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The Walking Dead: A ascensão do governador

É interessante imaginar que Robert Kirkman, um cara legal, mas nunca algo mais do quê um autor de gibis secundários da Marvel Comics conseguiu acertar a mão em uma série com um tema que surgiu no cinema e realmente não oferece muita renovação. Os filmes de Romero iniciados com A noite dos mortos-vivos mostram o início de uma praga zumbi e seus desdobramentos mas são repletos da crítica social. No primeiro filme a heroína tem mais medo do herói, um negro, do que dos zumbis. Em “Dawn of the dead” os personagens ficam presos em um shopping e fazem compras, deixando claro a crítica ao consumismo. Kirkman conseguiu convencer a Image Comics a distribuir a série, ainda que com a promessa de introduzir uma trama de alienígenas que iriam dominar a Terra e primeiro liberaram uma praga.

Funcionou e o autor nunca teve que usar este artifício. The Walking Dead é um quadrinho de suspense psicológico. O horror não é provocado pelos mortos-vivos, os zumbis, mas pelos vivos e o quê eles estão dispostos a fazer para continuar assim.

Em um determinado momento da série surgiu a figura do Governador, responsável por um agrupamento de sobreviventes que tinha profundas diferenças de opinião com Rick Grimmes e seu grupo de sobreviventes.

Este livro é a história de como Phillip Blake se tornou o déspota de Woodbury com a alcunha de Governador e como isto afetou dois amigos e dois parentes, seu irmão Brian e sua filha Penny. Mas não deixa de ter algumas surpresas na trama.

Escrito por Robert Kirkman e pelo autor de livros de terror, Jay Bonansinga, The Walking Dead: A ascensão do governador (Editora Record, selo Galera Record, 2012, ISBN 978-85-01-09715-6), não é inovador e não dá motivos para Phillip Blake enlouquecer e tornar-se o quê tornou na série em quadrinhos. Ele passou pelas mesmas experiências que Rick passou e não enlouqueceu. Talvez seja este o objetivo do livro, mostrar o quê Rick poderia vir a ser ou o quê se tornará.

Deve-se ficar claro que é um livro para capturar os fãs da série, mas também funciona para a série de TV. Tencionando ter importância para os leitores da hq, cria ao menos um evento de pode ser lembrado pelos fãs, mas, na verdade, a trama é uma sucessão de perseguições, erros e acertos.

De leitura fácil e fonte grande o livro de 360 páginas pode ser facilmente lido em um final de semana e não incomoda para quem gosta da série em hq: o mundo está devastado por uma praga zumbificante e um grupo de sobreviventes luta a todo custo para chegar em Atlanta, onde supostamente o governo teria um conjunto de abrigos. Decepcionados com o resultado da primeira busca, criam maneiras para construir uma comunidade incorporando os seus novos valores.

* * *

O fato de haver um segundo autor, Jay Bonansinga, pode sugerir várias coisas. Kirkman pode ter desenvolvido a história como um apêndice da série em quadrinhos e ele ter trabalhado os diálogos e o roteiro. As possibilidades são muitas. Mas fica claro que o livro é um Universo Expandido, termo muito usado quando falamos dos livros, séries e hq's de Star Wars, e para não afastar os fãs que poderia torcer a cara com outro autor brincando na caixa de brinquedos de Kirkman, eles desenvolveram a ideia da parceria na autoria.

De qualquer modo, olhando para a excelente Supreme Power e suas minisséries spin-offs de qualidade nem sempre tão interessantes, que fico imaginando que ao menos não surgiu uma nova série em quadrinhos ou uma graphic novel para narrar esta aventura.

Da maneira em que se apresentou – em livro – este desdobramento captura públicos que nem sempre tem contato com os quadrinhos e ganha em profundidade numa trama pouco inovadora para quem conhece a série. Por fim o choque da surpresa final é tão grande que torna tudo muito bom.

Está prometido como uma trilogia.

Vale a leitura.

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