Doctor Who [Arco 143a]: The Mysterious Planet


O Doctor (Colin Baker) é convocado à Gallifrey onde é julgado, com acusações não muito claras.

[Localização no Continuum]
The Mysterious Planet é o 143ª arco da série de TV britânica Doctor Who, exibida pela BBC. É o primeiro arco da 23ª temporada e também o primeiro arco do ciclo nominado THE TRIAL OF A TIME LORD, que se prolongaria durante toda a temporada. Em algumas classificações THE MYSTERIOUS PLANET é numerado como “143a”, considerando que o arco 143 é toda a trama de THE TRIAL OF A TIME LORD, e sua primeira porção é THE MYSTERIOUS PLANET.

The Mysterious Planet tem quatro episódios de 25 minutos em média e foi exibido de 6 a 27/setembro/1986.

[Trama]
O Doctor aterrisa em Gallifrey e descobre-se em julgamento onde contracenará com The Inquisitor (Lynda Bellingham) que será a juíza e The Valeyard (Michael Jayston) que será o promotor de acusação.

Valeyard não deixa claro a acusação, mas certamente é sobre a interferência do Doctor em assuntos de outras espécies. Sua primeira evidência é um vídeo resgatado da Matrix de Gallifrey (estamos em 1986, lembre-se, de qualquer modo Neuromancer já havia sido lançado) onde temos o envolvimento do Doctor e de Peri Brown (Nicola Bryant) em assuntos do planeta Ravolox.

Lá civilizações que emergiram após um cataclismo natural que calcinou a superfície se dividiram em subterrânea (científica e orientada sob um misterioso ser que não veem, mas sabemos ser um robô chamado Drathro que mantém jovens inteligentes sob seu comando) e na superfície (uma civilização caçadora/coletora com poucas mulheres que tem de serem compartilhadas entre os homens e orientada pela Rainha Katryca). Indícios levam a crer que apesar de estar na órbita errada Ravolox é a Terra! Quem ou o quê teria tirado a Terra de sua órbita?

Parte da trama envolve os caçadores Sabalom Glitz (Tony Selby) e Dibber (Glen Murphy) que usam o planeta como local de caça.

[Opiniões]


É mais um daqueles quase infinitos arcos em que a trama poderia render mais. Em um planeta misterioso o Doctor se separa de Peri – que é capturada. Cada um conhece uma civilização distinta e descobrem um risco em comum (a antena que alimenta o robô, que o caçador Sabalom quer destruir). Resolvida a trama resta alguns mistérios para a temporada e a macrotrama do julgamento.

A postura do Doctor no julgamento, sozinho, indicando que algo aconteceu a Peri, é a mesma de irreverência e deboche. Não convence! Em um julgamento sério o acusado teria uma postura mais inquisidora.

[Curiosidades – fonte Wikipedia.org ]
Em fevereiro de 1985 a BBC anunciou que a 23ª temporada de Doctor Who haveria sido cancelada! Após os protestos corrigiu a informação para um “hiato” na série e que Doctor Who retornaria em setembro de 1986. Muitas tramas foram encomendas e abandonadas em favor de uma macrotrama sobre o julgamento do personagem, refletindo o fato de que o programa estava em julgamento pela BBC.

Esta é a última história completa escrita por Robert Holmes e seu roteiro é muito similar à primeira contribuição do autor, o arco The Krotons. Ambos arcos tratam de uma máquina alienígena subjugando uma civilização humanoide e forçando jovens a trabalharem para si.

Mulheres compartilhadas entre homens em uma sociedade competitiva e com traços de caçadores/coletores é também a trama do primeiro romance de George R R Martin, A morte da luz.

O arco foi adaptado para o formato de novela em DOCTOR WHO The Mysterious Planet (The Trial of a Time Lord) por Terrance Dicks e lançado pela Target Books na edição 127 de sua série em 19 de novembro de 1987.

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(Arco 142)
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(Arco 143a)
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(Arco 143b)
Revelation fo the Daleks
The Trial of a Time Lord: The Mysterious Planet
The Trial of a Time Lord: Mindwarp

Doctor Who [Arco 065]: The Three Doctors


Um Time Lord renegado chamado OMEGA mantém Gallifrey sob sítio e os Time Lords decidem pedir auxílio ao Doctor (Jon Pertwee). Quando a situação não se resolve, pedem auxílio para as duas encarnações anteriores do Doctor – William Hartnell e Patrick Troughton.

