criou a versão “WarMachine” de sua armadura.
Guerra Civil apenas expandiu tudo para o restante do Universo Marvel.
Já Hulk contra o Mundo certamente é mais lembrado já que pouco tempo depois de Guerras Secretas o gigante esmeralda perdeu o controle e foi enviado para uma Encruzilhada pelo Dr. Estranho, fato que sempre é citado nas séries.
As coisas são diferentes agora?
Não sei dizer ao certo, mas parece-me certamente um outro caso de ampliação com outro foco. Só que agora o Hulk quer vingança, algo que não exigiu na primeira vez.
A Invasão Secreta nada mais é do quê um remix de dezenas de tramas envolvendo os skrulls. Novamente temos a expansão para todo o Universo Marvel.
Isto não é bom ou ruim simplesmente.
Os talentos de hoje sabem conduzir uma trama de maneira melhor que os talentos de ontem (o quê realmente não é um ponto pacífico, mas...) e podem utilizar-se de soluções inovadoras nos desdobramentos das histórias. Algumas de tão inovadoras criam mais problemas que soluções como o caso do Homem-Aranha em Guerra Civil.
Ao mudar o passado do Aranha a Marvel apenas esta repetindo a DC (e a si própria com seus selos como o Ultimate), mas está inovando ao restringir a mudança a um único personagem.
Com o sucesso poderá fazer uma reformulação branda, que não de longe sertã tão corajosa como a da DC em 1987, mas poderá ser mais adequada ao mercado, retirando do personagem apenas aquilo que é muito conflitante com os leitores.
O problema real será se eventualmente esta linha narrativa se desgastar com rapidez e a Marvel tiver que voltar ... veremos!

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