Just a dream: Wolverine
Anos
atrás quando a Editora Abril publicou a série The Savage
Dragon no Brasil, o criador da série Erik Larsen explicou
que criou um concurso onde os leitores ofereciam um design e
uma história básica para um personagem novo e o prêmio que caberia
ao vencedor era aparecer na revista. Algo como The Savage Dragon
versus [adjetivo] [nome do vencedor].
Larsen
disse ao fim do concurso, que ficou preocupado pois inconscientemente
poderia reter mais detalhes que o necessário e se apropriar
inadequadamente de alguns daqueles personagens que ele teve contato.
Ele diz que alguns deles realmente tinham plots semelhantes a
ideias que ele já tinha concebido para serem utilizadas no futuro.
Há
dezenas de casos na indústria de quadrinhos de personagens
semelhantes. Não são os X-Men muito semelhantes à Patrulha
do Destino – aberrações e um professor em uma cadeira de
rodas? Não é o Quarteto Fantástico semelhante aos
Desafiadores do Desconhecido? Thanos não se parece
fisicamente com Darkseid? Ambos não tem motivações
semelhantes? Isso sem contar as inspirações explícitas como
Cavaleiro da Lua, Esquadrão Supremo e Sentinela
(Sentry) – revisando o parágrafo fiquei com a impressão que só a
Casa das Ideias copia (e melhora, em alguns casos) a Divina
Concorrente, mas no momento continuo a não lembrar inspirações em
caminho inverso.
O
detalhe que a matéria “The case of Marvel's First Wolverine: a
look at the mysterious creation of Marvel's most popular mutant!”
de John Cimino em Back Issue #76 (outubro/2014) traz à
tona é que houve um outro “Wolverine” na empresa, resultado de
um concurso na FOOM Magazine para criar um personagem no
estilo Marvel. O ganhador foi o personagem Humus Sapiens de
Michael A. Barreiro que realmente apareceu em uma revista
Marvel – Thunderbolts #55 de 2001, 28 anos depois do
concurso!
Um
dos concorrentes foi Andy Olsen que apresentou o seu “The
Wolverine” na FOOM #02 (verão, 1973) que é descrito por
Cimino da seguinte maneira “O personagem parece ser resultado
de algum estranho experimento de alta tecnologia,
tem uma estrutura de ossos de metal sob a pele, e, mais interessante,
tem um fator de cura”.
Roy
Thomas, famoso escritor e editor, atualmente responsável pela
revista Alter Ego publicada pela TwoMorrows que também
publica Back Issue, foi o responsável pela criação do
Wolverine que nós conhecemos. Sua preocupação, diz no artigo, era
ampliar as vendas das revistas Marvel no Canadá. Decidiu criar um
personagem canadense e fez questão que o escritor que assumisse a
empreitada ressaltasse isto na história. Foi Thomas que decidiu qual
animal seria a inspiração do personagem e que este deveria ser
“baixinho”.
Quem
aceitou o trabalho foi Len Wein (texto) e Herb Trimpe
(arte), este último baseando-se em um design de John
Romita Sr. Wolverine surgiu no último quadro de The
Incridible Hulk #180, sendo a edição seguinte de novembro de
1.974 a sua primeira aparição completa. Thomas admite
que viu todos os números publicados de FOOM e que pode ter sido
influenciado subconscientemente (ele não faz ênfase do PODE, mas eu
faço). Wein diz que não, não se recorda de ter visto o Wolverine
da FOOM e que por isto não foi influenciado em sua criação.
Mas
não é esta a impressão que Andy Olsen passa. Hoje com 57 anos e
designer gráfico, dá a entender em seu depoimento a Cimino
que o personagem famoso tem como ponto de partida o personagem que
ele criou para o concurso. Ele diz que quando enviou a arte para a
FOOM seu tio, um artista estabelecido, o criticou informando que as
empresas roubavam ideias e não pagavam nada aos fãs que haviam
colaborado. Olsen acrescenta que se afastou dos quadrinhos, mas anos
depois quando na faculdade passou em um stand de quadrinhos e
viu Wolverine nos X-Men. Comenta então, com notada amargura “Ele
está nos X-Men! (…) Aquilo me chocou (…) meu tio estava certo”.
Curiosamente
a edição #2 da FOOM Magazine é constantemente oferecida como uma
visualização do “primeiro protótipo do Wolverine” no
mercado de edições antigas e vale cerca de US$ 400,00!
Alguém
tem uma cópia aí?
---
Este
post é inspirado na matéria “The case of Marvel's First
Wolverine: a look at the mysterious creation of Marvel's most popular
mutant!” de John Cimino em Back Issue #76
(outubro/2014). A revista está a venda em formato on-line e
print edition no site da TwoMorrows.
E
eu não entendo por que há um certo interesse em ligar Gládio
(Steel) ao Capitão América e tão pouco em ligá-lo à
Wolverine. Ligue os pontos.