[Localização no Continuum]
The Three Doctors é o 65º arco da série de TV britânica Doctor Who, exibida pela BBC. É o primeiro arco da 10 temporada e comemora os dez anos da série. É composto de quatro episódios com 25 minutos em média e foi exibido entre 30/12/1972 a 20/01/1973.

[Trama]

Mantido em sítio por um Time Lord renegado e agora enlouquecido pelos efeitos do poder que adquiriu, os Time Lords de Gallifrey quebram suas leis e permitem que três versões do Doctor interajam para tentar derrotar o vilão que pretende destruir o universo. O vilão, Omega, vive em um universo de anti-matéria e capturou o Doctor e sua companheira (Jo Grant – Katy Manning) além dos colaboradores da UNIT o Brigadeiro Lethbridge-Stewart (Nicholas Courtney), Sargento Benton (John Levene) e o Dr. Tyler (Rex Robinson).


[Opiniões]
É interessante ver Pertwee e Troughton juntos e como se desenrola a ação. O primeiro deixa a clara impressão de um mágico de Las Vegas e o segundo de um bobo herdado de Os 3 Patetas. Já Hartnell, bastante adoentado, aparece apenas em sequências de monitor e sentado, sem realmente interagir com suas outras contrapartes. Neste arco o Brigadeiro passa a acreditar definitivamente na questão da regeneração do Doutor, algo que seria facilitado na próxima regeneração (Robot) pois ele veria o processo.

O episódio é basicamente sobre o poder absoluto e a corrupção que o poder provoca em quem o detêm. Há cenas de ação quando Omega envia seres para capturar o Doctor. O problema é que tais seres não passam de atores cobertos de plástico bolha queimado e colorido, beirando o ridículo. Beirando, mas não ultrapassando.

Como prêmio pela colaboração os Time Lords fornecem novos circuitos para a TARDIS e restauram o conhecimento da viagem no tempo e espaço no Doutor. Assim se encerra o exílio do Doctor na Terra.

[Curiosidades]
Omega retornaria no arco Arc of Infinity (1983, 5º Doctor), na produção de áudio Omega, no romance The Infinity Doctors e no livro-jogo Search for the Doctor.

O arco foi adaptado para o formato de novela em “Doctor Who The Three Doctors”, adaptado por Terrance Dicks e lançado em 20 de novembro de 1.975 na edição 64 da série de romance do Doctor pela Target Books.

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(Arco 64)
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(Arco 65)
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(Arco 66)
The Time Monster
The Three Doctors
Carnival of Monsters

Doctor Who [Arco 050]: The War Games


O Doctor (Patrick Troughton), Jamie McCrimmon (Frazer Hines) e Zoe Heriot (Wendy Padbury) chegam a um planeta desconhecido, supostamente a Terra, em um período que aparenta ser a 1ª Guerra Mundial, imediatamente se distanciam da TARDIS e são feitos prisioneiros em um dos fronts de batalha, impedindo que saiam do planeta.

[Localização no Continuum]
The War Games é o 50º arco da série de TV britânica Doctor Who, exibida pela BBC. É o sétimo e último arco da 6º temporada. É composto de dez episódios com 25 minutos em média e foi exibido de 19/04/1969 a 21/06/1969. É o último arco com o Segundo Doutor – que voltaria em participações em TheThree Doctors e no Especial de 20 anos – e também é o último episódio com os companheiros Jamie e Zoe.

[Trama]
A TARDIS aterriza na Terra no período da 1ª Guerra Mundial. O Doctor, Jamie e Zoe são feitos prisioneiros e em uma das tentativas de fuga descobrem que estão, na verdade, em um planeta formado por várias zonas de guerras de várias épocas distintas (1ª Guerra Mundial, Período Romano, Guerra Civil, etc.) onde uma raça alienígena treina os combatentes para formarem um grande exército de dominação.

Entre os auxiliares dos alienígenas o Doctor encontra um Time Lord, chamado de War Chief, e após várias tentativas de fuga, hesitando por seu destino o Doctor decide chamar sua raça para resgatar e enviar as pessoas para suas eras corretas. Há a primeira e mais consistente referência aos Time Lords, a Gallifrey e ao status do Doctor em seu planeta: ele é um criminoso, pois roubou a TARDIS e quebra a lei de não interferência de sua raça.

