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Formatos, a polêmica final

Muito mais interessante do quê uma falsa polêmica sobre scans (veja aqui) são as conjecturas sobre o formato que irá imperar nos quadrinhos pela próxima década.

Desde que a DC noticiou que irá lançar um novo selo no formato álbum com cerca de 128 páginas (veja aqui) a indústria tem respondido que este pode ser o início do fim dela própria no modelo que conhecemos.

Não é segredo para ninguém que nos EUA, terra de origens das hq's o formato mais comum é o de periódicos mensais com 22 a 24 páginas, no formato que chamamos de “comics”.

Desde a década de 1.980 os arcos de sucessos – arcos são aquelas histórias em sequência – retornam meses depois em encadernados de capa mole ou capa dura – ou ambos ainda!

Atualmente uma revista custa entre US$ 2,99 a US$ 3,99, um encadernado com 6 ou 8 histórias de US$ 12,99 a US$ 14,99, além de formatos inusitados como o de capa dura com 11 ou 12 histórias a US$ 49,00.

Fica evidente que é mais lucrativo ao leitor a compra de encadernados, que podem ser organizados e encontrados de uma melhor maneira. Além disso também permitem aos inseguros quanto ao fato de lerem quadrinhos apresentarem sua coleção como livros.

As vendas das graphic novels (veja os dados de novembro de 2009 aqui), alcançam em seus melhores momentos 6 mil cópias, enquanto os periódicos conseguem um desempenho melhor (veja aqui).

Curiosamente em 2.006 na campanha de divulgação do filme V de vingança a DC Comics informou que já havia impresso 500 mil cópias da séries na formato encadernado (veja a informação no UniversoHq aqui), mostrando que assim como o ditado brasileiro “de grão em grão a galinha enche o papo”, deixando claro que uma história continua a se vender com os anos. Ansiosa com o resultado do filme Watchmen, a DC encomendou 1 milhão de cópias da graphic novel e continuamente tem vendido de 6 a 10 mil cópias por mês da história.

Nenhuma história em fascículo atingiu venda semelhante, mesmo que eventualmente este ou aquele número tenha tido vendagem alta.

As perguntas são várias e vamos enumerá-las algumas:
1) Quem é melhor o periódico ou o encadernado? Por quê?

2) Com o valor normalmente atribuído a um encadernado de 130 páginas (US$ 12,90-14,90) o formato é lucrativo? Ou seria melhor utilizar os métodos padrões do mercado, fazer uma série de 5 ou 6 partes e vender seguramente no mínimo 40 mil exemplares de cada série, com picos de 100 mil em algumas edições se a equipe criativa for realmente boa?

3) O mercado franco-belga, da qual consumimos Asterix, XIII, Blueberry, Blacksad e outros, vive desta maneira e lá as traduções locais de personagens americanos são obrigadas a serem publicadas como encadernados. Porém, personagens como XIII com “apenas” 18 álbuns são conhecidos em todo o país, enquanto personagens como longa tradição nos EUA não são suficientemente conhecidos para se justificar uma publicação de custo tão alta.

4) A questão Joe Quesada. O editor da Marvel imagina que para criar um álbum de 130 páginas com uma trama “adequada” e arte idem, ele ocuparia seus autores cerca de 8 a 12 meses. Sem exposição necessária a história não se venderia e o investimento que a indústria fez como adiantamento e manutenção da equipe de produção se tornaria prejuízo. Distante de seus autores muito tempo, o público perderia a referência e não mais associaria o nome do autor a um produto de qualidade. Isto sem contar a exposição de propagandas que poderia ser vendidas 6 vezes numa série mensal.

Pessoalmente, lembrando que a graphic novel começou cheia de boas intenções e teve tiragens ínfimas, tendo apenas as tecnologias e metodologias de produção utilizados em massa (a coloração e a produção de histórias de qualidade), acho que é uma questão realmente válida para ser questionada e refletida.

Sou a favor do encadernado, entendo a vergonha do leitor comum que tem o apartamento entulhado de quadrinhos e acha que vender os encadernados como livros irá fazer bem ao seu ego, mas gosto da leitura do periódico, especialmente do preço dele. No Brasil especialmente, já que leio 100 páginas de quadrinhos por R$ 7,90, um preço que considero adequado.

Esta será a grande questão da década!

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