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domingo, 25 de janeiro de 2015


[Trama]
Após a destruição e a fuga da prisão onde habitaram por uma temporada, Rick Grimmes e seu filho, Carl tornam-se errantes, mas reencontram os sobreviventes do grupo, primeiro Michone, depois Gleen, Maggie, Dale, Andrea, Ben, Billy e Sophia, estes que haviam retornado fazenda da família de Hershell.

Pouco depois chega à fazenda o Sargento Abraham Ford acompanhado de Rosita Espinosa e pelo doutor Eugene Porter em missão para ir à Washington, pois lá haveria a chance de concertar toda a bagunça provocada pela praga!

[Opinião]
Aqui permanecemos foi publicado no Brasil em junho de 2012, então após a segunda temporada da série de TV. O encadernado trata de assuntos após as tramas da prisão e Woodbury. A segunda temporada exibida entre 2011/2012 tratou basicamente da Fazenda de Hershell e não tocou no assunto da prisão ou Woodbury. A trama da prisão foi apresentada na série na temporada 3 e Woodbury introduzida na 3ª, mas desenvolvida na quarta e quinta temporadas.

A edição reúne The Walking Dead #49-54 e A história de Michonne (Playboy, abril de 2012) e é possível ver uma ruptura entre o formato de encadernados da Image/HqM Editora e a trama. O encadernado anterior termina a história da prisão, mas as edições #49-51 são extensões deste período, um posfácio. Nestas três histórias Carl amadurece e percebe que seu pai não é infalível, ao mesmo tempo em que Rick tem uma convalescença fruto de uma bala durante o ataque à prisão – um truque é não usar o ex-policial na capa da série mensal, criando uma expectativa sobre ele estar ou não vivo.

Há espaço para a loucura de Rick provocada pela solidão e perdas recentes, assim como pelas suas responsabilidades diante destas perdas. Ele conversando com um telefone mudo e levando o aparelho consigo me lembra em muito um filme com Whoopie Goldberg chamado O telefone, praticamente uma peça de teatro filmada e também praticamente um monólogo. Vale a pena conhecer para comparar a dor da perda em ambos os casos.

A edição seguinte (#52) mostra o reencontro com os amigos e as edições finais do encadernado (#53-54) inserem alguns conceitos como horda e a possibilidade da praga ter origem em uma tentativa de criar um vírus genético específico para determinada etnia. Vale ressaltar que Os mortos-vivos nunca foi sobre o quê motivou a praga e, então, estranha-se de imediato quando um cientista diz ter se envolvido com um experimento e que chegando em Washington ele poderá auxiliar a resolver a situação. Mas já que a longa trama de Woodbury tinha tomado um grande espaço na série, era pouco provável que imediatamente Kirkman os levasse a uma outra comunidade de sobreviventes com características semelhantes. Ainda assim, mesmo um corpo estranho na trama, faz sentido em uma narrativa. Uma missão deixa o grupo coeso e com um objetivo. Agora é chegar em Washington e lá encontrar os resquícios de uma civilização. De lá reconstruir o mundo.

Porém desde o primeiro momento o leitor sabe que a pílula não é tão suave.

A introdução de Abraham e seu foco militar e o distanciamento de Rick das decisões tornam a série crível novamente. Rick é falível e certamente poderia ser qualquer um. Agora o grupo decide em um coletivo, com o passar das edições Abraham ocuparia um lugar neste coletivo. Diante do aviso da existência da horda – algo como uma manada de zumbis seguindo a esmo sons que se propagam e procurando aplacar sua fome – o grupo decide investir na missão à Washington e dá adeus definitivo à fazenda. É bem trabalhada a dor da perda de Maggie.

Como militar Abraham tem uma função no grupo e faz sentido aceitá-lo, assim como Eugene. Rosita, no entanto, que entra calada e sai muda, é o típico personagem que quando morrer nem saberemos quem foi.

Colocar a história da Playboy americana na edição foi uma sacada, pois ela tinha saído nos EUA há pouco tempo. Na época a emissora estava divulgando imagens de Michone, que tornou-se um personagem tão complexo na TV quanto nos quadrinhos.

De um modo geral, o volume é um excelente ponto zero para atrair leitores.

Os mortos-vivos volume 9: Aqui permanecemos. Texto de Robert Kirkman, lápis e finais de Charlie Adlard e tons de cinza Cliff Rathbur. HqM Editora, junho de 2012. ISBN 978-85-998-5949-0.
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Written by Lovely

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