Star Trek: The Mirror Universe Saga
Muitos
anos atrás quando conheci os quadrinhos importados Star Trek: The
Mirror Universe Saga foi um dos primeiros encadernados que vi no
catálogo. Gente como isso tem tempo!
Estes
dias li a história. Não é muita coisa e tem de ser colocada demais
no contexto. Trinta anos atrás, em 1.984 a DC Comics
publicava uma série mensal de Star Trek. Em 1.982, 1.984 e 1.986 a
Paramount lançou A ira de Khan, À procura
de Spock e De volta para casa, filmes que davam sequência
a uma longa jornada iniciada na TV e filmes considerados por muitos
como um extrato do que há de melhor na cine-série.
A
série em quadrinhos estava sendo editada antes e depois do terceiro
filme (À procura de Spock). A nave Enterprise é destruída
neste filme. Kirk tem problemas com a Federação dos Planetas Unidas
que, no cinema seriam resolvidos no quarto filme – não há
intervalos real entre estes filmes, apesar de a produção ter dois
anos de diferença.
Mas
nos quadrinhos a DC Comics e o autor Mike W Barr tinha
uma equipe da Enterprise sem uma Enterprise durante meses. Decidiram
narrar uma história “alternativa” onde a versão do Universo
Espelho inicia uma invasão a este universo.
Publicada
originalmente como “New Frontiers” em Star Trek, DC
Comics, 1984 series #09 (dezembro/1984) – #15 (junho/1985),
com um epílogo na edição #16, vemos o ainda Almirante Kirk
perceber que seu destino na Federação dos Planetas Unidos não
seria agradável. Ainda com a Ave de Rapina klingon, ele é detido e
levado prisioneiro pelo Capitão Styles na USS Excelsior, que
é invadida pela tripulação da Enterprise do Mirror Universe.
Neste momento achei que W. Barr substituiria uma Enterprise pela
outra e continuar as tramas nos quadrinhos com uma nave de qualquer
jeito.
A
trama, no entanto é confusa e em alguns momentos o corte entre
Excelsior e Enterprise confunde o leitor visto que a diferença entre
os universos é basicamente a barba de Spock e o logo do Império –
o uniforme parece ser em um tom mais escuro, mas com a colorização
da época isto não é certo. Confesso que “comi pança” umas
duas ou três vezes e tive que escanear atentamente a página em
busca do logo da Federação ou do Império. Tom
Sutton, artista da série, em minha opinião deveria ter
construído um visual distinto para o Império – mas não há
maneira de garantir que a opção não tenha sido resultado de
interferência dos licenciadores, mesmo que W. Barr diga em Back
Issue #5, agosto de 2004, que o
relacionamento era bom, pois são mais famosas as limitações que
Peter David sofreu nas mãos dos licenciadores.
Kirk
consegue retomar a Excelsior rompe a barreira dos universos e tenta
destruir a invasão por dentro, passando por sua contraparte. Lá é
cooptado por um movimento rebelde que tem David Marcus – seu
filho, recém-falecido no filme – como líder!
Além
disso o conflito entre os Spock's, que passam a defender um objetivo
comum, e a associação do descoberto e fugitivo Kirk com o Império
Klingon e o Império Romulano são itens que mantém o
interesse na agradável “mas-não-leve-a-sério-demais” história.
No epílogo Kirk burla novamente os canais para continuar a ter uma
nave e Spock recebe o comando de uma nave científica.
Vale
lembrar aquilo que disse no review do primeiro arco (aqui): a
cronologia não tem efeito nenhum no cinema. O quarto filme se passa
IMEDIATAMENTE depois do terceiro e todas as aventuras dos quadrinhos
tornaram-se “ElseWorlds” - por falta de um termo melhor. Mas não
são assim todas as histórias?
Texto
de Mike W. Barr, arte de Tom Sutton e finais de Ricardo Villagran.
Com este arco W. Barr encerra sua participação na série dedicando
exclusivamente a The Outsiders (Os Renegados,
anteriormente Batman and the Outsiders) e Detective Comics.
Nesta última, além de uma passagem com Alan Davis que está
sendo reeditada agora no Brasil pela Panini, Barr escreveu Ano
Dois. Apesar dos adendos posteriores em Zero Hora (1994) e
Crise Infinita (2004) que irritaram os fãs de cronologia, Ano
Dois é uma boa história presa em uma época de quadrinhos sérios e
violentos.
Star Trek (DC Comics, 1984 series) #05-08: A Origem de Saavik
Nada
muito interessante aconteceu nos seis meses e quatro edições
seguintes – a série teve um gap entre as edições #07 e
08.
Qual o motivo do gap?
A versão em quadrinho do filme Star
Trek III: A procura de Spock que estava para ser lançado e já
trazia modificações importantes para a Enterprise e sua
equipe. Assim Mike W Barr ficou no básico criando tramas que
repetiam padrões da série de TV original e focando em um personagem
“estranho” e “quase” seu – a Saavik.
Então
na edição #05 trouxe um conto de violação da primeira
diretriz. Aqui um conhecido de Kirk cai em um planeta e se passa como
deus em um mundo de seres semelhantes à grandes ratos. Nada de novo,
portanto.
