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Outras histórias


Quando releio a Liga da Justiça não resisto a falar de Esquadrão Suicida (Suicide Squad) de John Ostrander & Luke McDonnell. McDonnell não havia me impressionado em um arco do Homem de Ferro, mas provou que o problema talvez fosse o herói tecnológico e não o artista. Confirmou-se posteriormente na qualificação dele para as séries Pistoleiro e Fantasma (publicada pela Editora Globo). Infelizmente McDonnell foi fazer Dreadstar da First Comics/Jim Starlin e se afastou do mainstream. John Ostrander é um excelente argumentista e esteve durante anos à frente de todo um núcleo da DC, o de espionagem, além de cuidar de personagens místicos como a série The Spectre com arte de Tom Mandrake.
A idéia do Esquadrão Suicida não era nova e nem podia, já que a equipe era a segunda da editora a usar o nome. A primeira equipe teve uma série em “The Brave and the Bold”, mais voltada para o clima militar. A idéia de personagens morrendo também não era novidade, já que havia na Marvel Comics a série “Strike Force: Morituri” onde humanos ganhavam poderes durante um ano para combater alienígenas. Ao final deste ano ou a qualquer momento poderiam morrer.
A série me impressionou pelos personagens principais: Amanda Waller e Rick Flagg. Waller é a primeira personagem negra de importância que conheci. Perdão para os fãs de Pantera Negra, mas negro de importância nos quadrinhos é Waller e na década seguinte o Senhor Incrível. Gorda, baixa e de humor intolerável, Amanda Waller era manipuladora e desprezível, extremamente política e dava pouco valor aos criminosos que enviava em missões suicidas em busca do perdão para voltar a cometer os crimes. Elas não se preocupava em retornar para a sociedade alguns dos piores criminosos da DC, desde que eles cumprissem e sobrevivessem à missão. Ao longo da série seu perfil psicológico foi desenhado e a personagem não perdeu em profundidade, ao contrário. Tornou-se tão essencial ao título quanto alguns vilões, e às vezes tomando algumas liberdades Ostrander a punha em missões de campo. Na década seguinte, com a equipe desativada e a série encerrada foi chefe de gabinete do Presidente Luthor, uma posição que casava com sua tolerância à corrupção.
Rick Flagg foi o primeiro maníaco depressivo da série. Militar de carreira, foi realocado para a Força Tarefa X, uma organização com duas divisões, o Esquadrão Suicida e o Xeque-Mate. No Esquadrão teve que controlar criminosos e diversas vezes dar limites à Amanda Waller, algo até extremo, já que normalmente são militares que tem que ser controlados por burocratas. Traumatizado com a experiência do pai na equipe anterior, tinha um comportamento realmente suicida que não demorou muito se concretizou, no ano seguinte. Flagg se sacrificou em uma missão, transferindo o papel de depressivo para o crescente Pistoleiro, que durante meses teve um tratamento a la Wolverine, humanizando-se o personagem, tornando-o complexo e fundamental para as tramas. A estratégia funcionou, mas o título perdeu a força e passou por tramas risíveis. Apesar de tentativas de recuperação nunca retornou à popularidade e qualidade de outrora.
Com vários heróis desconhecidos da editora, como Tigre de Bronze, Shade – o homem mutável (antes da reformulação no selo Vertigo), Nêmese – hoje presente em tramas da Mulher Maravilha – e Sombra da Noite – personagem da Charlton Comics –, que estavam na equipe por objetivos próprios, a equipe tinha como vilões fixos Capitão Bumerangue e o Pistoleiro, além de uma série de coadjuvantes que eram trocados constantemente como Dr Luz, Plastique, Cronos, Pinguim, Conde Vertigo, Mestre dos Espelhos, etc. Batman teve vários enfrentamentos com Waller em função do estado pagar os criminosos e eles retornarem para a sociedade. Curiosamente Bruce Timm também gostou muito de Amanda Waller a utilizando como personagem mestre nas séries de animação Liga da Justiça e Liga da Justiça Sem Limites. Gostava tanto que a tornou personagem fundamental para os desdobramentos que levariam à série de animação Batman do Futuro (Batman Beyond): ela manipulou geneticamente os pais do garoto que se tornaria Batman com o código de Bruce Wayne!
Poucos séries em quadrinhos deixaram um rastro tão profundo que se existisse uma equipe assim ela teria profunda influência política, já que diversas vezes Amanda tem que executar missões de caráter político e em outros momentos é até chantageada por burocratas.
Vale a pena buscar no baú e reler.

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