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Dia dos pais!


Certa feita perguntaram a Neil Gaiman se ele acreditava que ao morrer encontraria a Morte dos Perpétuos? [para os neófitos Neil Gaiman na série Sandman construiu uma família de seres chamados Perpétuos, e entre eles havia “Morte”, uma das personagens mais simpáticas da série, que chegou a ganhar duas minisséries próprias].
Ele disse que não, pois são os personagens que encontram o criador. O homem encontra o seu “deus pessoal”, ou seu pai.
Às vezes alguns se recusam e isto dói. Uma pena! Pelo menos no dia dos pais deveria ser uma oportunidade de resolver antigas mágoas. Mas o valor do pai é menor em nossa sociedade.
Uma amiga trabalhou em uma loja de roupas e comentou que no “Dia das Mães” todos compram grandes quantidades de presentes, luxos e variedades, já os pais ficam com uma camisa de R$ 8,00 ou um boné de R$ 5,00. Nas famílias abastadas o máximo é um presente de tecnologia (celular em geral) que ele sequer saberá usar.
Pior, um conhecido para receber os parabéns de sua filha teve que aceitar uma ligação à cobrar!
Viva!
E olha que como somos em geral cristãos damos personalidade masculina a Deus! E ainda assim não valorizamos a figura do pai.
Nos quadrinhos todos os heróis são pais, pois desde Robin (1940) todos têm algum sidekick, aquela irritante criança que segue o herói. Robin, Bucky, Centelha, Namorita, Rick Jones, Águia Dourada, Rapaz Fera, Kid Flash... a lista é grande.
O escritor Geof Johns é o escritor que tem maior apreço pela instituição familiar nos quadrinhos. A série Sociedade da Justiça da América é sobre uma grande família. Grande parte de suas tramas são apenas desdobramos de eventos de uma família. A equipe se reuniu para cuidar de uma criança (o Senhor Destino), teve problemas com um herói que se corrompeu, o Manto Negro, filho do Lanterna Verde (Allan Scott, o Lanterna, na verdade, não tem culpa, não sabia da existência das crianças, filhos dele com uma vilã de sua galeria; o menino foi criado por um pai abusivo e sugestionado por um vilão Ian Karkull se voltou para o mal), e há diversas tramas que ressaltam o aspecto da família e dos valores religiosos, tudo isso em um quadrinho de ação e aventura. Eu gosto muito dos diálogos entre o Dr Meia Noite (médico e católico) e Sr. Incrível (cientista, químico, atleta de nível olímpico e ateu). Os diálogos são bem escritos e mostram que o ateísmo de Incrível (Michael Holt) começou quando perdeu a esposa grávida em um acidente automobilístico. Magoado, se afastou de Deus.
É engraçado pensar que as obras que tenho resenhado aqui são sobre família. Os filhos de Anansi, A cabana e O jogo do exterminador, são livros diretamente sobre famílias e como elas influenciam-nos.
Bem para terminar vou falar de um pai da ficção, o senhor Johnny Quick, e sua relação com sua filha.
Johnny foi um dos velocistas da DC Comics na Era de Ouro (1938-1950), assim como Flash e Max Mercúrio, e dizia uma fórmula matemática que lhe fazia acessar a Força da Aceleração – ele não sabia o quê era esta tal força já que só em Flash, Volume 2 o escritor Mark Waid iria criar o conceito.
Na série All-Star Squadron (1.980-1.987) Roy Thomas utilizou vários personagens pré 2ª Guerra da DC Comics, entre eles Johnny Quick e Liberty Belle, que se tornaria sua esposa na época em que foi publicado a série “Crise nas Infinitas Terras”. James Robinson na série alternativa “A Era de Ouro” não dá um final feliz para o casamento, e mesmo alternativa vale como curiosidade, já que a série é excelente e foi publicado em 1.998 pela Metal Pesado, merecendo há muito uma nova edição.
Sabe-se que em nossa realidade o casamento gerou Jesse Chambers, a Jesse Quick, outra velocista que já teve importância nas séries Justice Society of America volume 2 (inédita), Flash e Titans. Infelizmente a menina era insegura de seu papel como velocista e deu sua velocidade para Wally West numa demonstração que não se achava merecedora. Com o pai morto (num arco inédito no Brasil) ela vivia às turras com a mãe, até que ao fazer as pazes com ela conseguiu ter acesso ao poder que a mãe possuía (na mãe ganha super-força por estar conectada ao Sino da Liberdade, sim é ridículo, mas era uma personagem patriótica em um país em guerra).
Em Justice Society of America volume 3 # 08, na história do casamento de Jesse com o atual Homem-Hora ela faz as pazes com a memória do pai e consegue novamente o acesso à força de aceleração, salvando o Detonador e capturando o Flash Reverso na trama.
A lição que fica é que para prosseguir temos que fazer as pazes com quem veio antes, resolver todos os assuntos mal resolvidos, perdoar o quê se deve perdoar e usar isto como alicerce para uma nova vida.
Feliz dia dos pais!

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