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Voar!, Parte 1

O ser humano sonha com voar desde que é capaz de ter idéias. Voar significa ter domínio sobre distâncias, ser capaz de surpreender o inimigo, ter controle sobre muralhas intransponíveis.

Daí quase todos os grandes heróis poderem voar. Quando não voam, têm teias ou cordas especiais que os deixam em status semelhantes.

Nomes simples já renderam dificuldades ao escritor Stan Lee. Os X-Men deveriam ser “Os Mutantes”, mas o editor quis algo mais apurado. Anos antes os primeiros homens misteriosos eram “homem isto”, “homem aquilo”: Batman, Superman, Aquaman, Hawkman. A regra adicional envolvia cor: Green Lantern, Green Beetle, Blue Beetle e por aí vão.

Hawkman conhecido no Brasil como Falcão da Noite nunca foi um personagem do primeiro escalão. Nunca foi popular o suficiente para ter série própria e suas aventuras eram narradas como backups em Flash Comics.

Não fosse a sua versão da Terra-1, o Hawkman original da Terra-2 chamado Carter Hall, um arqueólogo que descobriu um metal enésimo que permitia anular a gravidade e que acreditava ser a reencarnação de um faraó egípcio chamado Khu-fu, só teria entrado para os anais como o líder da Sociedade da Justiça da América pelo maior período possível.

Julius Schwartz reconstruiu a idéia e tornou Hawkman e sua companheira Hawkgirl policiais alienígenas do planeta Thanagar, que orbita a estrela Polaris. Esta nova versão da Terra-1 (a Terra em que as aventuras da DC Comics eram narradas entre 1.955-86) mantinha o conceito do metal enésimo e das asas artificiais para dar suporte de vôo à ausência de gravidade. Os nomes, no entanto, agora eram Katar Hol e Shayera Thal. No Brasil os personagens foram lançados com o nome de Gavião Negro e Moça Gavião, nome que permanece em uso até hoje.

Não se pode dizer que o Hawkman da Era de Prata tinha tido destino melhor que sua contraparte da Era de Ouro. Sua série Hawkman volume 1 foi cancelada e tempos depois substituída por The Atom And The Hawkman – notaram que o nome “Hawkman” não vem antes no título?

Durante este período Gavião Negro dividiu as páginas com Elektron e também se aproximou na Liga da Justiça da América. Com o cancelamento de The Atom And the Hawkman foi em Justice League of America volume 1 que teríamos espaço para tramas de ficção científica envolvendo o seu mundo natal, como a esdrúxula praga que tornou os thanagarianos física e mentalmente semelhantes.

Enquanto o Gavião Negro vivia aventura na Terra-1 com a Liga da Justiça, após o estabelecimento dos encontros anuais entre Liga e Sociedade da Justiça a partir da metade dos anos 1.960, a própria Sociedade da Justiça retornaria a ter uma série mensal primeiro em All-Star Comics (1976) e depois em Adventure Comics (1979). Falcão da Noite, o Hawkman da Terra-2, era membro da equipe, porém, pouco mais de um coadjuvante, perdendo em muito com iniciantes como Poderosa ou Caçadora. Mesmo entre os membros clássicos havia personagens com mais proximidade com os leitores. Ainda assim seria coadjuvante, já nos anos 1980, de All-Star Squadron que trazia histórias dos personagens da Terra-2 durante a 2ª Grande Guerra e Corporação Infinito, onde seu filho, Hector Hall assumiu a identidade do Escaravelho de Prata e depois Sandman.

Na Terra-1, após algumas histórias de suporte (backups) o personagem só retornaria ao seu brilho em 1985 nas mãos de Tony Isabella (criador do Raio Negro) que produziu três séries seguidas: The Shadow War of Hawkman (3 edições), Hawkman Special (edição única) e Hawkman volume 2 (dezessete números).

Este conjunto trata de uma invasão thanagariana à Terra, trama que é concluída na edição 10 de Hawkman volume 2 com a participação do Superman já da Era John Byrne – por sinal a história é citada em uma Action Comics com participação da Tropa dos Lanternas Verdes já publicada pela Editora Abril.

A série do Gavião Negro termina em meados em 1.987 quando o processo de reformulação dos personagens DC já estava avançado e começava a atingir os personagens secundários.

Pego neste processo, Gavião Negro recebeu uma minissérie chamada HawkWorld de Timothy Truman (em três partes) e depois a história continuou a ser narrada em HawkWorld volume 2, agora por John Ostrander & T. Truman, tendo o segundo se afastado após o primeiro ano da série.

Como sabemos o processo da confecção da série HawkWorld volume 1, com suas cento e oitenta páginas, foi lento e quando ela terminou de ser publicada já havia sido publicado também um evento da DC Comics chamado Invasão!, onde nove raças alienígenas se unem para invadir a Terra, entre elas os thanagarianos.

A DC decidiu mudar as regras. HawkWorld que originalmente deveria mostrar a vida em Thanagar de Katar Hol antes da série Hawkman volume 1, ou seja, deveria acontecer no passado; agora passava no presente!

Isto mesmo, a série se passava no presente e somente agora Katar Hol viria para a Terra, num gesto diplomático de tentar estabelecer amizades após a Invasão.

As histórias de Hawkman volume 1, The Atom And The Hawkman, as participações na Justice League of America e as três séries escritas por Tony Isabella deixam de existir, ou melhor, deixam de ter valor para a cronologia.

Surgem, com isso, problemas cronológicos como a tecnologia usada no satélite da Liga, a amizade conflituosa entre o libertário Arqueiro Verde e o ranzinza Katar, a parceira com Elektron e um detalhe perdido na desimportância do personagem: o parceiro-mirim Águia Dourada, membro da Turma Titã e que tinha tido aparições recentes na Saga dos Gnus (um evento interno e longo dos títulos dos Novos Titãs).

Enquanto a poeira criada pela Crise nas Infinitas Terras abaixava, Roy Thomas preferiu tirar a Sociedade da Justiça dos holofotes, jogando-a em uma dimensão onde enfrentaria infinitamente o Ragnarok. Junto com a equipe foi o Falcão da Noite e sua esposa.

Assim com os meses Mike Gold, editor, e John Ostrander, escritor, responsáveis por HawkWorld volume 2 explicaram o seguinte:

a) Nas histórias da Liga e da série The Atom and The Hawkman, foi o Hawkman da Era de Ouro (Falcão da Noite) que atuou. Ele foi o elo de ligação entre as equipes Liga da Justiça e Sociedade da Justiça, atuando em ambas. Ele era o ranzinza que Oliver Queen brigava. As histórias da série Hawkman volume 1 com muitos elementos de sci-fi seriam descontinuadas e as com poucos elementos seriam atribuídas também ao casal Hall.

b) Após a ida da Sociedade da Justiça para a dimensão do Ragnarok, Fel Andar, um espião thanagariano assumiu a identidade de um suposto filho de Carter Hall, denominando-se Hawkman II (tornando, por conseqüência Katar Hol, o thanagariano o Hawkman III). Para compor seu disfarce Andar casou-se com uma terráquea e teve um filho, o Águia Dourada. A história toda foi narrada em HawkWorld volume 2 #22, inédita no Brasil.

Segundo o Inside DC #36 Fel Andar e sua esposa, Sharon Parker, são o par que aparecem em Justice League Internacional volume 1 #10, 19-24 e Action Comics #588.

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