No último episódio do arco os Time Lords devolvem Jamie e Zoe aos respectivos períodos de tempo sem a memória de suas aventuras e o Doctor é julgado!

Por seus crimes é exilado na Terra e passa por uma “renovação” forçada – ele não morre e ainda não havia o termo “regeneração” – e a temporada termina com os Time Lords enviando-o para o nosso planeta, onde deverá agir como guardião do planeta mas sem a TARDIS.

[Opiniões]
The War Games é bem mais longo que o necessário! Há uma dezena de fugas e capturas sem que a trama evolua, possivelmente para fixar a questão das diversas zonas temporais e da maneira como os alienígenas constantemente limpam as memórias dos terráqueos e como é cruel um jogo para descobrir quem é o mais apto soldado.

Por sinal, ainda que a trama de treinamento para um exército de dominação faça sentido e que um planeta criado por várias zonas temporais seja um tema já clássico (o planeta de Guerras Secretas da Marvel é uma versão do tema e tendo em visto o reboot da editora em 2015 é bastante atual), o fato do Time Lord auxiliar os alienígenas não convence plenamente, especialmente em uma posição subalterna. Ele é o War Chief que presta contas ao War Lord e é constantemente posto à prova pelo chefe de segurança. Morto na trama, o War Chief não se regenera, mas muito do que se vê nele encontraríamos no adversário clássico do Doctor, o Mestre.

O arco ganha importância por ser o final da era do segundo Doutor e a primeira aparição dos Time Lords. Na próxima temporada que se iniciaria dez meses depois teríamos a chegada do Terceiro Doutor (Jon Pertwee) e o início do Exílio na Terra. O programa poderia perder parte de seu charme sem a TARDIS, mas teríamos cores e então um novo interesse!

[Curiosidades]
O arco foi adaptado para o formato de novela em “Doctor Who and The War Games”, adaptado por Malcolm Hulke e lançado em 25 de setembro de 1.979 na edição 70 da série de romance do Doctor pela Target Books.

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(Arco 49)
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(Arco 50)
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(Arco 51)
The Space Pirates
The War Games
Spearhead from space





Doctor Who [Arco 039]: The Ice Warriors


O Doctor (Patrick Troughton) e os companheiros Jamie McCrimmon (Frazer Hines) e Victoria Waterfield (Deborah Watling) chegam à Brittanicus Base em um futuro distante em uma nova era glacial e enfrentam a ameaça de alienígenas, anteriormente congelados, e agora libertos e desejosos de destruir a base.

[Localização no Continuum]
The Ice Warriors é o 39º arco da série de TV britânica Doctor Who, exibida pela BBC. É o terceiro arco da quinta temporada da série. Tem seis episódios de 25 minutos em média e foi exibido entre 11/11 a 16/12/1967.

[Trama]
O Doctor e seus companheiros retornam a Terra em um futuro distante que o planeta passa por uma nova era glacial. Lá, são aceitos na Brittanicus Base que enfrenta um dilema, está sem cientistas qualificados após um conflito de interesses entre o Líder Clent (Pent Barkworth) e um arrojado cientista chamado Penley (Peter Sallis) – este último abandonou a base e vive isolado na tundra.

Arden (George Waring), outro cientista, encontra o Doutor e seus companheiros e também um alienígena congelado – o tal ice warrior do título. Daí para frente inicia o processo de descongelar alguns membros desta raça, eles capturarem ou ameaçarem Jamie e Victoria ou os cientistas da base, ao mesmo tempo que o líder da base tem dúvidas sobre o uso de um novo dispositivo. O líder não crê que o computador tenha cometidos erros e o cientista faz questão de deixar claro que eles existem.

Varga (Bernard Bresslaw) o Ice Warrior descongela os companheiros e após algumas ameaças faz uma trégua, tencionando encontrar combustível para sua nave. A nave explode graças ao ionizador que também funciona para reverter a era glacial.

