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A militarização dos quadrinhos II: DC Comics e as Fábulas (!?!)

Já na DC Comics não há um personagem militar com tamanha importância. Não me diga Sargento Rock, por que o herói militar não tem o mesmo peso do Cap da Marvel. As histórias de guerra da DC Comics sempre foram uma constante e geralmente tratavam do soldado anônimo – por favor, não confunda com o Soldado Desconhecido, da mesma editora – o sujeito que fazia o supremo sacrifício para criar a derrota dos adversários.

As séries de Rock e do Soldado Desconhecido, apesar de longevas conseguem refletir apenas o momento da 2ª Grande Guerra, apesar de várias tentativas de mostrar o Soldado Desconhecido em outro contexto. Curiosamente o mercado percebeu a falta de um título de guerra quando do encerramento original de Sargento Rock e Soldado Desconhecido e surgiu na Marvel a série The 'Nam (aqui, O conflito do Vietnã). Após o esgotamento desta e das releituras dos personagens da guerra da DC percebeu-se que os personagens estavam ultraviolentos, num processo que começou com O cavaleiro das trevas e Watchmen, e infelizmente se estendeu por toda a indústria.


Apesar de não não ter um personagem militar de grande expressão a DC Comics os tem disfarçados. Batman nada mais é do que o fascista máximo, ou se poderíamos compor a expressão “o fascista esclarecido”. Pululam no universo ficcional da editora organizações claramente militares como A Tropa dos Lanternas Verdes, a L.E.G.I.Ã.O., isto sem contar os exércitos constantes de Rann, Thanagar ou braços avançados de organizações militares como a Legião dos Super-Heróis, que abertamente possui um “esquadrão de espionagem”, formado por membros que podem facilmente se disfarçarem como, entre outros, Camaleão, Etérea e Violeta.

Nem mesmo a série Fábulas foge à militarização. Na trama as fábulas fogem de suas terras originais – chamadas Terras Natais – que são tomadas sob o domínio do Adversário. Há inclusive a estruturação clássica da editora, na figura de múltiplos universos e dimensões alternativas. Cada fábula vive numa versão da Terra que passa a ser dominada pelo vilão da trama.

O caráter militar da série se concentra após o terceiro ano nos arcos Terras Natais, Filhos do Império, O bom príncipe e Guerra e Pedaços (este nas edições #73-75). No geral as fábulas fazem respostas militares ao avanço do inimigo e dão o troco.


Como no Brasil a Panini traduziu apenas Terras Natais não me adianto nas tramas, mas noto que a troca da macro-história fica evidente. Nos primeiros três arcos ficava claro que a história era do dia a dia das fábulas vivendo no mundo comum e das pilhérias que isto poderia render.

Mesmo a contratação de Mark Buckingham como artista, o quê deu um tom mais nostálgico e idílico à série a partir do segundo volume em substituição à Lan Medina um artista padrão de super-heróis do mercado, não impediu o claro estabelecimento da trama de enfrentamento do Adversário e se possível de reconquista do território perdido.

Muito mais paranóica que as tramas da Marvel envolvendo Guerra Civil, Invasão Secreta, Reinado Sombrio e O cerco, é o processo de transformação dos personagens das fábulas, não daquilo que conhecemos das lendas e folclores, mas daquilo que é apresentado no início da série. Se a piada máxima do casal “Bela e Fera” era o fato de que não “desapaixonar-se” pelo seu “príncipe” ele voltava a ter aspecto animal, a partir da mudança da macro-trama entendemos Bela como uma competente administradora pública e Fera como um curioso aprendiz da arte da espionagem.

Buckingham que já havia trabalhado anteriormente em Uncanny X-Men deixa claro em vários momentos a inspiração visual de Bigby Lobo em Wolverine & Nick Fury e não toma liberdade alguma na Fera, mas ao vê-los juntos fica-se com a impressão do agente secreto supremo, Nick Fury, ensinando seus passos a um aluno que poderia realmente aprender.

Nem ao trapaceiro Princípe Encantado é possível odiar. Ganhou uma eleição com uma plataforma baseada em uma mentira, mas curiosamente aos quadrinhos cresce como personagem e aprende administrar, ainda que deixe claro que não é sua praia. Logo torna-se um estrategista de primeiro e decisivo para o perfil da investida militar que farão.

Imperdível e merece várias análises!

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