A
edição seguinte (#06) traz uma aventura onde um embaixador é
ameaçado por um transmorfo, que é sua filha! Ambas as tramas caem
bem mesmo na série de TV dos anos 1.960, pois não oferecem risco
algum, pois tratavam de diferenças políticas ou religiosas.
Este
ciclo termina com as edições #07 (ago/1984) e #08
(nov/1984) – no gap foi lançada a adaptação em quadrinhos
do terceiro filme em uma edição especial – que traz A origem
de Saavik, uma menina meia romulana, meia vulcana que, encontrada
abandonada pelo Sr. Spock é criada pela família do oficial de
ciência da USS Enterprise.
Em Vulcano ela se liga a Xon
e, adulta e servindo na Enterprise, passa a sofrer os efeitos do Pon
Far, exatamente quando o “noivo” está infiltrado em uma
missão no Império Romulano, portanto inacessível para resolver o
problema do desejo da moça.
A arte da edição #07 é de Eduardo
Barreto, mas o restante tem Tom Sutton no lápis. Barreto
não era exatamente estranho à ficção científica, visto que foi o
segundo artista da série Esquadrão Atari.
Sabendo
do destino de David Marcus, o filho de Kirk, Mike W Barr o
introduz na série em quadrinhos para uma (última) viagem.
Ainda que
não seja a preocupação de W Barr a narrativa consegue “contar”
a história de Saavik sem revelar nada. Na história ela não tem
lembranças de sua família, então pode ser filha de qualquer casal
que estivesse na colônia romulana onde foi encontrada.
Há, no
mínimo, um momento duvidoso: ao tentar criar um clifhanger
para o próximo número, Barr põe a gigantesca Enterprise armada e
100% ativa sob a mira da pequena nave da febril Saavik que ameaça
destruir a nave da Federação!
Sabe
de nada, inocente!
Devo
confessar que o arco seguinte “Novas Fronteiras” (Star
Trek 1984 series, DC Comics #09-16) em oito partes é muito
interessante. Fique conosco foi retornaremos ao assunto.
Star Trek (DC Comics, 1984 series) #01-04
Spock está
morto! Longa vida a Spock!
Os
quadrinhos que adaptam séries de TV e filmes sempre sofreram por ser
um produto marginal, não só pela mídia sempre mal vista, mas por
terem uma linha narrativa própria e distinta do produto original.
Chama-se esta linha de “Universo Expandido”, mas
sabe que seu valor é exclusivo para a mídia derivada para a qual
foi projetado. Desconheço a influência dos quadrinhos e dos livros
nas séries originais – mas, lembre-se, desconhecer não significa
que não exista.
Fica-se
com este gosto quando leio o quarteto inicial de histórias de Star
Trek (DC Comics, 1984 series). A trama passa-se após Star
Trek II: A ira de Khan (1982) onde Spock sucumbiu. Para
substituí-lo a também meia vulcana/romulana Tenente Saavik
assume como oficial de ciências. Evidentemente Kirk passa a exigir
muito da moça e McCoy passa a tentar relativizar tudo. A surpresa
termina aí! O resto e mais do mesmo, ainda que Tom Sutton
e Ricardo Villagran tenham um traço belíssimo e
adequado ao propósito da série.
Na
trama escrita por Mike W. Barr Kirk pede para reassumir o
comando da Enterprise, sem, no entanto, perder a patente de
almirante. A primeira missão é um conflito com klingons que estão
explorando uma tecnologia de buraco de minhoca e fazendo ataques
repentinos. A trama leva a uma guerra declarada entre klingons e a
Federação, que na verdade, estão sendo manipulados por criaturas
semideuses apresentadas na série clássica, que teve um gigantesco
compêndio de tais criaturas. Rumando para Organia, Kirk se
alia ao klingon Capitão Kor e enfrentam excalbianos
que desejam descobrir quem era mais forte: o bem ou o mal.
Apesar
de uma boa dose de ação e da criação de vários personagens
secundários bem críveis e divertidos, como um alferes herdeiro de
nativos americanos (Bearclaw) ou um klingon amante da paz
(Konom), mas existentes só nesta versão do universo
expandido a trama é muito semelhante aos conflitos existentes na
série clássica e não me convenceu. Muito “semideuses querendo
descobrir a verdadeira natureza do mal”.
Curiosidade:
Em uma edição seguinte pela pureza da época os autores permitem
que McCoy examine Konom para descobrir o quê há de errado com ele.
Seria o mesmo que examina um homossexual para descobrir o “quê há
de errado”. Não há nada! É uma opção!
Como
o editor da série é Marv Wolfman cabe ao companheiro George
Pérez as capas destas quatro primeiras edições.
Curiosidade:
Wolfman foi o responsável pela adaptação em quadrinhos do primeiro
filme ainda pela Marvel Comics. Após as três edições de adaptação
Mike W. Barr foi o primeiro roteirista da série da Casa das Ideias.








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