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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014


Lira Neto consegue antes de chegar ao terço inicial do primeiro volume, deixar claro à percepção de seu leitor que Getúlio Dorneles Vargas era um político pragmático e servil às lideranças do partido e compromissos de honra e propriedade com sua família e região.

Com isso consegue desconstruir o mito, capítulo a capítulo, deixando ao leitor, não um ser humano que não fosse merecedor que atenção, mas uma pessoa que vindo que uma família de recursos aproveitou todos as oportunidades para chegar ao Poder e estar nele. Neste primeiro momento “ele não aparece hábil para costurar alianças” – uma frase clichê para biografias de políticos – mas apenas em analisar quem se perpetuará no poder e a partir daí passa a apoiá-lo. Conhecendo os atuais políticos brasileiros, quase nada me surpreende, apesar de, devo confessar, saborear uma biografia bem construída e disposta a construir um painel adequado do homem.

Em certo momento impressiona que Getúlio seja positivista e darwinista, assim como o discurso contra o cristianismo, mas evidentemente estas posições se perdem na criação de uma imagem paternalista que o estado passa a divulgar especialmente após sua chegada ao poder.

No entorno surgem figuras curiosas como seu pai e seus irmãos, mas um personagem merecedor de igual atenção é Borges de Medeiros o “dono” do Partido Republicano do Rio Grande do Sul e ora fraternal conselheiro, ora um pusilânime desafeto. Mestre e boneco, invertem em diversos momentos os papéis, com clara desvantagem para Medeiros, já com saúde irregular. Em dado momento, após as divergências comuns à política, a coerência de Vargas está em se apresentar para Medeiros como seu sucessor natural disposto a seguir seus conselhos.

De político inexpressivo, com discurso centrado na retórica a governador do estado do Rio Grande do Sul, que rompe com a política do café com leite apenas por pressão de MG e ainda assim, tenta negociar com todos os lados possíveis, o livro encerra com a chegada ao poder, resultado de uma revolução por não aceitar os resultados das urnas. As eleições eram fraudulentas? Assim também o eram as eleições no Rio Grande do Sul, “conferidas” por ele.

Vale a pena ler e acompanhar a trilogia do jornalista Lira Neto, que teve como fonte os diários pessoais de Vargas e consegue construir um quadro competente do personagem e da sociedade brasileira.

Getúlio: dos anos de formação à conquista do poder (1882-1930), Lira Neto, 1ª edição, São Paulo: Companhia das Letras, 2012. ISBN 978-85-359-2093-2.
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Written by Lovely

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