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Sobras

A cada evento as editoras de quadrinhos lançam uma série de edições relacionadas. Se, em 1.989 quando a DC fez Invasão! o comum era que as histórias envolvendo o Superman e o evento fossem narradas nas próprias séries mensais do herói, na década de 2.000 o padrão é que o personagem ganha uma minissérie separada para vender em dobro – sua própria série e a minissérie relacionada ao evento.

A cada novo evento surgem uma penca de heróis novos e brilhantes que não duram uma temporada completa.

Em Invasão! (1.989), série da DC Comics que tratava sobre a invasão da Terra por nove raças alienígenas, a questão era o risco do nosso planeta em gerar super-seres. Durante uma pesquisa dos dominions - uma das raças invasoras - alguns humanos sobrevivem a um massacre, quando o normal seria nenhum. Estes sobreviventes ganharam um especial e uma série “Blaster” por Peter David & James Fry (mesma equipe de Star Trek).

O personagem mais conhecido da série era Snapper Carr, um mascote da Liga da Justiça que até hoje frequenta a cronologia DC. Recentemente esteve envolvido com o Xeque-Mate e Crise Final.

Para não dizer que esta foi a única série lançada depois de Invasão! tivemos a L.E.G.I.Ã.O. uma série sobre uma força pacificadora intergaláctica fundada por ancestrais dos membros da Legião dos Super-Heróis. Num constante vai e vem de qualidade, especialmente em função do tom errado – a série geralmente falava sobre a transformação de boas idéias em uma ditadura militar – que nunca foi absorvido em sua plenitude pelos leitores, a equipe sofreu vários cancelamentos mas atualmente continua a agir no DCU, numa série chamada R.E.B.E.L.S. volume 2.

Caso famoso é o dos Novos Guardiões, grupo criado no evento anterior da DC – Milênio (1.988). Neste evento alguns humanos iriam evoluir mil anos (o milênio do título da série). Evoluídos, ganharam uma série mensal para mostrar suas aventuras, o quê não durou um ano.

Ninguém queria ver os tais substitutos dos Guardiões de Oa – aquela raça que agrega a Tropa dos Lanternas Verdes.

Com as mudanças na Tropa então, o título teve uma sobrevida, mas logo a Tropa foi reconstruída e descobriram que tudo não passou de um erro de avaliação.

E muito constante na indústria.

Especialmente depois que a Marvel colocou suas ações na bolsa de valores. Em síntese a cada trimestre a Marvel tem que enviar novos relatórios de vendas para manter o interesse e valor de suas ações. Para vender mais eles fazem eventos a cada momento mais bombásticos, mais gigantescos, não só em concepção mas também gigantes em número de edições relacionadas.

Guerra Civil da Marvel (veja aqui), A noite mais densa da DC ou Invasão Secreta da Marvel facilmente ultrapassam mais de duzentas edições relacionadas – entre prelúdios, tie-in, cross-over, séries especiais, série principal e epílogos.

No final fica-se como em Invasão Secreta, ou seja, com a absoluta certeza de que poderia ter sido contada em 3 números em vez de 8, ou como a sensação que temos ao ler a tonelada de leitura complementar: tudo isso era mesmo necessário? Ou era apenas sobras de reuniões para que se sugerissem idéias?

Tão acostumado a consumir tanta sobra, o leitor nem se dá conta quando surge algo novo, original, feito e pensado no formato em está sendo apresentado, e não apenas uma revisão de conceitos, valores, mudanças de tons e relançamento de idéias requentadas.

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