[Opiniões]
Mais longo do que deveria e com tramas que se repetem The Ice Warriors é cansativo ainda que os atores Pent Barkworth e Peter Sallis sejam acima da média, algo que é desconcertantemente destruído pelo ridículo som de voz dos marcianos. A história é um desdobramento de uma trama muito comum na série: uma máquina que não se deve confiar, partes em conflito, alienígenas contra todos e um Doutor algo que deslocado na história. Se tivesse quatro partes seria suficiente. Vai assim para a lista dos arcos inchados.

[Curiosidades]
The Ice Warriors é o terceiro arco incompleto que foi restaurado com animações. Aqui foram os episódios dois e três.

Os guerreiros do gelo são marcianos e retornaram à série em The Seeds of Death (1969), The Curse of Peladon (1972), The Monster of Peladon (1974) e Cold War (2013). São mencionados no especial The Waters of Mars (2009).

O arco foi adaptado para o formato de novela em DOCTOR WHO and The Ice Warriors por Brian Hayles e lançado pela Target Books na edição 33 de sua série em 18 de março de 1976.

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(Arco 38)
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(Arco 39)
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(Arco 40)
The Abominable Snowmen
The Ice Warriors
The Enemy of the World











Doctor Who Series 8 [2014] Season finale



Apesar de boas ideias durante a temporada, em especial nos episódios Kill the moon, Mummy on the Orient Express e In the forest of the night, noto um cansaço incrível em Doctor Who, algo bem comum nas encarnações de Matt Smith e Peter Capaldi: ele continua a ser uma metralhadora giratória alheia ao mundo que o cerca.

O season finale da oitava temporada com Dark Water e Death in Heaven parece-me distante daquilo que vi na série: um personagem morre e no fim temos cybermen zumbis. Em explicações que não acrescentam muito, ouvimos partes da verdade: Missyo Mestre regenerado em mulher (será um indício de uma próxima regeneração para o personagem principal?) – cria um poderoso HD que armazena os dados das pessoas que morrem (a alma?). Colhe as informações e cria um vírus que incuba em mortos e os ergue como cybermen.

É a resposta de Doctor Who para o sucesso de The Walking Dead? Usar humanos para ponto de partida para os cybermen e descartá-los em evento deus ex machina?

Para embalar isto Clara traí o Doctor diante da morte de uma pessoa cara a ela. Se as fotos do especial de Natal mostram uma suposta gravidez todos os indícios já estavam no epílogo de Death in Heaven. Se não viu, reveja.

[E a temporada?]
Capaldi trouxe energia ao Doctor, mas tornou-se coadjuvante à Clara Oswald que, sendo a garota impossível e tendo conhecido tantos Doutores, teve dificuldades de aceitar a regeneração ao mesmo tempo em que ele, paternalmente, não aprovava o romance dela com Danny. De resto correram de um lado para o outro durante a temporada e tivemos um esboço de macro-história envolvendo Missy.

O quê sobra?

Como sempre, na série, boas ideias nem sempre bem executadas. A impressão é que não tiveram tempo para pensar em soluções melhores para os problemas apresentados. Algumas são ótimas histórias de ficção, mas não parecem ser boas ideias na TV.

Individualmente os episódios parecem ser melhores que a temporada.

Os Mortos-Vivos vol 8: Nascidos para sofrer (2012)


[A trama]
O Governador e as pessoas de Woodbury finalmente atacam o grupo de Rick na prisão, com resultados chocantes para ambos os lados.

[Opinião]
Acompanhei The Walking Dead até a edição #110 da série americana. Acho que tem mais de dezoito meses que não leio uma edição recente e havia muito tempo que não relia os ciclos anteriores. Devo dizer que depois de cerca altura cansei da série. Há dois detalhes sobre este cansaço: a) ele se deve em parte a eu imaginar que a série deveria ter fim e que estendê-la pode diminuir o impacto; b) o cansaço não resiste às leituras dos encadernados e se dissipa. A história de Rick Grimmes e seus companheiros é muito interessante.

Nascidos para sofrer encadernado da HqM Editora publicado em março de 2012 reúne as edições #43-48 e uma história curta de Image Comics Holiday Special (2005) é o fim do “ciclo da prisão”, assim como o fim de alguns personagens importantes aos quais nos afeiçoamos. O tom do volume ao final é que muitos morreram e o grupo está disperso. Na última página sabemos quem, com certeza, morreu, mas não sabemos quem está vivo. O objetivo seria fazer uma faxina na série, provocar um choque no leitor e continuar. Naquele momento funcionou… e bem! Me chocou!

