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sábado, 16 de novembro de 2013

Imagine um mundo bem distante no futuro onde as pessoas pararam de conversar entre sim pessoalmente e passam a utilizar métodos como aparelhos instalados nos ouvidos ou gigantescas telas retangulares instaladas em suas salas. A ponto de para manter a ilusão que conversam chegam a instalar dispositivos que inserem seus nomes nas bocas dos desconhecidos e assim eles referem-se à audiênica pelo nome.

Imagine um mundo bem distante no futuro onde as pessoas não conversam sobre si, mas sobre campeonatos de esportes de massa e onde a tristeza se faz presente ao ponto de que as pessoas se entreguem às drogas sem uma lembrança do quê fizeram.

Imagine um mundo bem distante onde os livros passaram a serem censurados primeiro pelas minorias. Negros passaram a censurar os brancos, homossexuais passaram a censurar os heteros, evangélicos passaram a censurar os ateus e estes, por sua vez, os evangélicos. Neste mundo você pode ter opinião, desde que concorde com a maioria e que, evidentemente, não entre em conflito com nenhuma minoria.

Este é o mundo de Montag, um bombeiro, não o nosso (será?). Neste mundo um bombeiro tem a função não de apagar incêndios, mas exterminar os livros e toda a cultura advinda deles. Na trama, Beatty, superior de Montag, revela que não foi um plano das elites dirigentes, mas algo que começou com as minorias e foi apropriado pela “direção”, porque ia de encontro com os interesses daqueles que dominam o mundo.

Realmente o livro é esquemático: Montag é questionado sobre seu papel no mundo por uma vizinha, passa a realmente ver o mundo em que vive e, no processo, rebela-se contra o sistema. Não é exatamente um processo inovador para contar a história. É apenas mais uma maneira. E aqui funciona! Pois assim como em As crônicas marcianas a força está no texto de Ray Bradbury, que tem uma força e poesia incríveis – especialmente no primeiro ato da história.
Bradbury criou em 1.953 um libelo contra a censura, contra o ato de censurar, contra a alienação e contra os processos pelos quais se dão a alienação. Acertou na mosca na descrição de tecnologias que existem hoje e mais impressionante, no uso que a sociedade faz dela, ao ponto de conseguir visualizar com facilidade anormal salas com três televisores de tela plana e pessoas conversando indefinidamente sobre coisas sem relevância, enquanto as relevantes são deixadas.

* * *

No fim, é irônico que o seja publicado no Brasil pela Editora Globo.

Fahrenheit 451, Ray Bradbury, Globo de Bolso, Editora Globo, ISBN 978-85-250-4644-4, 1ª edição 2009, 1ª reimpressão 2010, Tradução de Cid Knipel.

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Written by Lovely

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