Um sinal do espaço de Will Eisner


Amálgama: A era dos quadrinhos


Astro City v2: Confissão (2015, Panini)


O trem dos órfãos (2015, Editora 8Inverso)

[História]
No fim do século XIX um grande programa realocou crianças órfãs ou em condições de miséria de Nova Iorque para o oeste dos Estados Unidos da América.
Esta história se passa em 1.920 e narra a viagem de Jim, tentando proteger seus irmãos e permanecer unidos ao mesmo tempo em que aprende a regras da vida que lhe foram impostas. Setenta anos depois, em 1.990 o velho Jim procura juntar os cacos de sua vida e reencontrar-se com seu passado.

[Comentários]
De longe o melhor lançamento inédito que li neste ano, O trem dos órfãos consegue atingir seu objetivo sem ser didático em demasiado. Narra a história do Orphan Train Riders, explica o contexto, os objetivos, e os vícios do programa sem longas passagens cheias de diálogos tediosos. O leitor sente a tristeza de Jim e como o personagem se encontra perdido nos eventos que o cercam. Seu pai o abandona e ele, analfabeto, não sabe reconhecer o fato. Aos poucos vê seu irmão mais novo e sua irmã de colo também serem adotados e, no processo, perde a própria identidade.

A obra de Phillipe Charlot (texto) e Xavier Fourquemin (arte), com cores de Scarlet Smulkowski e tradução de Danielle Reichelt é belíssima e o único senão é o formato adotado pela Editora 8Inverso, menor que o tradicional formato “álbum” usando um formato parecido com o adotado pelo HQM na série Os mortos-vivos. O álbum merecia não somente o formato padrão para os álbuns franco-belgas como um acabamento em capa dura.

Belíssimo trabalho com texto, arte e cores que conseguem unir-se para apresentar um resultado final adequado e pungente.

No site da editora original (aqui) é possível notar que há um segundo ciclo da série e mais quatro álbuns vinculados a este segundo ciclo.

O trem dos órfãos – 1 – Jim/ 2 – Harvey de Phillipe Charlot & Xavier Fourquemim, tradução de Danielle Reichelt, Editora 8Inverso, 1ª Edição, Porto Alegre, julho de 2015. ISBN 978-85-62696-30-5.

Sense8, Rising Stars e Os Eternos

Lendo a tonelada de papel impresso e colorido e deixando de lado as duas toneladas de papel branco impresso com tinta preta e eventualmente assistindo aos finais de campeonatos de basquete, Flash e algumas séries da Netflix.

Eis que me deparo com Sense8, que merecerá uma análise detalhada. Mas no primeiro momento o produto dos criadores de Matrix (The Wachowskis) e Babylon 5 (J. Michael Straczynski) que lembrou… Os Eternos, não o de Jack Kirby, mas o de Neil Gaiman que calhou de eu estar lendo no mesmo momento. Por que? A forma em que apresenta os super-seres, com seus flashes e memórias compartilhadas me fez lembrar as duas primeiras edições dos Eternos (2006).

Há em Sense8 boas tiradas como a dos ladrões de cofres, onde um deles interrompe um assalto para assistir a um programa na TV, e há o casal homossexual da vez, que não parece deslocado. Há uma sensibilidade no casal real, mas não se deixa de notar uma ironia estranha, que parece remeter aos produtores/diretores: o casal homossexual é formado por uma moça e um transsexual, que aparentemente mudou de gênero de macho para fêmea. Pode ser uma impressão errada do primeiro episódio, mas o detalhe chama a atenção.

Resta lembrar que Straczynski já trabalhou com super-seres em vários oportunidades nos quadrinhos, mas temos boas lembranças do primeiro trabalho dele: Rising Stars, já publicado no Brasil. A razão é que o autor gosta de reciclar ideias e é bom ver as fontes.

E por fim... que tolo o season finale de Flash. Me lembrou uns dois ou três season finales de Smallville, especialmente depois que Jeph Loeb passou a trabalhar na série: um evento de impacto... que será ignorado na próxima temporada ou será resolvido com um lance mágico.

Multiversidade, Fim dos Tempos e Convergência

A Panini Comics anunciou que vai reunir as séries Multiversidade, Terra 2 e Fim dos Tempos em um mix chamado de Multiverso DC.

Multiversidade é uma série de especiais escrito por Grant Morrison e passam em Terras alternativas do Multiverso DC. Dos oito especiais, li cinco e achei razoável, ainda que ver a enésima versão de um conceito simples (Terra X, por exemplo) não seja tão relevante assim. Se fosse um encadernado somente com os oito especiais, renderia mais.

Terra 2 é um dos títulos de Os Novos 52 e se passa em uma Terra alternativa onde surgiu a Sociedade da Justiça. Apesar de um bom início nas mãos do escritor James Robinson, que havia trabalhado em Starman (1994) e no relançamento da Sociedade da Justiça na série SJA em 1998, o autor se afastou devido a interferências editoriais.

Fim dos Tempos é uma série semanal – mais uma – e teve muitos especiais e minisséries para abordar o tema.

A Panini reúne tudo isso em um mix e abre caminho para publicar aí também o evento Convergência.

Reunir desta maneira é um excelente jeito de ignorar tudo.

Convergência não resolve o problema do Multiverso da DC e só faz fan service ao apresentar histórias das versões antigas dos personagens da editora. Algumas são excelentes: o Superman pré-Flashpoint, o Gavião Negro de Tony Isabella, mas algumas são extremamente datadas e presas ao contexto em que foram geradas, como o Aquaman de Peter David.

Incapaz de produzir conteúdo de qualidade, Convergência será nota de rodapé em alguns... anos? Não, em alguns meses! Multiversidade, que aqui será publicado junto, deverá ter um destino melhor: ganhará um espaço nos livros futuros. O de primeiro lugar em que surgiram versões modernas de alguns personagens.

Pela soma do apresentado: ignore tudo isso e continue a comprar encadernados do material Marvel e DC entre 1962 e 1994. Há raras exceções de material de qualidade posterior e normalmente é vinculado a apenas uma série.

A Guerra Secreta da Convergência


A DC Comics ressuscitou pela enésima vez seu Multiverso! 

Agora para um objetivo muito nobre: as Terras brigarão entre si.

Caso você tenha perdido o interesse a muito tempo, em linhas gerais este é o mesmo argumento de Countdown: Arena, onde versões dos personagens do Multiverso lutavam entre si. Naquele momento lutavam para um lugar em um exército, agora pela vida e sobrevivência de sua cidade/exército.

O mais terrível é que as premissas gerais lembram a atual série Guerra Secreta, que está sendo publicada pela outra editora.

Em ambas, Convergence (DC Comics) e Secret Wars (Marvel Comics) cidades são roubadas de seus mundos e o universo é reestruturado.

Ironicamente a série Crise nas Infinitas Terras (1985) foi, durante um tempo, referenciada como uma versão de Guerras Secretas da Marvel Comics.

O triste é que com todo o potencial do Multiverso e, por extensão, do Omniverso, nem a Marvel nem a DC sabem o quê fazer com ele.
A série de Jeff King & Scott Lobdell é risível, ridícula e a premissa geral é enfadonha. É triste ver morrer desta maneira personagens que acredito em seus potenciais. Será que ao trazer o Multiverso de volta a DC também trará os personagens, conceitos e situações de outrora? Ao vai continuar com suas versões Os Novos 52?

Se não vai mudar nada, então para que trazer o Multiverso de volta?