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Incapacidades (II)



Então chegamos na Legião.
Vamos ser claros: antes de X-Men havia a Legião! E não é por que Dave Cockrum esteve lá antes. Cockrum realmente esteve com a Legião antes dos X-Men, mas a Legião já era um grupo que atraia atenção, no mínimo, desde a época de Shooter, se não desde o início. É necessário explicar isto por que muito da dinâmica da Legião – as aventuras, as amizades, os namores e relacionamentos, o sucesso – teve-se espelhado nos mutantes.
Falar da Legião é falar também da equipe no Brasil, especialmente agora que após tantos anos sem uma constância de publicação no Brasil é fácil que alguém diga que não conhece a equipe.
A equipe sempre teve espaço na EBAL (editora que publicava a DC Comics no Brasil antes da Abril Jovem) e além da clássica série em preto & branco, dividiu séries coloridas em formatinho no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, além de várias edições especiais. Quando a Abril iniciou a publicação da DC a equipe começou uma longa parceria com a série Super-Homem, primeiro com republicações e depois com histórias inéditas.
Passados 25 anos (o tempo voa! Mas eu estava lá) não me é possível imaginar realmente o por quê da política da Abril Jovem de então. A Abril começou republicando material que a EBAL já havia mostrado! E ainda queria conquistar leitores!

Oh por favor não me falem de Camelot 3000, Ametista ou Titãs! Eram minorias e sequer eram publicadas mensalmente!
Então um dia a política interna por aqui mudou e tivemos o contato com o material de Paul Levitz & Keith Giffen, que definiriam o conceito da equipe. Graficamente, Giffen teve uma força indescritível pois rompeu em muito com o estabelecido (a inocente visão de futuro de Curt Swan e mesmo as visões de Cockrum e Grell na década anterior) e ainda que tivesse um traço detalhista, tinha uma leveza e deixava de usar sombras e contornos, se apoiando cada vez mais em cores. Em alguns momentos – veja DC 2000 da Editora Abril – ficava impossível distinguir um personagem do outro se não houvesse a colorização. Longe de fraqueza era um estilo de ver o futuro!
Com o sucesso da Saga das Trevas Eternas (o primeiro Superpowers da Editora Abril), a equipe continuou a ser editada por aqui gerando um novo Superpowers, mas logo foi relegada à escanteio por causa da reformulação proposta em “O homem de aço” de John Byrne: Superman não havia sido Superboy! Então quem influenciou a criação da Legião?
Ainda que a inquietude dos leitores talvez seja o grande fator para gerar um resultado tão pífio – sim estou dizendo que a editora simplesmente deveria ter ignorado a história, a cronologia e os leitores e esperado a poeira abaixar naturalmente – onde Byrne e Levitz explicaram que a Legião havia tido contato com um Superboy alternativo, de um Universo Compacto.
Pronto!
Este herói se sacrificou e a Legião deixou ser publicada mais uma vez. Anos depois, primeiro em DC 2000 e depois em Super-Homem a equipe voltou para enfrentar o Senhor do Tempo, o Julgamento de Brainiac 5 e finalmente o retorno da magia!
Mesmo orientada por Keith Giffen a ruptura foi longa! O quarto volume da equipe começou em um universo com a magia restaurada, em caos completo e com a Legião destruída. De certo modo era uma repetição de eventos do terceiro volume, mas não vamos nos aprofundar. Basta dizer que a equipe já não inovava tanto quanto outrora.
Giffen ainda foi o responsável pela criação do título-irmão, Leggionaries, algo em voga nos anos 1.990: as principais séries dos quadrinhos tinham títulos-irmãos e sub-universos.

Em 1.994 houve uma grande oportunidade de corrigir o tom da série novamente: Zero Hora e sua reconstrução do universo DC. Algumas correções foram feitas, alguns títulos foram lançados, e certamente das correções, a que mais se sobressaiu foi a nova versão para a equipe – dos títulos lançados teríamos dois que chamariam a atenção: Aquaman de Peter David e Starman de James Robinson, sendo o segundo bastante superior –, primeiro tendo como objeto de inspiração para a equipe a lenda de Mon-El, o adolescente condenado a mil anos de solidão – neste ínterim, no presente do DCU, Mon-El um daxamita já tinha tido sua própria série como o herói Valor e já tinha sido envenenado por chumbo.
Bobagem!
A DC também tinha criado um jovem Superboy como resultado do imbróglio “A morte do Superman”, um clone imperfeito do Superman que teve uma longa série de aventuras. Este clone daria espaço para as raras aparições desta fase da equipe no Brasil – outras seriam durante a série Noite Final.
No final a importância seria revista novamente e após 125 números Legion of Super-Heroes seria cancelada, assim como sua série irmã Leggionaries, e lançada a série Legion Lost (uma macro série com 12 números) e finalmente The Legion, tentava-se novamente se aproximar da equipe clássica, que apesar de bons resultados ainda que em 2004/2005 rompeu-se (novamente!) e Mark Waid junto com Barry Kitson reescreveu a história da equipe.

A primeira equipe durou quarenta anos! A segunda dez!
A terceira sequer chegou aos cinqüenta números direito!

Incapaz de apresentar histórias que usassem todo o potencial da equipe a DC se viu tendo que reformular para reapresentar a equipe, e isso cansa! E muito!
Mesmo que o início tenha sido bom e o tom político da série tenha realmente agradado, queríamos algo diferente.
Queríamos algo que funciona por que conhecíamos e tínhamos afinidade!
Geoff Johns conseguiu fazer isto!

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