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Incapacidades (I)



Ao ver a Legião dos Super-Heróis retornar pelas mãos de Geoff Johns (nos arcos “Superman e a Legião dos Super-Heróis” e “Legião de 3 Mundos”, além do arco com a Liga e Sociedade da Justiça) não posso deixar de pensar em todos os erros e acertos da DC Comics.

Primeiro é de estranhar que tantos títulos campeões de vendas no início dos anos 1980, como “All-Star Squadron”, “The New Teen Titans” e “Legion of Super-Heroes” tenham passado ao ostracismo, e alguns, como o primeiro título, sequer foram republicados desde a conclusão.

Se toda a série “All-Star Squadron” não é uma maravilha, existem no mínimo quatro arcos (cerca de 25 a 30 números) que são ouro puro, e que mereciam as mais qualificadas reedições. Se o final perde muito da qualidade de arte, ainda que o texto continue afiado, o início, os cross-overs com a Liga da Justiça, com a Corporação Infinita, os arcos da Sociedade da Justiça, os anuais e histórias fechadas com a Sociedade e com os Combatentes da Liberdade e Sete Soldados, mostram que a série funcionava e bem!


Mesmo em seu canto de cisne, já concluída a “Crise nas Infinitas Terras” a série não se alterou e continuou a usar o Superman, o Batman e a Mulher Maravilha. Resistiu até o final em um universo que ensinava que nunca houve uma Terra-2.
Hoje com o retorno do Multiverso, esta decisão de Roy Thomas se justifica e se torna uma das várias explicações de que as múltiplas dimensões nunca realmente acabaram – algo, que por sinal, o conceito de Hipertempo já havia defendido, mas muitos esquecem.

Ainda assim, passados 22 anos do encerramento, poucos se lembram e nunca houve um encadernado americano com a série.

Diferente da Marvel a DC não tem como política reeditar seus sucessos, faz, no máximo, manter algumas marcas “acordadas” no mercado, e muito mal!

Enquanto a Marvel simplesmente reedita o melhor de sua história com uma roupagem anos 2.000 (veja World War Hulk apenas para ficar em um único exemplo), a DC escala equipes inexpressivas para reacender a velha chama, porém sem brilho.

Judd Winick & Ian Churchill em Titãs!

Ora!

Contra Trigon!

Senhor, paciência!

E isto nem mesmo é a primeira tentativa!

Os Titãs, supremo best-seller da DC Comics nos anos 1980 já teve pequenas revitalizações como a troca do título de “The New Teen Titans” – a nova Turma Titã – para “The New Titans”, no início da “Saga dos Gnus”. Infelizmente, na rabeira destas mudanças introduziu-se na série o conceito de Terras Alternativas, resultado da maxi-saga de 1.991, Armageddon 2001. Em síntese: o seqüestro dos Titãs em 1990/91 pela sociedade Gnu serviria como justificativa da criação de dezenas, talvez centenas de pequenos grupos chamados “Tropas Titãs” que enfrentavam um estado policial que permitia a comercialização de uma droga altamente viciante. Liderados por um líder secreto uma equipe Tropa receberam uma missão esdrúxula: voltar no tempo e matar o bebê de Donna Troy, que no futuro era o ditador do mundo, o Lorde Caos. O arco “Caos Total” logo após o longo imbróglio da “Saga dos Gnus” tinha esta premissa.

Sucesso inicial, as “Tropas Titãs” tornaram-se algo triste que foi apagado da cronologia em parte com Zero Hora – onde descobriu-se que o líder secreto era um vilão que, na verdade, queria eliminar os vários possíveis futuros alternativos, de modo que o dele pudesse se sobrepujar e tornar-se o definitivo – e finalmente os últimos efeitos desta era foram exterminados em Crise Infinita (onde morreram Pantha e Bebê Gnu) e 52/III Guerra Mundial (onde morreu Terra II) – parece que Johns não gostou da idéia de ter matado Pantha e a utilizou em um arco de Gladiador Dourado que se passa em uma dimensão alternativa.

Triste fim para uma linha que ainda tinha Exterminador, um título a la Justiceiro da Marvel, ou seja, um anti-herói amargurado. Quando Wolfman decidiu que era hora de por a equipe de molho a equipe já era formada pela Darkstar Donna Troy, pelo Lanterna Verde Kyle Rayner, Arsenal e Impulso, tendo como vilões Ravena e Estelar.

Houve ainda a versão de Dan Jurgens, posterior à Zero Hora, com Elektron rejuvenescido como líder e depois a excelente série de Devin K. Grayson – que a Abril Jovem publicou o primeiro ano depois de DC 1,000,000 – e o final desta série é que resultaria na – então – lógica divisão entre Turma Titã (escrita por Johns) e Renegados – escrita por Winick: Dick Grayson estava cansado das responsabilidades de liderar uma família e preferia comandar soldados, enquanto Cyborg e Mutano (às vezes chamado de Rapaz-Fera) preferem continuar o treinamento e capacitação dos jovens do DCU – naquele momento o grupo mirim da DC era a equipe Justiça Jovem que teve poucas histórias publicadas por aqui. As séries funcionariam por muito tempo, ainda que se sabia que não era os Titãs de outrora. Todo o arco envolvendo Índigo e Brainiac funciona bem.

A DC então começou a nova série Titãs, com – novamente – os membros originais e Dick reticente se deve ou não integrar a equipe.

Você deve estar pensando se isto não era uma tentativa de reeditar os Titãs?
Nunca foi, especialmente por que as equipes alocadas não eram de autores de primeira grandeza. No máximo as séries descendentes do sucesso tiveram autores que brilharam num primeiro momento e depois não conseguiram manter aceso o fogo (de palha?) inicial.

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