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terça-feira, 28 de janeiro de 2014


A série Fundação (Fundação, Fundação e Império e Segunda Fundação) é tida como uma das séries mais importantes da literatura ficcional e não estou me limitando à ficção científica. A trilogia original narra a criação da Fundação, os conflitos entre a recém-surgida instituição e o decadente Império e o fato de que poderia haver algo externo – o Mulo – que poderia degringolar o elaborado plano de Hari Seldon.

Devo revelar que fiquei um pouco decepcionado com o fato de que a trama inicial terminar antes da metade do período que seria necessário para reconstruir o Império – 1000 anos. Na trama original Seldon descobre que o Império entrará em decadência e elabora um complexo plano, usando uma matemática de ponta chamada psico-história, capaz de prever o destino de um conjunto de pessoas, mas não de uma pessoa individualmente. Com este plano, Seldon pretende pular um ciclo de barbarismo de 30 mil anos entre um império e outro, e substituí-lo apenas um período de mil anos. Como administrador que sou, parece-me macroeconomia, mas isto seria simplificação.

Para tanto cria a Fundação – científica, política – e secretamente a Segunda Fundação – psíquica, analítica, intelectual – e pretende alcançar os objetivos com o uso de seu Plano Seldon e eventualmente aparecendo através de mensagens gravadas em momentos chamados Crises Seldon – eu não sei quanto a vocês, mas leio Hari Seldon e pronuncio mentalmente Harry Sheldon.

Iniciada em 1942 e conclusa em 1953 a série Fundação é um clássico e em 1966 recebeu um Prêmio Hugo especial como a “melhor série de ficção científica e fantasia de todos os tempos”, superando entre outros O senhor dos anéis de Tolkien! De certo modo parece uma história presa em sua época, fruto dos padrões existentes na Segunda Grande Guerra, tanto de narrativa bastante intelectual, quanto do predomínio de um tipo especial de homem sobre todos os outros.

Então nos anos 1980 ofereceram um “caminhão de dinheiro” para Isaac Asimov e o bom doutor decidiu estender a série, criando duas sequencias e duas prequelas – adaptação bem ousada de sequel (sequência) e prequel (que em inglês significa o que vem antes, mas em um sentido diverso de prelúdio, já que prequel, mesmo vindo antes foi criado depois).

O primeiro desta extensão foi Limites da Fundação (Foundation's Edge), publicado originalmente em 1982 e aqui pela nova tradução da Aleph (2012, tradução de Henrique B. Szolnoky, ISBN 978-8576-57-1033-9). A trama se passa quinhentos anos depois do início da Fundação e o Conselheiro Golan Trevize “desconfia” que a Segunda Fundação ainda existe e que o Plano Seldon é um embuste!

Exilado pela prefeita Harla Branno – cuja imagem mental que construí ou me apropriei é a da atual chanceler alemã – sua verdadeira missão é encontrar o mundo da Segunda Fundação, enquanto disfarça com a missão científica de encontrar o mítico mundo em que surgiu toda a vida do universo: a Terra!

Na Segunda Fundação o ambicioso Orador Stor Gendibal acredita que o plano não deveria funcionar tão bem ou que há algo, além das duas fundações, trabalhando em prol do “plano maior” que o bem da humanidade.

Quem? Por quê? Qual sua real agenda?

* * *

Típico romance de Isaac Asimov, Limites da Fundação não oferece grandes surpresas do quesito Fundação e suas tramas, mas ao unificar o universo literário do autor em especial com o universo da série Robôs, a trama brilha em oportunidades, especialmente considerando que a Aleph já iniciou a publicação de uma nova tradução para esta outra série.

Ainda que a característica do autor seja os diálogos e as tramas resolvidas quase sempre de forma analítica, chama a atenção a tensão sexual presente no volume, mas não dita de forma explícita. O autor confessa que os mentalmente evoluídos membros da Segunda Fundação tem encontros sexuais com os rústicos habitantes do mundo onde se escondem e uma terceira força usa e abusa de um corpo jovem e em alguns momentos semi nú, usando uma indiscreta blusa transparente para intencionalmente despertar a paixão em um velho estudioso.

Há sequencias inteiras que podem ser construídas pelo leitor com um cruzamento entre as luvas de Minority Report e os códigos de Matrix, especialmente quando um Orador da Segunda Fundação exibe uma parte do código do Plano Seldon que não deveria ter funcionado tão bem. Mas ao fim, a descoberta de Gaia como um planeta senciente não me impressionou tanto, já que Jack Kirby, Stan Lee e John Byrne já haviam me apresentado e reapresentado Ego, o planeta vivo nas aventuras do Quarteto Fantástico e Thor. Talvez não seja esta a origem do conceito de planeta senciente, mas foi lá que vi pela primeira vez um, o quê diminui o impacto de qualquer outra versão posterior.

Por fim, se a falta de um grande impacto na história a diminuiu um pouco, o simples desejo de descobrir o quê aconteceu com a Terra e por que seu destino foi intencionalmente oculto dos arquivos do Império e, por extensão, da Fundação, já me motiva para o romance seguinte, assim como descobrir o que aconteceu nos últimos dias da Era dos Robôs.

Ou seja, Asimov será presença constante por aqui por muito tempo.

Fundação, a série
Prelúdio à Fundação
Origens da Fundação
Fundação e Império
Segunda Fundação
Limites da Fundação
Fundação e Terra
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Written by Lovely

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