Não quero dizer, com isso, que depois não funcionaria. Mas, assim como neste diálogo entre Rick e Carl, quando o pai informa ao menino que um companheiro morreu o garoto reage com esta resposta: “As pessoas morrem, papai. Acontece todo o tempo. Vou sentir falta de (censurado). Mas sabia que ele poderia morrer. Todos vão. Todos vamos.” Com o passar das edições o choque das mortes fica concentrado na crueldade em que eles cairiam e não mais na morte em si. Todos os personagens morrerão é certo! Resta saber quando.

Mas mesmo com esta “previsibilidade” a série se sustenta bem e consegue gerar tensão o suficiente para que os leitores se interessem em acompanhar, se não o desenrolar de toda a epopeia, ao menos até o ponto final de seu personagem preferido.

Mas uma coisa eu lhe digo: a cada vez que se pega um encadernado não é possível abandonar antes da página final.

Os Mortos-Vivos vol 8: Nascidos para sofrer, HqM Editora, ISBN 978-85-998-5948-3, março de 2012.

Elric de Melniboné Livro 1: A traição ao imperador


Em algum momento de 2013 Michael Moorcock anunciou em uma rede social que havia negociado quatro livros com uma editora brasileira. Especulou-se sobre a Leya ou a Saída de Emergência; a primeira pelo histórico com As crônicas de fogo e gelo de George R R Martin; a segunda por publicar em Portugal a série de Moorcock.

Não foi nenhuma destas. A Editora Generale – um selo da Editora Évorapublicou no fim da primavera de 2014 o primeiro dos livros: Elric de Melniboné, Livro Um: A traição ao imperador.

A edição reúne três contos publicados originalmente na revista Science Fantasy e posteriormente reunidos e reformatados para o formato livro – mas não chega a tanto, com apenas 182 páginas. Como anteriormente e detalhadamente me estendi sobre os contos (veja ou reveja em 1, 2 e 3) vou apenas a um rápido resumo.

Elric é o herdeiro do Trono de Rubi, mas ele e seu povo estão em decadência. Fraco fisicamente e dependente de drogas, Elric tem o amor de Cymoril e do amigo Dyvim Tvar, mas seu primo Yyrkoon deseja o trono e se aproveita de um ataque à cidade de Imrryr na Ilha do Dragão para traí-lo e ocupar o trono. Quando o plano falha, foge para reorganizar um novo ataque, levando junto a sua irmã e amada de Elric, Cymoril. Assim o último Imperador Feiticeiro de Melniboné decide ir ao seu encalço, percebendo que ambos estão sendo controlados por forças superiores.

Clique para ampliar e ler a mensagem de Moorcock em uma rede social

[Opinião]
A Generale fez uma belíssima edição em capa dura e com esplêndida capa. Fica-se ansioso para a próxima edição, programada para abril de 2015. O triste é que ao se concentrar em contos de Elric algo do vasto universo de Moorcock como O campeão eterno não será contemplado nesta série.

O texto de Moorcock, ainda vivo e se apresentando como um “anti-Tolkien” é crú, algo vezes imperfeito, talvez em função da mídia de nascimento: uma revista de contos. O autor constantemente retoca suas histórias, algumas de maneira imperceptível e com claro penhor financeiro. Seu Elric é um entretenimento rápido, dinâmico e a ambiguidade do personagem lembra o ser humano. Elric é nobre, mas indeciso, fraco, ambíguo e capaz de arrastar pessoas para sua tragédia pessoal. Ao ler o texto fica-se com a clara impressão que será a razão da queda de Melniboné e de sua dimensão – coisas que sabemos que ocorrerão dando ao fato que a trama original foi publicado nos anos 1.960.

Ainda que eu acompanhe as Chronicles of the Last Emperor of Melniboné, série da DelRey publicada a partir de 2.008, terei um enorme prazer de acompanhar também esta série nacional e torcer para que o arco Os Navegantes dos Marés do Destino e o conto O campeão eterno sejam publicados por aqui, o último sem Elric, mas essencial para entender o personagem como parte de algo maior.

Na torcida pelo sucesso.

Elric de Melniboné, Livro Um: A traição ao imperador, Michael Moorcock, ISBN 978-85-63993-96-0, tradução de Dario Chaves.