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SCHRECK: onde The Walking Dead encontra Kripta

Kripta foi uma série de terror publicada no Brasil pela RGE entre 1976-1981 que traduzia material da Warren Publishing.

Alguns personagens eram recorrentes como Derek SCHRECK que teve uma pequena série de três aventuras, cujas aventuras transcorriam em um mundo onde houve uma guerra nuclear entre EUA e China que resultou na destruição da lua.

O efeito disso foi “A doença lunar”, título da aventura publicada em Kripta #01 (julho/1976) com texto de Doug Moench e arte de Vicente Alcazar.

A referida doença deixava os humanos (e posteriormente os animais) loucos, violentos e canibais perseguindo, mutilando, matando e até mesmo se alimentando das suas vítimas, algo muito parecido com o padrão atual de zumbi, inspirado na obra cinematográfica de George Romero.

Não por coincidência as origens da Warren Publishings estão na adaptação de filmes de terror para o formato magazine de como a vencer o Comics Code.

Numa série como Kripta, com tantas criaturas místicas o zumbi tinha duas versões distintas. Um era o ser quase morto da série Spectro, outro era o louco pelo resultado da destruição do satélite terrestre da série Schreck, uma doença física e de possível cura apesar de todo um sub-texto pseudo religioso.

Sem uma das mãos e enfrentando “zumbis” criados pelo terror atômico que não contaminavam as pessoas pelo contágio, leitores mais antigos podem encontrar parte da fuga constante de Schreck em The Walking Dead, além de um sentimento de que o mundo estava completamente destruído e que logo os protagonistas sucumbiriam ante às forças antagonistas. Na obra de Robert Kirkman todos sabem que um dia Rick Grimmes irá sucumbir por completo, mas o quando ainda é motivo para especulação. Com a 100ª edição prometida para junho nos EUA e a terceira temporada da série de TV já contratada é fácil supor que a série tenha no mínimo mais uns 36 meses de sobrevivida.

Por sinal, atualmente eu sou o único que persegue o fim da série The Walking Dead, pois apesar de a série ainda não ter perdido o pique, já torna-se evidente as limitações narrativas da trama.

Não me surpreenderia se um dia Kirkman anuncia-se que uma de suas inspirações foi a obra de Moench, afinal o pop há de comer a si mesmo. Ao menos Moench foi mais sucinto em sua narrativa.

Schreck retornou no ano seguinte em Almanaque da Kripta #01 (junho/1977), onde é narrado o prequel da primeira aventura inicial pelo mesmo Moench mas com Neal Adams na arte-final. Talvez um erro dos editores nacionais tenha publicado as duas partes finais antes do início, ou talvez fosse mesmo um prelúdio para a história em função de boa recepção do público.

De qualquer modo são edições imperdíveis!






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